Do site www.camara.gov.br/internet/tvcamara/
O país do orgulho da miscigenação, apregoado por Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, se deparou há alguns anos com uma questão espinhosa: a adoção de cotas raciais nas universidades. Se falar de racismo no Brasil já era tabu, falar de cotas, então, se transformou num daqueles temas sobre os quais é melhor nem iniciar conversa. A menos que estejamos em um grupo onde todos são favoráveis ou todos contrários. Aí, sim, dá para desabafar os inconformismos, de um lado e de outro.
É neste clima de “assunto proibido”, discutido só entre os pares, que os entrevistados do documentário Raça Humana, produzido pela TV Câmara, começam a desfiar o intrincado novelo das cotas. Durante três meses, a equipe que trabalhou no documentário acompanhou a rotina de uma das maiores universidades do país: a Universidade de Brasília-UnB, que de forma tão ousada quanto isolada adotou o sistema de reserva de vagas com recorte puramente racial. No documentário, alunos cotistas e não-cotistas, professores, movimentos organizados, partidos políticos e representantes da instituição falam abertamente sobre o “tabu” das cotas raciais, seja defendendo ou condenando o sistema. Ao mesmo tempo, o documentário mostra ações externas à universidade que permeiam ou influenciam a discussão, como a votação do Estatuto da Igualdade Racial, em tramitação no Congresso - também cercada de muita polêmica, protestos e impasses.
No documentário, questões seculares e mal-resolvidas da história do Brasil vão ressurgindo, tendo como pano de fundo a discussão das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura sócio-educativa do país.
É nesse caldeirão de questões que o documentário Raça Humana mergulha e mostra que, para além das reações muitas vezes apaixonadas, raivosas ou até intolerantes, está em pauta no Brasil uma discussão histórica, que não pode ser desprezada. A situação vivida hoje pela UnB é, ao mesmo tempo, peculiar e universal – uma amostra do Brasil contemporâneo, ainda cheio de preconceitos, mas também capaz de refletir sobre a sua história e reconstruí-la a partir de novos parâmetros.
Atualmente, o sistema de cotas da UnB está sendo contestado no Supremo Tribunal Federal pelo partido Democratas e deve ter seu futuro definido ainda em 2010. Embora a ação de Descumprimento de Preceito Fundamental seja direcionada apenas à UnB, a decisão a ser tomada pela Corte vai valer para todas as universidades que adotem algum tipo de cota racial em seus vestibulares.
"Raça Humana" foi vencedor da categoria Documentário, na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anisitia e Direitos Humanos, em 2010.
FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro: Dulce Queiroz
Edição e Finalização: Joelson Maia
Imagens: Claudio Adriano; Edson Cordeiro; André Benigno
Videografismo: Ernani Pelúcio
Produção: Pedro Henrique Sassi e Pedro Caetano
Trilha Original: Alberto Valerio
Coordenação Geral: Dulcídio Siqueira
Tempo: 42 minutos
Download: aqui.
Liberdade de Informação: e o direito que os cidadãos têm de ser informado de tudo que se relaciona com a vida do Estado, e que, por conseguinte é de seu peculiar interesse. Esse direito de informação faz parte da essência da democracia. Integra-o a liberdade de imprensa e o direito de ser informado. Artigo 5º inciso XXXIII, da Constituição Federal. Prof. Franscisco Bruno Neto.
14 de novembro de 2010
13 de novembro de 2010
C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien. Amizade e desacordos sobre a teologia cristã
Por Austin Cline.
Muitos fãs estão cientes de que C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien eram amigos íntimos. Tolkien ajudou Lewis na sua conversão ao cristianismo, enquanto Lewis encorajava Tolkien a expandir a sua escrita ficcional, ambos ensinavam em Oxford, ambos estavam interessados em literatura. Lewis escreveu dois livros de ficção que se baseavam em temas e princípios cristãos. Ao mesmo tempo, porém, eles também tiveram graves desentendimentos - em especial, sobre a qualidade do livro de Lewis, Nárnia.
Embora Lewis estivesse muito orgulhoso de seu livro Nárnia, O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, que viria a se tornar uma série de grande sucesso de livros infantis, Tolkien não pensou muito bem dele. Primeiro, ele pensou que os temas cristãos e as mensagens eram muito fortes - ele não aprovava a maneira com que Lewis pareceu martelar a cabeça do leitor com esses símbolos óbvios.
Certamente não havia dúvida o fato de que Aslan, um leão, foi um símbolo de Cristo, que sacrificou sua vida e ressuscitou para a batalha final contra o mal. Os livros de Tolkien são profundamente impregnados com temas cristãos, mas ele trabalhou duro para enterrá-los profundamente, de forma que eles colaborassem em vez de prejudicar as histórias.
Além disso, Tolkien pensou que havia muitos elementos conflitantes que finalmente entrariam em confronto, prejudicando o todo. Havia animais falantes, crianças, bruxas, e muito mais. Assim, além de ser agressivo, o livro foi sobrecarregado com elementos que ameaçavam confundir e oprimir as crianças para as quais foi concebido.
Em geral, parece que Tolkien não pensou muito sobre os esforços de Lewis para escrever teologia popular. Tolkien parecia acreditar que a teologia deve ser deixada para os profissionais, e que sua popularização corria o risco de nem desvirtuar as verdades cristãs, ou deixar as pessoas com um quadro incompleto das verdades, que por sua vez, serviriam mais para incentivar a heresia em vez de ortodoxia.
Tolkien nem sempre pensou que a apologética de Lewis era muito boa. John Beversluis escreve:
"[T] Broadcast Talks, envergonhado, ele levou alguns dos melhores amigos de Lewis a fazer pedidos de desculpas por ele. Charles Williams observou pesarosamente que quando ele percebeu quantas questões cruciais Lewis tinha contornado, terminou perdendo o interesse nas conversações. Tolkien também confessou que ele não estava "totalmente entusiasmado" com eles e que achava que Lewis estava atraindo mais atenção do que o conteúdo das conversações."
Outra fonte de conflito entre os dois foi o fato de que, quando Lewis se converteu ao cristianismo, adotou o anglicanismo protestante em vez do catolicismo do próprio Tolkien. Isto por si só não precisava ter sido um problema, mas por algum motivo ainda Lewis adotou um tom anti-católico em alguns dos seus escritos, que chateava e ofendia Tolkien. Em seu livro, muito importante, Inglês e Literatura no século XVI, por exemplo, ele se referia aos católicos como "papistas" e elogiou, sem reservas, o teólogo protestante João Calvino, do século 16.
Por fim, Tolkien acreditava que o romance de Lewis com a viúva americana Joy Gresham ficou entre Lewis e todos os seus amigos. Durante décadas, Lewis passou a maior parte do seu tempo na companhia de outros homens que compartilhavam seus interesses, inclusive Tolkien. Os dois eram membros de um grupo informal de escritores e professores de Oxford,conhecidos como Inklings. Depois que Lewis conheceu e se casou com Gresham, no entanto, ele se afastou de seus velhos amigos e Tolkien ficou pessoalmente ressentido.
Fonte: http://atheism.about.com/od/cslewisnarnia/a/jrrtolkein.htm
Original em inglês: http://atheism.about.com/od/cslewisnarnia/a/jrrtolkein.htm
Muitos fãs estão cientes de que C. S. Lewis e J.R.R. Tolkien eram amigos íntimos. Tolkien ajudou Lewis na sua conversão ao cristianismo, enquanto Lewis encorajava Tolkien a expandir a sua escrita ficcional, ambos ensinavam em Oxford, ambos estavam interessados em literatura. Lewis escreveu dois livros de ficção que se baseavam em temas e princípios cristãos. Ao mesmo tempo, porém, eles também tiveram graves desentendimentos - em especial, sobre a qualidade do livro de Lewis, Nárnia.
Embora Lewis estivesse muito orgulhoso de seu livro Nárnia, O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, que viria a se tornar uma série de grande sucesso de livros infantis, Tolkien não pensou muito bem dele. Primeiro, ele pensou que os temas cristãos e as mensagens eram muito fortes - ele não aprovava a maneira com que Lewis pareceu martelar a cabeça do leitor com esses símbolos óbvios.
Certamente não havia dúvida o fato de que Aslan, um leão, foi um símbolo de Cristo, que sacrificou sua vida e ressuscitou para a batalha final contra o mal. Os livros de Tolkien são profundamente impregnados com temas cristãos, mas ele trabalhou duro para enterrá-los profundamente, de forma que eles colaborassem em vez de prejudicar as histórias.
Além disso, Tolkien pensou que havia muitos elementos conflitantes que finalmente entrariam em confronto, prejudicando o todo. Havia animais falantes, crianças, bruxas, e muito mais. Assim, além de ser agressivo, o livro foi sobrecarregado com elementos que ameaçavam confundir e oprimir as crianças para as quais foi concebido.
Em geral, parece que Tolkien não pensou muito sobre os esforços de Lewis para escrever teologia popular. Tolkien parecia acreditar que a teologia deve ser deixada para os profissionais, e que sua popularização corria o risco de nem desvirtuar as verdades cristãs, ou deixar as pessoas com um quadro incompleto das verdades, que por sua vez, serviriam mais para incentivar a heresia em vez de ortodoxia.
Tolkien nem sempre pensou que a apologética de Lewis era muito boa. John Beversluis escreve:
"[T] Broadcast Talks, envergonhado, ele levou alguns dos melhores amigos de Lewis a fazer pedidos de desculpas por ele. Charles Williams observou pesarosamente que quando ele percebeu quantas questões cruciais Lewis tinha contornado, terminou perdendo o interesse nas conversações. Tolkien também confessou que ele não estava "totalmente entusiasmado" com eles e que achava que Lewis estava atraindo mais atenção do que o conteúdo das conversações."
Outra fonte de conflito entre os dois foi o fato de que, quando Lewis se converteu ao cristianismo, adotou o anglicanismo protestante em vez do catolicismo do próprio Tolkien. Isto por si só não precisava ter sido um problema, mas por algum motivo ainda Lewis adotou um tom anti-católico em alguns dos seus escritos, que chateava e ofendia Tolkien. Em seu livro, muito importante, Inglês e Literatura no século XVI, por exemplo, ele se referia aos católicos como "papistas" e elogiou, sem reservas, o teólogo protestante João Calvino, do século 16.
Por fim, Tolkien acreditava que o romance de Lewis com a viúva americana Joy Gresham ficou entre Lewis e todos os seus amigos. Durante décadas, Lewis passou a maior parte do seu tempo na companhia de outros homens que compartilhavam seus interesses, inclusive Tolkien. Os dois eram membros de um grupo informal de escritores e professores de Oxford,conhecidos como Inklings. Depois que Lewis conheceu e se casou com Gresham, no entanto, ele se afastou de seus velhos amigos e Tolkien ficou pessoalmente ressentido.
Fonte: http://atheism.about.com/od/cslewisnarnia/a/jrrtolkein.htm
Original em inglês: http://atheism.about.com/od/cslewisnarnia/a/jrrtolkein.htm
12 de novembro de 2010
Horror: Chinês descreve autoridades do governo forçando sua esposa a abortar bebê
Kathleen Gilbert
21 de outubro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Uma vítima da política coerciva da China de apenas um filho ofereceu ao mundo um cruel relato pessoal da opressiva lei de controle populacional do país, a qual as autoridades afirmaram prosseguiria depois de seu aniversário de 30 anos no mês passado.
Embora as investigações tenham apontado para inúmeros incidentes semelhantes ocorrendo diariamente sob a brutal política de apenas um filho na China, o abuso geralmente fica escondido por trás do maior segredo — dando para o relato de Luo Yanqua um raro vislumbre do mundo das táticas de controle populacional da China.
A Associated Press obteve o material depois que a rede árabe de notícias Al Jazeera divulgou uma entrevista gravada com Luo, que descreveu suas tentativas fúteis de salvar seu bebê da morte, e sua esposa de maus-tratos indescritíveis, nas mãos do governo chinês.
“Tentei tudo o que pude para salvá-la, desde o momento em que ela foi levada”, disse Luo. “Aquelas 48 horas… eu dormi só três horas. Não consegui comer nada… Minha pessoa toda, meu ser inteiro — não sei o que dizer. Apenas tentei o máximo que pude”.
Luo disse que foi para casa com toda a pressa em 10 de outubro depois que lhe disseram que sua esposa Xiao Aiying havia sido levada por “autoridades de planejamento familiar”, mas era tarde demais — ela havia sido arrastada cerca de dez minutos antes. “Não sei para onde a levaram”, disse ele. “Quando finalmente descobri o lugar, eles tinham trancado minha esposa numa sala separada”.
Luo disse que o casal estava em dúvida se eles tinham permissão de ter mais que um filho — Luo era da cidade, enquanto Xiao era do campo — e que ele tentou dissuadir as autoridades de abortar a criança.
“Eles me disseram que a política de um filho só significava que tínhamos de abortar o bebê”, disse ele. “Protestei. O bebê tinha oitos meses. Isso é um ser vivo. Não dá para se livrar de uma vida”. As autoridades deram para Luo um dia inteiro para apresentar uma solução alternativa, mas em vão.
No dia seguinte, depois que sua esposa não atendeu ao telefone, “eu sabia que algo estava errado e voltei correndo para casa, atrás dela”, disse Luo.
“Havia muitas pessoas cercando minha esposa. Eles seguravam os braços dela atrás das costas dela, mantendo a cabeça dela na parede e chutando o estômago dela. Não sei se estavam tentando fazer com que ela tivesse um aborto ali mesmo. Os braços, pernas e pescoço dela estavam todos machucados. Eu estava muito irado. Eu lhes disse, ‘Não tivemos chance nem mesmo de conversar sobre uma solução. Como é que vocês podem bater na minha esposa?’” disse ele. “Pelo resto do dia, não tive nenhuma notícia de minha esposa”.
Luo mais tarde ficou sabendo que seu filho havia sido assassinado no útero por injeção letal, deixando-lhes apenas sua filha de nove anos. “Foi somente depois da injeção letal que deixaram minha esposa telefonar para mim”, disse Luo, visivelmente confuso e atormentado. “Esse é o quarto dia, e minha filha pergunta, ‘Para onde foi mamãe e por que ela está longe?’ Minha filha vinha sentindo a barriga da minha esposa à medida que ficava cada vez maior durante os meses. E minha filha diz, ‘Vou ter um irmãozinho logo!’”
“Não sei como posso explicar para ela o que aconteceu”.
Uma autoridade disse para a Associated Press que o marido de Xiao havia aprovado o aborto, mas Luo negou a afirmação. “Liguei para a polícia, mas disseram que as questões de planejamento familiar não eram da responsabilidade deles”, Luo disse para a AP. “Quero processar, mas os advogados que solicitei aqui dizem que não podem ajudar e os meios de comunicação não querem fazer nenhuma reportagem sobre nosso caso”.
No vídeo, Luo se desesperou de ficar tentando obter justiça na China totalitária. “Quem fez isso foram autoridades governamentais. Sou apenas um homem comum. Não tenho condições de revidar essa luta”, disse ele. “O fato é que acharão um jeito de fazer uma armação contra mim. Vocês sabem como esse sistema funciona”. Ele disse que agora está preocupado com sua esposa, que ainda não foi liberada do hospital onde seu bebê foi assassinado. De acordo com a reportagem, o bebê morto foi expelido em 14 de outubro.
All Girls Allowed (Todas as meninas têm permissão), uma organização de jovens fundada por um dos líderes do movimento pela democracia na Praça Tiananmen em 1989, comentou que de acordo com as próprias estatísticas oficiais da China, pelo menos 35 mil abortos são realizados diariamente, ou cerca de um a cada 2,5 segundos.
“Exortamos todas as pessoas e líderes do mundo livre a assistirem a este vídeo e ouvir os gritos dos pais e dessa criança em gestação que foi simplesmente assassinada”, disse Chai Ling, líder de AGA. “Até quando o mundo fingirá que não está vendo essa política cruel?”
Veja a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:
35 mil abortos forçados feitos na China diariamente
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/06/35-mil-abortos-forcados-feitos-na-china.html
Horror na China: Bebê abortado por médicos sobrevive, mas é enviado para ser cremado
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/06/horror-na-china-bebe-abortado-por.html
Ativista chinês de direitos humanos e liberdade religiosa recebe Prêmio Nobel da Paz
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/10/ativista-chines-de-direitos-humanos-e.html
Novas investigações de campo confirmam cumplicidade do FNUAP na política coerciva de controle populacional da China
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2009/07/novas-investigacoes-de-campo-confirmam.html
Dep. Smith confronta Clinton sobre aborto e política coerciva de apenas um filho
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/03/dep-smith-confronta-clinton-sobre.html
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com/
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/oct/10102109.html
Copyright © LifeSiteNews.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Attribution-No Derivatives. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Notícias Pró-Família”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com em português tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para “NoticiasProFamilia.blogspot.com”. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes.
21 de outubro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Uma vítima da política coerciva da China de apenas um filho ofereceu ao mundo um cruel relato pessoal da opressiva lei de controle populacional do país, a qual as autoridades afirmaram prosseguiria depois de seu aniversário de 30 anos no mês passado.
Embora as investigações tenham apontado para inúmeros incidentes semelhantes ocorrendo diariamente sob a brutal política de apenas um filho na China, o abuso geralmente fica escondido por trás do maior segredo — dando para o relato de Luo Yanqua um raro vislumbre do mundo das táticas de controle populacional da China.
A Associated Press obteve o material depois que a rede árabe de notícias Al Jazeera divulgou uma entrevista gravada com Luo, que descreveu suas tentativas fúteis de salvar seu bebê da morte, e sua esposa de maus-tratos indescritíveis, nas mãos do governo chinês.
“Tentei tudo o que pude para salvá-la, desde o momento em que ela foi levada”, disse Luo. “Aquelas 48 horas… eu dormi só três horas. Não consegui comer nada… Minha pessoa toda, meu ser inteiro — não sei o que dizer. Apenas tentei o máximo que pude”.
Luo disse que foi para casa com toda a pressa em 10 de outubro depois que lhe disseram que sua esposa Xiao Aiying havia sido levada por “autoridades de planejamento familiar”, mas era tarde demais — ela havia sido arrastada cerca de dez minutos antes. “Não sei para onde a levaram”, disse ele. “Quando finalmente descobri o lugar, eles tinham trancado minha esposa numa sala separada”.
Luo disse que o casal estava em dúvida se eles tinham permissão de ter mais que um filho — Luo era da cidade, enquanto Xiao era do campo — e que ele tentou dissuadir as autoridades de abortar a criança.
“Eles me disseram que a política de um filho só significava que tínhamos de abortar o bebê”, disse ele. “Protestei. O bebê tinha oitos meses. Isso é um ser vivo. Não dá para se livrar de uma vida”. As autoridades deram para Luo um dia inteiro para apresentar uma solução alternativa, mas em vão.
No dia seguinte, depois que sua esposa não atendeu ao telefone, “eu sabia que algo estava errado e voltei correndo para casa, atrás dela”, disse Luo.
“Havia muitas pessoas cercando minha esposa. Eles seguravam os braços dela atrás das costas dela, mantendo a cabeça dela na parede e chutando o estômago dela. Não sei se estavam tentando fazer com que ela tivesse um aborto ali mesmo. Os braços, pernas e pescoço dela estavam todos machucados. Eu estava muito irado. Eu lhes disse, ‘Não tivemos chance nem mesmo de conversar sobre uma solução. Como é que vocês podem bater na minha esposa?’” disse ele. “Pelo resto do dia, não tive nenhuma notícia de minha esposa”.
Luo mais tarde ficou sabendo que seu filho havia sido assassinado no útero por injeção letal, deixando-lhes apenas sua filha de nove anos. “Foi somente depois da injeção letal que deixaram minha esposa telefonar para mim”, disse Luo, visivelmente confuso e atormentado. “Esse é o quarto dia, e minha filha pergunta, ‘Para onde foi mamãe e por que ela está longe?’ Minha filha vinha sentindo a barriga da minha esposa à medida que ficava cada vez maior durante os meses. E minha filha diz, ‘Vou ter um irmãozinho logo!’”
“Não sei como posso explicar para ela o que aconteceu”.
Uma autoridade disse para a Associated Press que o marido de Xiao havia aprovado o aborto, mas Luo negou a afirmação. “Liguei para a polícia, mas disseram que as questões de planejamento familiar não eram da responsabilidade deles”, Luo disse para a AP. “Quero processar, mas os advogados que solicitei aqui dizem que não podem ajudar e os meios de comunicação não querem fazer nenhuma reportagem sobre nosso caso”.
No vídeo, Luo se desesperou de ficar tentando obter justiça na China totalitária. “Quem fez isso foram autoridades governamentais. Sou apenas um homem comum. Não tenho condições de revidar essa luta”, disse ele. “O fato é que acharão um jeito de fazer uma armação contra mim. Vocês sabem como esse sistema funciona”. Ele disse que agora está preocupado com sua esposa, que ainda não foi liberada do hospital onde seu bebê foi assassinado. De acordo com a reportagem, o bebê morto foi expelido em 14 de outubro.
All Girls Allowed (Todas as meninas têm permissão), uma organização de jovens fundada por um dos líderes do movimento pela democracia na Praça Tiananmen em 1989, comentou que de acordo com as próprias estatísticas oficiais da China, pelo menos 35 mil abortos são realizados diariamente, ou cerca de um a cada 2,5 segundos.
“Exortamos todas as pessoas e líderes do mundo livre a assistirem a este vídeo e ouvir os gritos dos pais e dessa criança em gestação que foi simplesmente assassinada”, disse Chai Ling, líder de AGA. “Até quando o mundo fingirá que não está vendo essa política cruel?”
Veja a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:
35 mil abortos forçados feitos na China diariamente
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/06/35-mil-abortos-forcados-feitos-na-china.html
Horror na China: Bebê abortado por médicos sobrevive, mas é enviado para ser cremado
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/06/horror-na-china-bebe-abortado-por.html
Ativista chinês de direitos humanos e liberdade religiosa recebe Prêmio Nobel da Paz
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/10/ativista-chines-de-direitos-humanos-e.html
Novas investigações de campo confirmam cumplicidade do FNUAP na política coerciva de controle populacional da China
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2009/07/novas-investigacoes-de-campo-confirmam.html
Dep. Smith confronta Clinton sobre aborto e política coerciva de apenas um filho
http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/03/dep-smith-confronta-clinton-sobre.html
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com/
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/oct/10102109.html
Copyright © LifeSiteNews.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Attribution-No Derivatives. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Notícias Pró-Família”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com em português tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para “NoticiasProFamilia.blogspot.com”. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes.
10 de novembro de 2010
J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis: um diálogo
Do site http://www.cslewis.com.br/
Gabriele Greggersen
Falar de uma amizade como a de Tolkien e Lewis hoje, exige um artigo à parte. Primeiro, porque não se sabe mais muito bem o que vem a ser isto e segundo, pelos bons frutos que este diálogo trouxe para o legado cultural da humanidade e particularmente para o mundo cristão. Como dizíamos em um livro sobre a ética de O Senhor dos Anéis: Da Fantasia à Ética – (Editora Ultimato), muitos leitores ignoram que o que os uniu foi sua fé cristã, bem como da contribuição de ambos para a cultura em geral e particularmente, para a filologia (no caso de Tolkien) e para a literatura (no caso de Lewis). Enquanto C.S. Lewis é mais conhecido no meio cristão, tanto protestante, quanto católico, a profunda fé de Tolkien não é muito levada em conta por muitos dos seus fãs e fã-clubes, que o veneram somente pelas riqueza das suas fantasias, línguas e mundos que criou. Na verdade, temos fortes razões para acreditar que Lewis foi o melhor amigo de Tolkien em Oxford, embora a amizade de Lewis tivesse se dividido por algum tempo entre Tolkien e outro autor, Charles Williams, por quem Tolkien não tinha tanto apreço, e com a sua esposa, Joy, com quem se casou já na proximidade dos sessenta anos de idade e que certamente também contava entre suas melhores amigas (Lewis tinha várias amigas mulheres, também, coisa que para um intelectual daquela época era bastante incomum). De fato ambos tinham muito em comum, fato que Lewis sintetiza em sua autobiografia como o esforço pela “quebra de preconceitos”, particularmente entre os cristãos, para quem eles caem particularmente mau:
A amizade com J.R.R. Tolkien… ficou marcada pela quebra de dois velhos preconceitos. Assim que eu ingressei neste mundo (o de Oxford) recomendaram-me (implicitamente) nunca confiar em um papista e quando ingressei novamente na Faculdade de Língua Inglesa recomendaram-me (explicitamente) jamais confiar nos filólogos. E Tolkien se enquadrava em ambas as coisas.[1]
Podemos dizer ainda que os maiores preconceitos que ambos foram felizes em quebrar são contra a imaginação e contra a articulação de fé e razão (antiquíssimo problema da humanidade). Na verdade eles se empenhavam pela articulação de tudo isto: devoção cristã, sensibilidade artística e competência acadêmica.
Tanto Tolkien quanto Lewis defendiam que o profissional, seja das letras, seja da educação ou outra “ciência humana” deve se valer de várias áreas do conhecimento na sua busca pela verdade, não apenas pela via da razão, mas também usando um importante mediador: a imaginação. Com isto, eles se colocavam contra o pensamento predominante na sua época, pautada pelo racionalismo e iluminismo acadêmico. É preciso considerar ainda a rivalidade que pode haver entre um campo “prático” como a crítica literária, representada por Lewis, e a filologia, considerada mais analítica. Assim, ao invés de separa-los, a especialidade dos dois intelectuais redundou em uma importante complementação e no incentivo à efetiva interdisciplinaridade, beirando a transdisciplinaridade.
Assim eles faziam diferença, ficando conhecidos como os “cristãos de Oxford”. Na verdade, eles faziam críticas aos chamados “cientistas cristãos”, que seguiam os passos dos não cristão em termos de racionalismo e positivismo. Com relação à questão do mal e do sofrimento, por exemplo, Lewis os considerava , de uma maneira geral, demasiadamente simplistas, quando tentavam explica-los como meras “ilusões”. Se assim fosse, diz Lewis tal ilusão é que seria uma “monstruosidade” e o que é pior, “permitida por Deus.”[2]
Certamente os males não aparecem desta forma na obra de nenhum dos dois autores. O sofrimento também se destaca como algo realmente existente e, de fato, assustador para alguns, embora, por outro lado, ele não tenha substância. No fundo o sofrimento, que é até mais natural ao cristão, do que ao não-cristão, que pode fazer um estrago para se defender dele, é um grande mistério, que exige fé antes de tudo.
Outra crítica que ambos faziam aos cristãos na academia era a suposição de que o mal poderia ter sido “criado” por Satanás, ou que ele fosse capaz de “inventar” alguma coisa boa. Tudo o que ele sabe fazer é imitar e imitar mal. Com estes conceitos fortes e bíblicos, todos os críticos concordam que SenA, jamais poderia ser considerada alguma “historinha para ninar” sobre um mundo “cor de rosa”. O mesmo, diríamos, vale para as Crônicas de Nárnia. O mal existe mesmo e é feio. E sua desvantagem é que só o que ele sabe fazer é corromper e distorcer o que já existe. Neste sentido ele pode ser comparado mais a uma doença e não, do que a algum estado permanente ou “normal.” Esta ênfase antimaniqueísta é fundamental para entendermos ambos os autores e suas obras.
Além da preocupação com a relação entre ciência e cristianismo e a questão do bem e do mal, que aprofundaremos mais adiante, o que unia os amigos era o seu empenho em serem bons escritores e bons críticos, até mesmo do cristianismo. Para além do interesse acadêmico, eles mostravam também um forte interesse artístico comum, particularmente pela literatura. Mas o que coroava mesmo a sua amizade é o teológico. No caso de Tolkien, a contribuição literária e do campo da filologia fosse mais reconhecida do que a teológica e acadêmica. Entretanto, suas cartas e depoimentos dos Inklings revelam a importância de suas convicções religiosas.
Apesar do clima de disputa reinante na Oxford dos tempos de Tolkien e Lewis e de ambos terem sido até certo ponto vítimas de ciúmes e preconceitos pelo sucesso de suas obras de ficção e pela coragem com que se referiam a temas religiosos, eles não se deixavam intimidar facilmente. De acordo com Carpenter[3], Tolkien mesmo não escapou de revelar certa “inveja” da obra de Lewis e ciúme de certas amizades com autores de que ele não gostava muito. E a sua esposa, Edith, freqüentemente manifestava ciúmes em relação ao próprio Lewis, que sempre teve uma personalidade cativante. Entretanto, foi certamente a amizade entre os dois que inspirou grande parte do livro, dedicado por Lewis ao tema amor, Os Quatro Amores [4], particularmente no que tange à amizade.
Sua postura cristã é que permitia que ambos autores resolvessem suas diferenças de maneira tranquila, até mesmo as religiosas. Como se sabe, Tolkien manifestava certo ressentimento contra a igreja anglicana, a igreja da Inglaterra, por ter-se desviado do lar original do cristianismo, enquanto Lewis insistia que, ao se converter, sentia-se chamado a “voltar” ao seu lar original, a Igreja da Inglaterra.[5]
Para além destas pequenas diferenças, porém Tolkien e Lewis procuravam complementar-se tanto nos seus esforços acadêmicos e debates teológicos. Enquanto Lewis escrevia histórias paralelamente aos seus livros teológicos, Tolkien empenhava-se por criar uma mitologia para a Inglaterra com fundo inevitavelmente cristão. Enquanto Lewis denunciava o que ele chamava de “o processo linguístico inconsciente da degradação contínua de boas palavras e embotamento de distinções úteis”.[6], Tolkien criava as suas próprias palavras e línguas.
Em Studies in Words, Lewis prova que tinha consciência de que nenhuma palavra humana é eterna. Como tudo o que é temporal, a linguagem humana tende ao caos e à dispersão do seu sentido. Pode-se dizer assim, que as línguas inventadas por Tolkien tinham esta função de resgate dos sentidos perdidos da nossa própria linguagem. Estas preocupações em comum é que permitiam o diálogo entre os dois pensadores, que visivelmente desenvolveram um profundo respeito um pelo outro, inclusive por seu campo acadêmico, como se vê nestas palavras de Lewis:
Ouvi dizer que existe gente que gostaria mais que o estudo da literatura fosse completamente livrado da filologia; isto é, do amor e conhecimento das palavras. É provável que nem exista gente assim. Mas, se existir então, só podem ser lunáticos, ou candidatos ao tratamento de… alguma desilusão obstinada e fechada a sete chaves.[7]
Mas o maior sinal de respeito de Lewis em relação ao amigo e sua especialidade é o herói de seu trilogia espacial, Longe do Planeta Silencioso, Perelandra e Esta Força Medonha, o filólogo de Cambridge Randsom, numa clara homenagem ao amigo.
Tolkien por sua vez, também faz homenagens ao amigo, neste comentário por exemplo: “A amizade com Lewis é compensatória em muitos aspectos: além do prazer constante, o contato com um homem ao mesmo tempo honesto, corajoso, intelectual – um acadêmico, um poeta e um filósofo – e, depois de sua longa peregrinação, finalmente um amante do nosso Senhor – fez-me um enorme bem.”[8] E não se tratava de nenhuma admiração idealista ou acrítica. Apesar do respeito que Lewis tinha pelos filólogos, ele também reconhecia os seus limites, como se vê nesta comentário:
O sonho do filólogo é de mapear todos os sentidos de uma palavra, gerando uma árvore semântica perfeita; cada ramo remetendo a um galho, cada galho, a um tronco. Isto sem detrimento do fato de que seja algo que raramente possa ser feito com perfeição; afinal toda pesquisa redunda na incerteza.[9]
A propósito, esta incerteza não se encontra somente na ciência, mas até nos jornais, como tão bem notaram filósofos famosos como os integrantes da Escola de Frankfurt, inventora da “teoria crítica” e uma das criadoras da teoria da chamada “indústria cultural” ou Foucault ou Maffesoli, que se interessaram pelo mesmo tema. Para Tolkien a verdade usualmente se encontra nos livros e não, nos jornais.[10] Tanto Tolkien, quanto Lewis faziam severas críticas às manifestações do totalitarismo da tecnologia, que ao invés de suscitar reflexão filosófica como à semelhança da leitura, banaliza a realidade e embrutece as pessoas. Assim a filosofia é remetida aos filósofos e representante das “ciências humanas”, entendidas como as únicas a terem a competência e o direito de filosofar. E uma das melhores formas de manifestação desta crítica está em SenA como bem coloca Chance:
À semelhança de Foucault, Tolkien, da mesma forma que o seu companheiro dos Inklings, C.S. Lewis, questionava a validade de se eleger as ciências humanas como representante da razão da sua geração…. Tolkien manifestava esta crítica pela via da ficção através de instituições como Sauron, o Senhor do Escuro, e os seus seguidores associados ao território da morte, Mordor, que ele governava de maneira tão tirana. Todos os três pensadores levantam objeções contra o espírito combativo das tecnologias aplicadas ao governo das nações do mundo pós-iluminista.[11]
Como tantos outros acadêmicos e escritores, (Júlio Verne, Monteiro Lobato, Cervantes, Huxley, Guimarães Rosa, Orwell) Tolkien e Lewis descobriram que a via da imaginação e da ficção é a melhor para se dizer o que tem que ser dito, fazendo a crítica do seu tempo e contribuindo, assim, para a transformação da história.
Tolkien e Lewis também mantinham o saudável hábito de fazer a crítica às suas respectivas obras de ficção, em particular ou na roda de amigos, os mencionados Inklings. De acordo com Lewis, eles costumavam reunir-se para discutir literatura, mas acabavam fazendo algo “bem melhor”[12], isto é, teologia. Lewis mostrava-se crítico até em relação à reação do amigo às críticas em geral. Diz ele que Tolkien tinha duas reações a elas “ ou ele começa tudo de novo desde o começo, ou ele não liga a mínima.”[13] Evidentemente então a amizade não era sem atritos, mas qual amizade verdadeira e sincera poderia ser?
O que interessa para os nossos efeitos aqui é destacar que a amizade entre Lewis e Tolkien contribuiu muito para lançar pontes importantes para o diálogo, não somente entre os campos da linguística e da literatura, mas também entre estes campos e outras áreas das ciências humanas tais como a filosofia, a história, a educação e até a teologia.
No mencionado ensaio sobre SenA, Lewis arrola algumas razões, porque considera a obra “indispensável”, notando, em primeiro lugar, que não se trata de uma continuação de o Hobbit. Pelo contrário, o Hobbit é que é uma tentativa de adaptação de SenA para crianças. A intenção de O Hobbit era de apresentar o jeito de ser e viver “doméstico”, quase vulgar e anárquico, de boa índole, apesar da aparência não muito atraente, destes seres peculiares, que, segundo Lewis, só um inglês seria capaz de criar. Já em SenA, a ênfase está no contraste entre os hobbits e o seu destino. Sua existência depende de poderes insuspeitos e surpreendentes. O mais irônico de tudo é que o herói principal deste drama épico é hobbit, o mais frágil de todos os seres. Daí que Lewis também chamasse SenA de “romance heróico”, o que não representou para ele um retrocesso, como para certos críticos, e sim, um avanço. Trata-se de um exemplar único da capacidade de sub-criação de Tolkien, pela qual ele recria o mundo todo. O livro é assim reservado a leitores “predestinados”. Na verdade, conclui Lewis, SenA é um mito, que não serve como meio de escape da realidade, como julgam alguns, mas como pura e saudável “invencionice” e consciente das ilusões da vida ordinária.
O elemento de nostalgia e angústia presente na obra, pode não ter efeito muito relaxante para o leitor, e diríamos que isto se aplica ainda mais ao filme, mas ele pode (esta é precisamente sua intenção), sim, ser revigorador, trazendo-lhe novas esperanças em meio às suas próprias angústias. Assim, a arte “mitopoeica” de Tolkien põe em jogo emoções, leveza, virtudes e horizontes distantes, procurando retratar o caráter paradoxal da vida humano situada que está neste vão intermediário entre a ilusão e o estar desiludido.
Naquele ensaio, Lewis contesta ainda as acusações de dualismo na obra, como veremos mais detalhadamente a seguir, pois todos os personagens apresentam bons e maus aspectos misturados entre si. Não há pessoas, nem realidades “pretas” ou “brancas”. O melhor exemplo dessa mistura é Gollum. Contra a acusação de dualismo pesa ainda o fato de as coisas não acontecerem de forma aleatória, e nem tão pouco previsível em SenA. Não há relativismo, pois a ênfase está na providência divina que conduz tudo nos bastidores, mesmo que nem sempre de maneira visível. Lewis diz que Tolkien consegue tornar visíveis as almas invisíveis, trazendo para fora o que está dentro do coração. Desta forma, ele defende consistentemente a ideia de que a vida humana tem, de fato, este elemento heróico e mitológico, que só pode ser captado e devidamente “degustado” pelos que têm a simplicidade de uma criança no coração, como veremos a seguir.
NOTAS
[1] Duriez, The Lewis Handbook, Grand Rapids (MI); Baker Book, 1990, 214.
[2] Lewis, Letters, Nova Iorque: Harvest, 1993, 440 (Carta de 1954).
[3] Cf. Carpenter, J.R.R. Tolkien: a Biography, London: Haper Collins, 2002, 198 e 202.
[4] Lewis, Os Quatro Amores, 2a. ed., São Paulo: Mundo Cristão, 1986.
[5] Cf. Carpenter; 2002, 202 ss. Veja também Lewis, The Pilgrim´s Regress, Grand Rapids (MI): 1958.
[6] Lewis, God In The Dock, Grand Rapids (MI), Eerdmans, 1970, 333.
[7] Lewis, Studies In Words. Cambridge: Cambridge University Press, 1960, 3.
[8] Carpenter, 2002, 198-9.
[9] Lewis, C.S. Studies In Words. Cambridge: Cambridge University Press, 1960, 9.
[10] Carpenter, 2002, 158.
[11] Chance, Lord of the Rings, Kentucky: The University Press of Kentucky, 2001, 20-21.
[12] Lewis, Letters, 1993, 363 (Carta de 1941).
[13] Idem, 481 (Carta de 1959).
Abreviações SenA – O Senhor dos Anéis
fonte: http://www.cslewis.com.br/2010/04/j-r-r-tolkien-e-c-s-lewis-um-dialogo/
Gabriele Greggersen
Falar de uma amizade como a de Tolkien e Lewis hoje, exige um artigo à parte. Primeiro, porque não se sabe mais muito bem o que vem a ser isto e segundo, pelos bons frutos que este diálogo trouxe para o legado cultural da humanidade e particularmente para o mundo cristão. Como dizíamos em um livro sobre a ética de O Senhor dos Anéis: Da Fantasia à Ética – (Editora Ultimato), muitos leitores ignoram que o que os uniu foi sua fé cristã, bem como da contribuição de ambos para a cultura em geral e particularmente, para a filologia (no caso de Tolkien) e para a literatura (no caso de Lewis). Enquanto C.S. Lewis é mais conhecido no meio cristão, tanto protestante, quanto católico, a profunda fé de Tolkien não é muito levada em conta por muitos dos seus fãs e fã-clubes, que o veneram somente pelas riqueza das suas fantasias, línguas e mundos que criou. Na verdade, temos fortes razões para acreditar que Lewis foi o melhor amigo de Tolkien em Oxford, embora a amizade de Lewis tivesse se dividido por algum tempo entre Tolkien e outro autor, Charles Williams, por quem Tolkien não tinha tanto apreço, e com a sua esposa, Joy, com quem se casou já na proximidade dos sessenta anos de idade e que certamente também contava entre suas melhores amigas (Lewis tinha várias amigas mulheres, também, coisa que para um intelectual daquela época era bastante incomum). De fato ambos tinham muito em comum, fato que Lewis sintetiza em sua autobiografia como o esforço pela “quebra de preconceitos”, particularmente entre os cristãos, para quem eles caem particularmente mau:
A amizade com J.R.R. Tolkien… ficou marcada pela quebra de dois velhos preconceitos. Assim que eu ingressei neste mundo (o de Oxford) recomendaram-me (implicitamente) nunca confiar em um papista e quando ingressei novamente na Faculdade de Língua Inglesa recomendaram-me (explicitamente) jamais confiar nos filólogos. E Tolkien se enquadrava em ambas as coisas.[1]
Podemos dizer ainda que os maiores preconceitos que ambos foram felizes em quebrar são contra a imaginação e contra a articulação de fé e razão (antiquíssimo problema da humanidade). Na verdade eles se empenhavam pela articulação de tudo isto: devoção cristã, sensibilidade artística e competência acadêmica.
Tanto Tolkien quanto Lewis defendiam que o profissional, seja das letras, seja da educação ou outra “ciência humana” deve se valer de várias áreas do conhecimento na sua busca pela verdade, não apenas pela via da razão, mas também usando um importante mediador: a imaginação. Com isto, eles se colocavam contra o pensamento predominante na sua época, pautada pelo racionalismo e iluminismo acadêmico. É preciso considerar ainda a rivalidade que pode haver entre um campo “prático” como a crítica literária, representada por Lewis, e a filologia, considerada mais analítica. Assim, ao invés de separa-los, a especialidade dos dois intelectuais redundou em uma importante complementação e no incentivo à efetiva interdisciplinaridade, beirando a transdisciplinaridade.
Assim eles faziam diferença, ficando conhecidos como os “cristãos de Oxford”. Na verdade, eles faziam críticas aos chamados “cientistas cristãos”, que seguiam os passos dos não cristão em termos de racionalismo e positivismo. Com relação à questão do mal e do sofrimento, por exemplo, Lewis os considerava , de uma maneira geral, demasiadamente simplistas, quando tentavam explica-los como meras “ilusões”. Se assim fosse, diz Lewis tal ilusão é que seria uma “monstruosidade” e o que é pior, “permitida por Deus.”[2]
Certamente os males não aparecem desta forma na obra de nenhum dos dois autores. O sofrimento também se destaca como algo realmente existente e, de fato, assustador para alguns, embora, por outro lado, ele não tenha substância. No fundo o sofrimento, que é até mais natural ao cristão, do que ao não-cristão, que pode fazer um estrago para se defender dele, é um grande mistério, que exige fé antes de tudo.
Outra crítica que ambos faziam aos cristãos na academia era a suposição de que o mal poderia ter sido “criado” por Satanás, ou que ele fosse capaz de “inventar” alguma coisa boa. Tudo o que ele sabe fazer é imitar e imitar mal. Com estes conceitos fortes e bíblicos, todos os críticos concordam que SenA, jamais poderia ser considerada alguma “historinha para ninar” sobre um mundo “cor de rosa”. O mesmo, diríamos, vale para as Crônicas de Nárnia. O mal existe mesmo e é feio. E sua desvantagem é que só o que ele sabe fazer é corromper e distorcer o que já existe. Neste sentido ele pode ser comparado mais a uma doença e não, do que a algum estado permanente ou “normal.” Esta ênfase antimaniqueísta é fundamental para entendermos ambos os autores e suas obras.
Além da preocupação com a relação entre ciência e cristianismo e a questão do bem e do mal, que aprofundaremos mais adiante, o que unia os amigos era o seu empenho em serem bons escritores e bons críticos, até mesmo do cristianismo. Para além do interesse acadêmico, eles mostravam também um forte interesse artístico comum, particularmente pela literatura. Mas o que coroava mesmo a sua amizade é o teológico. No caso de Tolkien, a contribuição literária e do campo da filologia fosse mais reconhecida do que a teológica e acadêmica. Entretanto, suas cartas e depoimentos dos Inklings revelam a importância de suas convicções religiosas.
Apesar do clima de disputa reinante na Oxford dos tempos de Tolkien e Lewis e de ambos terem sido até certo ponto vítimas de ciúmes e preconceitos pelo sucesso de suas obras de ficção e pela coragem com que se referiam a temas religiosos, eles não se deixavam intimidar facilmente. De acordo com Carpenter[3], Tolkien mesmo não escapou de revelar certa “inveja” da obra de Lewis e ciúme de certas amizades com autores de que ele não gostava muito. E a sua esposa, Edith, freqüentemente manifestava ciúmes em relação ao próprio Lewis, que sempre teve uma personalidade cativante. Entretanto, foi certamente a amizade entre os dois que inspirou grande parte do livro, dedicado por Lewis ao tema amor, Os Quatro Amores [4], particularmente no que tange à amizade.
Sua postura cristã é que permitia que ambos autores resolvessem suas diferenças de maneira tranquila, até mesmo as religiosas. Como se sabe, Tolkien manifestava certo ressentimento contra a igreja anglicana, a igreja da Inglaterra, por ter-se desviado do lar original do cristianismo, enquanto Lewis insistia que, ao se converter, sentia-se chamado a “voltar” ao seu lar original, a Igreja da Inglaterra.[5]
Para além destas pequenas diferenças, porém Tolkien e Lewis procuravam complementar-se tanto nos seus esforços acadêmicos e debates teológicos. Enquanto Lewis escrevia histórias paralelamente aos seus livros teológicos, Tolkien empenhava-se por criar uma mitologia para a Inglaterra com fundo inevitavelmente cristão. Enquanto Lewis denunciava o que ele chamava de “o processo linguístico inconsciente da degradação contínua de boas palavras e embotamento de distinções úteis”.[6], Tolkien criava as suas próprias palavras e línguas.
Em Studies in Words, Lewis prova que tinha consciência de que nenhuma palavra humana é eterna. Como tudo o que é temporal, a linguagem humana tende ao caos e à dispersão do seu sentido. Pode-se dizer assim, que as línguas inventadas por Tolkien tinham esta função de resgate dos sentidos perdidos da nossa própria linguagem. Estas preocupações em comum é que permitiam o diálogo entre os dois pensadores, que visivelmente desenvolveram um profundo respeito um pelo outro, inclusive por seu campo acadêmico, como se vê nestas palavras de Lewis:
Ouvi dizer que existe gente que gostaria mais que o estudo da literatura fosse completamente livrado da filologia; isto é, do amor e conhecimento das palavras. É provável que nem exista gente assim. Mas, se existir então, só podem ser lunáticos, ou candidatos ao tratamento de… alguma desilusão obstinada e fechada a sete chaves.[7]
Mas o maior sinal de respeito de Lewis em relação ao amigo e sua especialidade é o herói de seu trilogia espacial, Longe do Planeta Silencioso, Perelandra e Esta Força Medonha, o filólogo de Cambridge Randsom, numa clara homenagem ao amigo.
Tolkien por sua vez, também faz homenagens ao amigo, neste comentário por exemplo: “A amizade com Lewis é compensatória em muitos aspectos: além do prazer constante, o contato com um homem ao mesmo tempo honesto, corajoso, intelectual – um acadêmico, um poeta e um filósofo – e, depois de sua longa peregrinação, finalmente um amante do nosso Senhor – fez-me um enorme bem.”[8] E não se tratava de nenhuma admiração idealista ou acrítica. Apesar do respeito que Lewis tinha pelos filólogos, ele também reconhecia os seus limites, como se vê nesta comentário:
O sonho do filólogo é de mapear todos os sentidos de uma palavra, gerando uma árvore semântica perfeita; cada ramo remetendo a um galho, cada galho, a um tronco. Isto sem detrimento do fato de que seja algo que raramente possa ser feito com perfeição; afinal toda pesquisa redunda na incerteza.[9]
A propósito, esta incerteza não se encontra somente na ciência, mas até nos jornais, como tão bem notaram filósofos famosos como os integrantes da Escola de Frankfurt, inventora da “teoria crítica” e uma das criadoras da teoria da chamada “indústria cultural” ou Foucault ou Maffesoli, que se interessaram pelo mesmo tema. Para Tolkien a verdade usualmente se encontra nos livros e não, nos jornais.[10] Tanto Tolkien, quanto Lewis faziam severas críticas às manifestações do totalitarismo da tecnologia, que ao invés de suscitar reflexão filosófica como à semelhança da leitura, banaliza a realidade e embrutece as pessoas. Assim a filosofia é remetida aos filósofos e representante das “ciências humanas”, entendidas como as únicas a terem a competência e o direito de filosofar. E uma das melhores formas de manifestação desta crítica está em SenA como bem coloca Chance:
À semelhança de Foucault, Tolkien, da mesma forma que o seu companheiro dos Inklings, C.S. Lewis, questionava a validade de se eleger as ciências humanas como representante da razão da sua geração…. Tolkien manifestava esta crítica pela via da ficção através de instituições como Sauron, o Senhor do Escuro, e os seus seguidores associados ao território da morte, Mordor, que ele governava de maneira tão tirana. Todos os três pensadores levantam objeções contra o espírito combativo das tecnologias aplicadas ao governo das nações do mundo pós-iluminista.[11]
Como tantos outros acadêmicos e escritores, (Júlio Verne, Monteiro Lobato, Cervantes, Huxley, Guimarães Rosa, Orwell) Tolkien e Lewis descobriram que a via da imaginação e da ficção é a melhor para se dizer o que tem que ser dito, fazendo a crítica do seu tempo e contribuindo, assim, para a transformação da história.
Tolkien e Lewis também mantinham o saudável hábito de fazer a crítica às suas respectivas obras de ficção, em particular ou na roda de amigos, os mencionados Inklings. De acordo com Lewis, eles costumavam reunir-se para discutir literatura, mas acabavam fazendo algo “bem melhor”[12], isto é, teologia. Lewis mostrava-se crítico até em relação à reação do amigo às críticas em geral. Diz ele que Tolkien tinha duas reações a elas “ ou ele começa tudo de novo desde o começo, ou ele não liga a mínima.”[13] Evidentemente então a amizade não era sem atritos, mas qual amizade verdadeira e sincera poderia ser?
O que interessa para os nossos efeitos aqui é destacar que a amizade entre Lewis e Tolkien contribuiu muito para lançar pontes importantes para o diálogo, não somente entre os campos da linguística e da literatura, mas também entre estes campos e outras áreas das ciências humanas tais como a filosofia, a história, a educação e até a teologia.
No mencionado ensaio sobre SenA, Lewis arrola algumas razões, porque considera a obra “indispensável”, notando, em primeiro lugar, que não se trata de uma continuação de o Hobbit. Pelo contrário, o Hobbit é que é uma tentativa de adaptação de SenA para crianças. A intenção de O Hobbit era de apresentar o jeito de ser e viver “doméstico”, quase vulgar e anárquico, de boa índole, apesar da aparência não muito atraente, destes seres peculiares, que, segundo Lewis, só um inglês seria capaz de criar. Já em SenA, a ênfase está no contraste entre os hobbits e o seu destino. Sua existência depende de poderes insuspeitos e surpreendentes. O mais irônico de tudo é que o herói principal deste drama épico é hobbit, o mais frágil de todos os seres. Daí que Lewis também chamasse SenA de “romance heróico”, o que não representou para ele um retrocesso, como para certos críticos, e sim, um avanço. Trata-se de um exemplar único da capacidade de sub-criação de Tolkien, pela qual ele recria o mundo todo. O livro é assim reservado a leitores “predestinados”. Na verdade, conclui Lewis, SenA é um mito, que não serve como meio de escape da realidade, como julgam alguns, mas como pura e saudável “invencionice” e consciente das ilusões da vida ordinária.
O elemento de nostalgia e angústia presente na obra, pode não ter efeito muito relaxante para o leitor, e diríamos que isto se aplica ainda mais ao filme, mas ele pode (esta é precisamente sua intenção), sim, ser revigorador, trazendo-lhe novas esperanças em meio às suas próprias angústias. Assim, a arte “mitopoeica” de Tolkien põe em jogo emoções, leveza, virtudes e horizontes distantes, procurando retratar o caráter paradoxal da vida humano situada que está neste vão intermediário entre a ilusão e o estar desiludido.
Naquele ensaio, Lewis contesta ainda as acusações de dualismo na obra, como veremos mais detalhadamente a seguir, pois todos os personagens apresentam bons e maus aspectos misturados entre si. Não há pessoas, nem realidades “pretas” ou “brancas”. O melhor exemplo dessa mistura é Gollum. Contra a acusação de dualismo pesa ainda o fato de as coisas não acontecerem de forma aleatória, e nem tão pouco previsível em SenA. Não há relativismo, pois a ênfase está na providência divina que conduz tudo nos bastidores, mesmo que nem sempre de maneira visível. Lewis diz que Tolkien consegue tornar visíveis as almas invisíveis, trazendo para fora o que está dentro do coração. Desta forma, ele defende consistentemente a ideia de que a vida humana tem, de fato, este elemento heróico e mitológico, que só pode ser captado e devidamente “degustado” pelos que têm a simplicidade de uma criança no coração, como veremos a seguir.
NOTAS
[1] Duriez, The Lewis Handbook, Grand Rapids (MI); Baker Book, 1990, 214.
[2] Lewis, Letters, Nova Iorque: Harvest, 1993, 440 (Carta de 1954).
[3] Cf. Carpenter, J.R.R. Tolkien: a Biography, London: Haper Collins, 2002, 198 e 202.
[4] Lewis, Os Quatro Amores, 2a. ed., São Paulo: Mundo Cristão, 1986.
[5] Cf. Carpenter; 2002, 202 ss. Veja também Lewis, The Pilgrim´s Regress, Grand Rapids (MI): 1958.
[6] Lewis, God In The Dock, Grand Rapids (MI), Eerdmans, 1970, 333.
[7] Lewis, Studies In Words. Cambridge: Cambridge University Press, 1960, 3.
[8] Carpenter, 2002, 198-9.
[9] Lewis, C.S. Studies In Words. Cambridge: Cambridge University Press, 1960, 9.
[10] Carpenter, 2002, 158.
[11] Chance, Lord of the Rings, Kentucky: The University Press of Kentucky, 2001, 20-21.
[12] Lewis, Letters, 1993, 363 (Carta de 1941).
[13] Idem, 481 (Carta de 1959).
Abreviações SenA – O Senhor dos Anéis
fonte: http://www.cslewis.com.br/2010/04/j-r-r-tolkien-e-c-s-lewis-um-dialogo/
C.S. Lewis e Sigmund Freud: uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte. Parte II
Armand Nicholi
Trad.: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com/
O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. Na parte um , Nicholi explicou as visões de Freud sobre Deus e o Sofrimento.
Como alguém muda sua cosmovisão de uma para outra que é dramaticamente diferente? Com C.S. Lewis, essa transformação aconteceu através de um longo período de tempo. Ainda assim, sua conversão não foi menos dramática do que a de Paulo, Agostinho, Tolstoy, Pascal e muitos outros.
Essas são algumas das influências que pressionaram Lewis a mudar sua cosmovisão: Primeiro, Lewis gradativamente se tornou ciente de que a maioria dos grandes autores que ele vinha lendo por anos, eram crentes. Isso começou a fazê-lo pensar. Então, ao reler Eurípedes e Space, Time and Deity de Samuel Alexander, Lewis foi forçado a pensar sobre um profundo anseio dentro de si mesmo; ele reconheceu que era um tipo de anseio que ele experimentava periodicamente mas não conseguia entender bem. Ele chamou isso de “alegria” e escreveu bastante sobre isso. Ele percebeu que essa alegria não era um fim em si mesmo, mas um lembrete de algo ou alguém maior. Posteriormente, ele veio a crer que esse alguém é o Criador.
Segundo, Lewis ficou chocado durante uma conversa com um dos seus colegas professores de Oxford ao ouvir ele, um ateu declarado, afirmar que as evidências para a autenticidade dos evangelhos eram muito boas. As evidências eram persuasivas e as histórias dos Evangelhos pareciam ser verdadeiras. Lewis disse que é impossível compreender o impacto que isso teve nele vindo desse membro específico da faculdade.
Terceiro, ele leu O Homem Eterno de G. K. Chesterton e finalmente passou a crer em Deus. Ele escreve sobre isso de forma sucinta em Surpreendido pela Alegria:
Você tem que me imaginar sozinho naquele quarto em Magdalene, noite após noite, sentindo, a todo momento que minha mente se desviava do meu trabalho, a permanente, e persistente aproximação dEle, o qual eu não queria encontrar de maneira alguma. O que eu temia, finalmente, me sobreveio. No Trinity Term de 1929 eu finalmente desisti, e admiti que Deus era Deus, e me ajoelhei e orei: talvez, aquela noite, o mais relutante e desapontado convertido de toda Inglaterra.
Nesse momento Lewis era um teísta, não um Cristão. Ele se ocupou por muitos longos meses para entender a história do Evangelho e as doutrinas da redenção e ressurreição. Ele chegou a ler o Evangelho de João em Grego.
Então, no outono de 1931, ele jantou com dois membros da faculdade, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, e Hugo Dyson, um professor de literatura Inglesa. Depois do jantar, os três conversaram sobre a grande questão concernente a verdade dos Evangelhos e se fizeram a pergunta que um dos pupilos de Lewis se referiu como, “Será verdadeiro, será verdadeiro, esse conto mais impressionante de todos?” Eles conversaram e caminharam por horas por um caminho chamado Caminho de Addison. O relógio na Torre de Magdalene marcava três da manhã antes deles partirem. Essa conversa teve um profundo efeito em Lewis. Nove dias depois, Lewis viajou de moto com seu irmão. Ele escreveu, “Quando saímos eu não acreditava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, e quando chegamos ao zoológico, eu já cria.” Depois, Lewis escreveu: “Minha longa conversa com Dyson e Tolkien tiveram um grande impacto nisso.”
A conversão de Lewis revolucionou sua vida. Ele se tornou um prolifíco autor, vendendo milhões de cópias de livros e influenciando muitas pessoas em universidades, especialmente nesse país e na Europa. Devido ao fato dele mesmo ter sido ateu pela primeira metade de sua vida, ele conhecia os argumentos muito bem. Por exemplo, Lewis concordava com Freud em crer que nós, de fato, possuímos um profundo desejo por Deus, mas ele discordava com a noção de Freud de que Deus, portanto, era nada mais do que produto da satisfação de um desejo. O que nós desejamos, Lewis apontou, não tem nada a ver com a questão de se Deus existe ou não. De acordo com a teoria de Freud, o desejo da não-existência de Deus seria tão forte quando o desejo de sua existência. Lewis, portanto, disse que tudo que isso nos diz é algo sobre nossos sentimentos, mas muito pouco sobre a existência ou inexistência de Deus. Então Lewis tendia a responder a maioria dos argumentos formulados por Freud.
A Questão da Mortalidade
Vamos mudar agora para nosso segundo assunto, a questão da mortalidade, a qual Freud se referiu como “o doloroso mistério da morte.” Sócrates disse que o verdadeiro filósofo está sempre negando a morte e o ato de morrer. E, de fato, a maioria dos grandes escritores escreveram continuamente sobre isso.
Uma questão fundamental da nossa existência, uma que aprendemos ainda cedo na vida, é que nós estamos aqui na terra por um curto período. Nós somos as únicas criaturas na terra que podem prever nossa própria morte. Ao mesmo tempo, nós temos um profundo anseio pela permanência e um profundo e penetrante medo de sermos separados daqueles que nós amamos sendo abandonados. O medo de ser abandonado é o primeiro medo que experimentados quando crianças, um bebê chora quando sua mão sai do quarto. Pesquisas no Hospital Geral de Massachusetts mostraram que, em pacientes terminais, isso é o que eles mais temem, o medo de serem deixados sozinhos, de serem abandonados. É um medo temos em mente por toda nossa vida. Ainda assim não podemos escapar da cruel realidade de que cada respiro que damos, cada batida do coração, cada hora do dia nos aproxima ainda mais da hora em que deixaremos para trás aqueles que nós amamos.
Agora, como você processa essa informação? Como você entra em acordo com isso? Os psiquiatras dizem que essa questão é tão importante que você não pode realmente viver sua vida até que entre em um acordo com essa informação. Mas como você processa isso sem se encher de ansiedade ou e medo? Isso é o que Freud chamou de “o doloroso mistério da morte.”
Freud e o Mistério da Morte.
Freud escreveu frequentemente sobre a morte. Eu mencionarei apenas uns poucos comentários que ele escreveu e como ele frequentemente se confrontava com sua própria morte.
Em 1932, numa obra chamada Totem e Tabu, Freud fez a interessante observação de que a morte não existe na nossa mente inconsciente: “Nosso inconsciente não acredita em sua própria morte. Ele se comporta como se fosse imortal. Nós não conseguimos imaginar nossa própria morte e quando tentamos fazê-lo nos apercebemos que somos, de fato, ainda espectadores, assim, ninguém crê em sua própria morte.” Freud evitou dar qualquer interpretação filosófica dessa observação provocadora de que nas profundezas de nossas mentes, “todos nós estamos convencidos de nossa imortalidade.”
Em O Futuro de uma Ilusão, Freud falou frequentemente sobre o doloroso mistério da dor. Ele terminou um ensaio com a curiosa sugestão de que se você quer suportar a vida você deve estar preparado para a morte. Ele pareceu perceber o que as pessoas na minha área tem falado durante anos, que nós não podemos realmente começar a viver nossas vidas até, de alguma forma, resolver o problema da nossa própria morte. E quando isso permanece não resolvido, gasta-se uma energia excessiva ou negando a morte ou se tornando obcecado com ela.
Freud não deixou dúvidas sobre como ele lidava com o problema. Ele se tornou obcecado com a morte. Seu colega Ernst Jones, seu biografo oficial, escreveu:
Pelo que sabemos da vida de Freud, ele parece ter sido possuído por pensamentos de morte. Mais do que qualquer grande homem que eu posso imaginar. Mesmo na época que estávamos nos conhecendo ele tinha o desconcertante hábito de partir dizendo “Adeus. Você talvez não me verá nunca mais.” E então haviam os repetidos ataques do que ele chamava de “o pavor da morte”. Ele odiava envelhecer. Mesmo quando ele tinha quarenta anos e a cada ano que se passava, os pensamentos de morte se tornavam cada vez mais despóticos. Ele disse uma vez que ele pensava sobre isso cada dia de sua vida, o que é bastante incomum.
Freud sonhava com a morte continuamente, e desde cedo em sua vida ele era obcecado em prever sua morte. O médico de Freud descreveu sua preocupação com a morte como supersticiosa e obsessiva. Freud estava certo que morreria aos 41, depois aos 51, depois 61, depois 62, depois aos 70. Ele entrava num hotel e se lhe fosse entregue o quarto 63. Ele saia e permanecia, por meses, convencido de que morreria aos 63 anos. Quando Freud perdeu um ente querido, ele se sentiu totalmente desesperançoso. Numa carta para Jones, ele escreveu, “Eu tinha a sua idade quando meu pai morreu e isso revolucionou minha alma. Você consegue se lembrar de um tempo tão cheio de morte quanto esse?” Quando tinha 64 anos, Freud perdeu uma jovem e linda filha, e ele se perguntava quando chegaria a sua hora. Ele desejava que fosse logo. Ele disse, “Eu não sei o que resta dizer depois de um evento paralizante como esse que não gera nenhuma dúvida posterior para quem não é crente” . Em outra carta ele escreveu, “Como um descrente, eu não tenho ninguém para acusar e não há lugar onde fazer uma queixa.” Três anos depois o neto favorito de Freud morreu de tuberculose. Ele escreveu para um amigo, “Isso é difícil de suportar. Eu acho que jamais experimentei tamanha dor. Talvez minha própria doença contribua para isso. Eu trabalho por pura necessidade. Tudo perdeu o sentido para mim.” E em outra carta ele afirmou, “Para mim, essa criança tomou o lugar de todos os meus filhos e netos já que eu não me importo com nenhum dos meus netos. Eu não encontro nenhuma alegria na vida.”
Freud morreu aos 83 anos depois de uma batalhar contra um câncer que durou 16 anos. Seu livro favorito era o Fausto de Goethe, a história de Fausto fazendo um pacto com o diabo. Logo antes de Freud morrer, ele foi até a estante da livraria e pegou um livro de Balzac entitulado The Fatal Skin, no qual o personagem principal também faz um pacto com o diabo. O livro termina quando o herói não consegue controlar seu medo da morte e morre em estado de pânico. Estranho, como último livro. Depois de ler o lviro, Freud lembrou seu médico da promessa que ele havia feito de facilitar sua passagem quando o tempo tivesse chegado. Seu médico injetou dois centigramas de morfina que o fizeram dormir, então 12 horas depois ele injetou mais dois centigramas. Freud morreu às três da manhã do dia 12 de Setembro de 1939.
C.S. Lewis e a Morte
C.S. Lewis também escreveu sobre a mortalidade. Em O Problema do Sofrimento, Lewis descreve como, quando ateu, o problema do sofrimento humano, especialmente a capacidade humana de prever sua morte enquanto intensamente deseja permanecer, foi uma barreira para ele crer num Deus bom e todo-poderoso. Após sua conversão, ele entendeu a morte como um resultado da queda, uma transgressão das leis de Deus, e que a morte não era parte do plano original. (Talvez essa seja a razão de não termos símbolo para a morte no nosso inconsciente, e termos tamanha dificuldade em aceitar nossa mortalidade.)
Lewis fez referência frequente ao principio básico que a morte ilustra. Quando tinha 31 anos, antes de sua conversão, Lewis escreveu uma carta que afirmava, “Eu penso que eu entendo isso todo ano no Outono, assim como a simples natureza e a exuberante vida do mundo está morrendo, de que algo mais está acordando. Será que isso é significante? A morte do homem natural sempre significa o nascimento do espiritual; será que algo jamais dorme se não para que algo mais acorde?”
Então alguns anos depois numa outra carta, ele escreveu, “Pode alguém acreditar que não havia nada de persistente naquele motivo de sangue, morte, e ressurreição que aparece e todos os grandes mitos?” Ele estava começando a notar enquanto estudava toda a literatura antiga que mesmo nas culturas pagãs haviam essas estranhas histórias de um deus vindo à terra, morrendo, e ressuscitando. Ele se perguntava o que isso significava. E quando você olha para a natureza, de fato você vê coisas mesmo na vida vegetal onde uma semente cai na terra, morre e volta a vida na forma de uma planta ou uma grande árvore. Será que isso pode estar apontando para o que ele eventualmente chamava de “o grande milagre,” a ressurreição? Ele disse, “Certamente a história da mente humana se encaixa muito melhor se você supor que tudo isso eram as primeiras sombras de algo cuja realidade veio em Cristo mesmo se nós não conseguirmos compreender isso completamente no presente.”
Tragédia Pessoal
Em sua vida pessoal, C. S. Lewis se confrontou com a morte quando era criança. Aos nove anos ele perdeu, em poucos meses, seu avô paterno, um tio, e sua linda mãe. Numa autobiografia, Surpreendido pela Alegria, ele se lembra de sempre estar confinado no seu quarto, doente com dor de cabeça e de dente. Ele estava profundamente triste por sua mãe não ter ido vê-lo. Ele não conseguia compreender a razão disso
Isso era por que ela estava doente, também: e o que era estranho é que haviam diversos médicos no seu quarto, e vozes e gente indo e vindo por toda a casa, portas se abrindo e fechando. Parecia ter durado por horas. E então meu pai, às lágrimas, entrou no meu quarto e começou a tentar explicar para a minha mente apavorada coisas que eu jamais havia concebido antes.
Disseram a ele que sua mãe estava morrendo de câncer. Ele chamou isso de “toda a existência mudando em algo estranho e ameaçador, enquanto a casa se enchia de aromas estranhos e barulhos durante a madrugada e conversas murmuradoras sinistras.”
“Meu pai jamais se recuperou dessa perda,” ele observou. Talvez Lewis também não, no sentido de que ele foi enviado para um colégio interno, pois seu pai estava muito deprimido para cuidar dele. Numa idade muito precoce, ele perdeu pai e mãe.
Quando tinha 18 anos e era estudante em Oxford, Lewis se juntou ao exército. Ele se feriu durante manobras na França e, numa preleção em Oxford muitos anos depois, ele fez a interessante observação de que a guerra não torna a morte mais frequente, 100 por cento de nós morremos e essa percentagem não pode ser aumentada.” Ele afirmou que a guerra coloca diversas mortes mais cedo e um dos aspectos positivos da guerra é que ela nos alerta de nossa mortalidade. Quando ele tinha 23 anos ele escreveu uma carta para seu pai sobre a morte de um velho professor, amigo de ambos. Ele afirmou:
Eu vi a morte com bastante frequência [na guerra] e mesmo assim não consigo deixar de vê-la como extraordinária e incrível. Uma pessoa real é tão real e tão obviamente viva e diferente do que o corpo morto. Não é possível crer que que aquele algo se tornou em nada, que alguém pode subitamente se transformar em nada.
Isso me lembra de dos meus estudantes de medicina que acabam de iniciar a prática médica; muito frequentemente eles me chamam para falar de suas experiências na residência. Uma das coisas que os estudantes mencionam com frequência é quão diferente uma pessoa é antes e depois da morte, quão diferente um corpo é de uma pessoa viva. Eles sentem que há algo que desaparece, que não está lá após a morte, e que nós somos muito mais do que nossos corpos. Lewis pareceu reconhecer isso quando ainda era muito jovem.
A Morte Importa
Em Anatomia de uma Dor, Lewis escreveu sobre a morte de sua esposa que era para ele tudo de importante. Como eu mencionei, muitos psiquiatras consideram esse livro um clássico no entendimento do luto. Lewis faz você sentir raiva, ressentimento, solidão, e medo. Sua raiva se torna palpável quando ele imagina que Deus é um “sádico cósmico, o imbecil odioso”. Ele escreveu, “É difícil ter paciência com pessoas que dizem que não há morte ou que a morte não importa. A morte existe,” ele continua, “e o que quer que importa. Poderíamos também dizer que o nascimento não importa.”
Lewis nunca perdeu seu senso de humor. Quando ele tinha 59 anos de idade, uma mulher escreveu para ele e disse quão terrível era ter acabado de perder um amigo. Lewis escreveu de volta, “Não há nada de desonroso em morrer. Eu conheço pessoas respeitáveis que morreram.” Em outra carta, alguns anos depois, ele escreveu, “Que estado nós chegamos para não conseguir dizer, ‘Estarei feliz quando Deus me chamar’ sem ter medo disso, é mórbido. Apesar de tudo, o próprio São Paulo disse o mesmo. Porque não deveríamos pensar mais para a frente, no advento?”
Lewis concluiu que nós podemos apenas fazer três coisas em relação a morte: desejá-la, temê-la, ou ignorá-la. Ele afirmou que a terceira tentativa, a qual o mundo moderno chama de saúde, certamento é a mais dificil e precária de todas.
Lewis sofreu um ataque cárdiaco em 15 de Junho de 1963, e entrou em coma. Ele se recuperou apesar disso, e viveu as poucos meses seguintes calmo e feliz. Seu último biografo nota que antes de sua conversão, Lewis era extraordinariamente ansioso em relação a morte, mas após sua conversão ele parecia ter uma maravilhosa calma quanto a isso, até mesmo uma antecipação. Relatos de seus últimos dias atestam a calma e paz interior.
Durante esse tempo, ele escreveu para um amigo de longa dada afirmando, “Apesar de eu não estar infeliz de maneira alguma, eu não consigo deixar de lamentar o fato de ter revivido em Julho”. Ele continuou, “Quero dizer, tendo sido levado tão suavemente até os portões, parece duro ter o portão fechado na cara e saber que todo o processo tem que recomeçar um dia. Pobre Lázaro.” E para um outro amigo ele perguntou, “Deve-se honrar Lázaro ao invés de Estevão como primeiro mártir. Ter sido trazido de volta e ter que passar por tudo de novo deve ter sido bem difícil.” E então ele disse, “Quando você morrer, me procure. É tudo tão divertido, solenemente divertido, não é?”
Duas semanas antes de sua morte, Lewis almoçou com um colega da faculdade. Ele disse que Lewis estava alerta de que o fim estava próximo e que jamais houve um homem tão bem preparado. Em 22 de Novembro de 1963, às 4 da tarde, o irmão de Lewis lhe trouxe seu chá da tarde. Ele observou que Lewis estava sonolento, mas calmo e alegre. As 5h30, ele estava morto.
Nós estudamos as cosmovisões contrastantes de duas mentes prolíficas. Uma visão alega que o universo é um acidente e que nossa existência é uma questão de pura chance. A outra vê o universo como resultado de um projeto e nossa existência como parte desse projeto. Um vê a morte como um mistério doloroso que causa grande ansiedade, desespero e amargura. O outro vê a morte como o passo final do projeto para o qual sua vida foi criada, um passo que pode ser experimentado com calma e até antecipação por causa do que Lewis chamou de “o grande milagre”, a ressurreição.
Fonte: http://www.apologia.com.br/?p=199
Trad.: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com/
O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. Na parte um , Nicholi explicou as visões de Freud sobre Deus e o Sofrimento.
Como alguém muda sua cosmovisão de uma para outra que é dramaticamente diferente? Com C.S. Lewis, essa transformação aconteceu através de um longo período de tempo. Ainda assim, sua conversão não foi menos dramática do que a de Paulo, Agostinho, Tolstoy, Pascal e muitos outros.
Essas são algumas das influências que pressionaram Lewis a mudar sua cosmovisão: Primeiro, Lewis gradativamente se tornou ciente de que a maioria dos grandes autores que ele vinha lendo por anos, eram crentes. Isso começou a fazê-lo pensar. Então, ao reler Eurípedes e Space, Time and Deity de Samuel Alexander, Lewis foi forçado a pensar sobre um profundo anseio dentro de si mesmo; ele reconheceu que era um tipo de anseio que ele experimentava periodicamente mas não conseguia entender bem. Ele chamou isso de “alegria” e escreveu bastante sobre isso. Ele percebeu que essa alegria não era um fim em si mesmo, mas um lembrete de algo ou alguém maior. Posteriormente, ele veio a crer que esse alguém é o Criador.
Segundo, Lewis ficou chocado durante uma conversa com um dos seus colegas professores de Oxford ao ouvir ele, um ateu declarado, afirmar que as evidências para a autenticidade dos evangelhos eram muito boas. As evidências eram persuasivas e as histórias dos Evangelhos pareciam ser verdadeiras. Lewis disse que é impossível compreender o impacto que isso teve nele vindo desse membro específico da faculdade.
Terceiro, ele leu O Homem Eterno de G. K. Chesterton e finalmente passou a crer em Deus. Ele escreve sobre isso de forma sucinta em Surpreendido pela Alegria:
Você tem que me imaginar sozinho naquele quarto em Magdalene, noite após noite, sentindo, a todo momento que minha mente se desviava do meu trabalho, a permanente, e persistente aproximação dEle, o qual eu não queria encontrar de maneira alguma. O que eu temia, finalmente, me sobreveio. No Trinity Term de 1929 eu finalmente desisti, e admiti que Deus era Deus, e me ajoelhei e orei: talvez, aquela noite, o mais relutante e desapontado convertido de toda Inglaterra.
Nesse momento Lewis era um teísta, não um Cristão. Ele se ocupou por muitos longos meses para entender a história do Evangelho e as doutrinas da redenção e ressurreição. Ele chegou a ler o Evangelho de João em Grego.
Então, no outono de 1931, ele jantou com dois membros da faculdade, J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, e Hugo Dyson, um professor de literatura Inglesa. Depois do jantar, os três conversaram sobre a grande questão concernente a verdade dos Evangelhos e se fizeram a pergunta que um dos pupilos de Lewis se referiu como, “Será verdadeiro, será verdadeiro, esse conto mais impressionante de todos?” Eles conversaram e caminharam por horas por um caminho chamado Caminho de Addison. O relógio na Torre de Magdalene marcava três da manhã antes deles partirem. Essa conversa teve um profundo efeito em Lewis. Nove dias depois, Lewis viajou de moto com seu irmão. Ele escreveu, “Quando saímos eu não acreditava que Jesus Cristo era o Filho de Deus, e quando chegamos ao zoológico, eu já cria.” Depois, Lewis escreveu: “Minha longa conversa com Dyson e Tolkien tiveram um grande impacto nisso.”
A conversão de Lewis revolucionou sua vida. Ele se tornou um prolifíco autor, vendendo milhões de cópias de livros e influenciando muitas pessoas em universidades, especialmente nesse país e na Europa. Devido ao fato dele mesmo ter sido ateu pela primeira metade de sua vida, ele conhecia os argumentos muito bem. Por exemplo, Lewis concordava com Freud em crer que nós, de fato, possuímos um profundo desejo por Deus, mas ele discordava com a noção de Freud de que Deus, portanto, era nada mais do que produto da satisfação de um desejo. O que nós desejamos, Lewis apontou, não tem nada a ver com a questão de se Deus existe ou não. De acordo com a teoria de Freud, o desejo da não-existência de Deus seria tão forte quando o desejo de sua existência. Lewis, portanto, disse que tudo que isso nos diz é algo sobre nossos sentimentos, mas muito pouco sobre a existência ou inexistência de Deus. Então Lewis tendia a responder a maioria dos argumentos formulados por Freud.
A Questão da Mortalidade
Vamos mudar agora para nosso segundo assunto, a questão da mortalidade, a qual Freud se referiu como “o doloroso mistério da morte.” Sócrates disse que o verdadeiro filósofo está sempre negando a morte e o ato de morrer. E, de fato, a maioria dos grandes escritores escreveram continuamente sobre isso.
Uma questão fundamental da nossa existência, uma que aprendemos ainda cedo na vida, é que nós estamos aqui na terra por um curto período. Nós somos as únicas criaturas na terra que podem prever nossa própria morte. Ao mesmo tempo, nós temos um profundo anseio pela permanência e um profundo e penetrante medo de sermos separados daqueles que nós amamos sendo abandonados. O medo de ser abandonado é o primeiro medo que experimentados quando crianças, um bebê chora quando sua mão sai do quarto. Pesquisas no Hospital Geral de Massachusetts mostraram que, em pacientes terminais, isso é o que eles mais temem, o medo de serem deixados sozinhos, de serem abandonados. É um medo temos em mente por toda nossa vida. Ainda assim não podemos escapar da cruel realidade de que cada respiro que damos, cada batida do coração, cada hora do dia nos aproxima ainda mais da hora em que deixaremos para trás aqueles que nós amamos.
Agora, como você processa essa informação? Como você entra em acordo com isso? Os psiquiatras dizem que essa questão é tão importante que você não pode realmente viver sua vida até que entre em um acordo com essa informação. Mas como você processa isso sem se encher de ansiedade ou e medo? Isso é o que Freud chamou de “o doloroso mistério da morte.”
Freud e o Mistério da Morte.
Freud escreveu frequentemente sobre a morte. Eu mencionarei apenas uns poucos comentários que ele escreveu e como ele frequentemente se confrontava com sua própria morte.
Em 1932, numa obra chamada Totem e Tabu, Freud fez a interessante observação de que a morte não existe na nossa mente inconsciente: “Nosso inconsciente não acredita em sua própria morte. Ele se comporta como se fosse imortal. Nós não conseguimos imaginar nossa própria morte e quando tentamos fazê-lo nos apercebemos que somos, de fato, ainda espectadores, assim, ninguém crê em sua própria morte.” Freud evitou dar qualquer interpretação filosófica dessa observação provocadora de que nas profundezas de nossas mentes, “todos nós estamos convencidos de nossa imortalidade.”
Em O Futuro de uma Ilusão, Freud falou frequentemente sobre o doloroso mistério da dor. Ele terminou um ensaio com a curiosa sugestão de que se você quer suportar a vida você deve estar preparado para a morte. Ele pareceu perceber o que as pessoas na minha área tem falado durante anos, que nós não podemos realmente começar a viver nossas vidas até, de alguma forma, resolver o problema da nossa própria morte. E quando isso permanece não resolvido, gasta-se uma energia excessiva ou negando a morte ou se tornando obcecado com ela.
Freud não deixou dúvidas sobre como ele lidava com o problema. Ele se tornou obcecado com a morte. Seu colega Ernst Jones, seu biografo oficial, escreveu:
Pelo que sabemos da vida de Freud, ele parece ter sido possuído por pensamentos de morte. Mais do que qualquer grande homem que eu posso imaginar. Mesmo na época que estávamos nos conhecendo ele tinha o desconcertante hábito de partir dizendo “Adeus. Você talvez não me verá nunca mais.” E então haviam os repetidos ataques do que ele chamava de “o pavor da morte”. Ele odiava envelhecer. Mesmo quando ele tinha quarenta anos e a cada ano que se passava, os pensamentos de morte se tornavam cada vez mais despóticos. Ele disse uma vez que ele pensava sobre isso cada dia de sua vida, o que é bastante incomum.
Freud sonhava com a morte continuamente, e desde cedo em sua vida ele era obcecado em prever sua morte. O médico de Freud descreveu sua preocupação com a morte como supersticiosa e obsessiva. Freud estava certo que morreria aos 41, depois aos 51, depois 61, depois 62, depois aos 70. Ele entrava num hotel e se lhe fosse entregue o quarto 63. Ele saia e permanecia, por meses, convencido de que morreria aos 63 anos. Quando Freud perdeu um ente querido, ele se sentiu totalmente desesperançoso. Numa carta para Jones, ele escreveu, “Eu tinha a sua idade quando meu pai morreu e isso revolucionou minha alma. Você consegue se lembrar de um tempo tão cheio de morte quanto esse?” Quando tinha 64 anos, Freud perdeu uma jovem e linda filha, e ele se perguntava quando chegaria a sua hora. Ele desejava que fosse logo. Ele disse, “Eu não sei o que resta dizer depois de um evento paralizante como esse que não gera nenhuma dúvida posterior para quem não é crente” . Em outra carta ele escreveu, “Como um descrente, eu não tenho ninguém para acusar e não há lugar onde fazer uma queixa.” Três anos depois o neto favorito de Freud morreu de tuberculose. Ele escreveu para um amigo, “Isso é difícil de suportar. Eu acho que jamais experimentei tamanha dor. Talvez minha própria doença contribua para isso. Eu trabalho por pura necessidade. Tudo perdeu o sentido para mim.” E em outra carta ele afirmou, “Para mim, essa criança tomou o lugar de todos os meus filhos e netos já que eu não me importo com nenhum dos meus netos. Eu não encontro nenhuma alegria na vida.”
Freud morreu aos 83 anos depois de uma batalhar contra um câncer que durou 16 anos. Seu livro favorito era o Fausto de Goethe, a história de Fausto fazendo um pacto com o diabo. Logo antes de Freud morrer, ele foi até a estante da livraria e pegou um livro de Balzac entitulado The Fatal Skin, no qual o personagem principal também faz um pacto com o diabo. O livro termina quando o herói não consegue controlar seu medo da morte e morre em estado de pânico. Estranho, como último livro. Depois de ler o lviro, Freud lembrou seu médico da promessa que ele havia feito de facilitar sua passagem quando o tempo tivesse chegado. Seu médico injetou dois centigramas de morfina que o fizeram dormir, então 12 horas depois ele injetou mais dois centigramas. Freud morreu às três da manhã do dia 12 de Setembro de 1939.
C.S. Lewis e a Morte
C.S. Lewis também escreveu sobre a mortalidade. Em O Problema do Sofrimento, Lewis descreve como, quando ateu, o problema do sofrimento humano, especialmente a capacidade humana de prever sua morte enquanto intensamente deseja permanecer, foi uma barreira para ele crer num Deus bom e todo-poderoso. Após sua conversão, ele entendeu a morte como um resultado da queda, uma transgressão das leis de Deus, e que a morte não era parte do plano original. (Talvez essa seja a razão de não termos símbolo para a morte no nosso inconsciente, e termos tamanha dificuldade em aceitar nossa mortalidade.)
Lewis fez referência frequente ao principio básico que a morte ilustra. Quando tinha 31 anos, antes de sua conversão, Lewis escreveu uma carta que afirmava, “Eu penso que eu entendo isso todo ano no Outono, assim como a simples natureza e a exuberante vida do mundo está morrendo, de que algo mais está acordando. Será que isso é significante? A morte do homem natural sempre significa o nascimento do espiritual; será que algo jamais dorme se não para que algo mais acorde?”
Então alguns anos depois numa outra carta, ele escreveu, “Pode alguém acreditar que não havia nada de persistente naquele motivo de sangue, morte, e ressurreição que aparece e todos os grandes mitos?” Ele estava começando a notar enquanto estudava toda a literatura antiga que mesmo nas culturas pagãs haviam essas estranhas histórias de um deus vindo à terra, morrendo, e ressuscitando. Ele se perguntava o que isso significava. E quando você olha para a natureza, de fato você vê coisas mesmo na vida vegetal onde uma semente cai na terra, morre e volta a vida na forma de uma planta ou uma grande árvore. Será que isso pode estar apontando para o que ele eventualmente chamava de “o grande milagre,” a ressurreição? Ele disse, “Certamente a história da mente humana se encaixa muito melhor se você supor que tudo isso eram as primeiras sombras de algo cuja realidade veio em Cristo mesmo se nós não conseguirmos compreender isso completamente no presente.”
Tragédia Pessoal
Em sua vida pessoal, C. S. Lewis se confrontou com a morte quando era criança. Aos nove anos ele perdeu, em poucos meses, seu avô paterno, um tio, e sua linda mãe. Numa autobiografia, Surpreendido pela Alegria, ele se lembra de sempre estar confinado no seu quarto, doente com dor de cabeça e de dente. Ele estava profundamente triste por sua mãe não ter ido vê-lo. Ele não conseguia compreender a razão disso
Isso era por que ela estava doente, também: e o que era estranho é que haviam diversos médicos no seu quarto, e vozes e gente indo e vindo por toda a casa, portas se abrindo e fechando. Parecia ter durado por horas. E então meu pai, às lágrimas, entrou no meu quarto e começou a tentar explicar para a minha mente apavorada coisas que eu jamais havia concebido antes.
Disseram a ele que sua mãe estava morrendo de câncer. Ele chamou isso de “toda a existência mudando em algo estranho e ameaçador, enquanto a casa se enchia de aromas estranhos e barulhos durante a madrugada e conversas murmuradoras sinistras.”
“Meu pai jamais se recuperou dessa perda,” ele observou. Talvez Lewis também não, no sentido de que ele foi enviado para um colégio interno, pois seu pai estava muito deprimido para cuidar dele. Numa idade muito precoce, ele perdeu pai e mãe.
Quando tinha 18 anos e era estudante em Oxford, Lewis se juntou ao exército. Ele se feriu durante manobras na França e, numa preleção em Oxford muitos anos depois, ele fez a interessante observação de que a guerra não torna a morte mais frequente, 100 por cento de nós morremos e essa percentagem não pode ser aumentada.” Ele afirmou que a guerra coloca diversas mortes mais cedo e um dos aspectos positivos da guerra é que ela nos alerta de nossa mortalidade. Quando ele tinha 23 anos ele escreveu uma carta para seu pai sobre a morte de um velho professor, amigo de ambos. Ele afirmou:
Eu vi a morte com bastante frequência [na guerra] e mesmo assim não consigo deixar de vê-la como extraordinária e incrível. Uma pessoa real é tão real e tão obviamente viva e diferente do que o corpo morto. Não é possível crer que que aquele algo se tornou em nada, que alguém pode subitamente se transformar em nada.
Isso me lembra de dos meus estudantes de medicina que acabam de iniciar a prática médica; muito frequentemente eles me chamam para falar de suas experiências na residência. Uma das coisas que os estudantes mencionam com frequência é quão diferente uma pessoa é antes e depois da morte, quão diferente um corpo é de uma pessoa viva. Eles sentem que há algo que desaparece, que não está lá após a morte, e que nós somos muito mais do que nossos corpos. Lewis pareceu reconhecer isso quando ainda era muito jovem.
A Morte Importa
Em Anatomia de uma Dor, Lewis escreveu sobre a morte de sua esposa que era para ele tudo de importante. Como eu mencionei, muitos psiquiatras consideram esse livro um clássico no entendimento do luto. Lewis faz você sentir raiva, ressentimento, solidão, e medo. Sua raiva se torna palpável quando ele imagina que Deus é um “sádico cósmico, o imbecil odioso”. Ele escreveu, “É difícil ter paciência com pessoas que dizem que não há morte ou que a morte não importa. A morte existe,” ele continua, “e o que quer que importa. Poderíamos também dizer que o nascimento não importa.”
Lewis nunca perdeu seu senso de humor. Quando ele tinha 59 anos de idade, uma mulher escreveu para ele e disse quão terrível era ter acabado de perder um amigo. Lewis escreveu de volta, “Não há nada de desonroso em morrer. Eu conheço pessoas respeitáveis que morreram.” Em outra carta, alguns anos depois, ele escreveu, “Que estado nós chegamos para não conseguir dizer, ‘Estarei feliz quando Deus me chamar’ sem ter medo disso, é mórbido. Apesar de tudo, o próprio São Paulo disse o mesmo. Porque não deveríamos pensar mais para a frente, no advento?”
Lewis concluiu que nós podemos apenas fazer três coisas em relação a morte: desejá-la, temê-la, ou ignorá-la. Ele afirmou que a terceira tentativa, a qual o mundo moderno chama de saúde, certamento é a mais dificil e precária de todas.
Lewis sofreu um ataque cárdiaco em 15 de Junho de 1963, e entrou em coma. Ele se recuperou apesar disso, e viveu as poucos meses seguintes calmo e feliz. Seu último biografo nota que antes de sua conversão, Lewis era extraordinariamente ansioso em relação a morte, mas após sua conversão ele parecia ter uma maravilhosa calma quanto a isso, até mesmo uma antecipação. Relatos de seus últimos dias atestam a calma e paz interior.
Durante esse tempo, ele escreveu para um amigo de longa dada afirmando, “Apesar de eu não estar infeliz de maneira alguma, eu não consigo deixar de lamentar o fato de ter revivido em Julho”. Ele continuou, “Quero dizer, tendo sido levado tão suavemente até os portões, parece duro ter o portão fechado na cara e saber que todo o processo tem que recomeçar um dia. Pobre Lázaro.” E para um outro amigo ele perguntou, “Deve-se honrar Lázaro ao invés de Estevão como primeiro mártir. Ter sido trazido de volta e ter que passar por tudo de novo deve ter sido bem difícil.” E então ele disse, “Quando você morrer, me procure. É tudo tão divertido, solenemente divertido, não é?”
Duas semanas antes de sua morte, Lewis almoçou com um colega da faculdade. Ele disse que Lewis estava alerta de que o fim estava próximo e que jamais houve um homem tão bem preparado. Em 22 de Novembro de 1963, às 4 da tarde, o irmão de Lewis lhe trouxe seu chá da tarde. Ele observou que Lewis estava sonolento, mas calmo e alegre. As 5h30, ele estava morto.
Nós estudamos as cosmovisões contrastantes de duas mentes prolíficas. Uma visão alega que o universo é um acidente e que nossa existência é uma questão de pura chance. A outra vê o universo como resultado de um projeto e nossa existência como parte desse projeto. Um vê a morte como um mistério doloroso que causa grande ansiedade, desespero e amargura. O outro vê a morte como o passo final do projeto para o qual sua vida foi criada, um passo que pode ser experimentado com calma e até antecipação por causa do que Lewis chamou de “o grande milagre”, a ressurreição.
Fonte: http://www.apologia.com.br/?p=199
C.S. Lewis e Sigmund Freud: uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte. Parte I
Armand Nicholi
Trad.: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com/
O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. A parte dois aparece na The Real Issue de Março de 1998 e aborda a mudança de cosmovisão de Lewis e sua conversão.
Trad.: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com/
O seguinte artigo é adaptado de uma preleção do Dr. Armand Nicholi em uma reunião de alunos e professores promovido pela Dallas Christian Leadership na Southern Methodist University em 23 de Setembro de 1997. A parte dois aparece na The Real Issue de Março de 1998 e aborda a mudança de cosmovisão de Lewis e sua conversão.
As cosmovisões de Sigmund Freud e C.S. Lewis, ambas predominantes na nossa cultura hoje, apresentam interpretações diametralmente opostas de quem nós somos, nossa identidade, de onde viemos, de nossa herança cultural e biológica e de nosso destino. Primeiro, vamos arrumar as bases para nossa discussão fazendo três perguntas. Quem é Sigmund Freud? Quem é C.S.Lewis? E o que é uma cosmovisão?
Poucos homens influenciaram mais a estrutura moral de nossa civilização do que Sigmund Freud e C.S. Lewis. Freud foi o médico Vienense que desenvolveu a psicanálise. Muitos historiadores colocam suas descobertas ao lado das de Plank e Einstein. Suas teorias proveram um novo entendimento sobre como nossas mentes funcionam. Suas idéias permeiam diversas disciplinas incluindo a medicina, literatura, sociologia, antropologia, história e o direito. A interpretação do comportamento humano no direito e na crítica literária é profundamente influenciada pela suas teorias. Seus conceitos estão tão permeados na nossa linguagem que nós usamos termos como repressão, complexo, projeção, narcisismo, ato falho e rivalidade fraterna sem sequer nos apercebemos de sua origem.
Devido ao inegável impacto de seu pensamento na nossa cultura, os estudiosos se referem a esse século como o “século de Freud”. Por que isso? À luz do que sabemos hoje, Freud é continuamente criticado, desacreditado, e difamado; ainda assim sua figura continua a aparecer em capa de revistas e artigos de primeira página em jornais como o The New York Times. As recentes pesquisas históricas intensificaram o interesse nas controvérsias em torno de Freud e seu trabalho. Como parte de seu legado intelectual, Freud defendeu veementemente uma filosofia de vida secular, materialista e ateísta.
Apesar do fato de C.S.Lewis ter conquistado reconhecimento intelectual muito antes de sua morte em 1963, seus livros acadêmicos e populares continuaram a vender milhões de cópias por ano e sua influência continua a crescer. Durante a Segunda Guerra Mundial, os pronunciamentos de Lewis no rádio fizeram sua voz a segunda mais reconhecida na BBC perdendo apenas para Churchill. Nos anos que se seguiram, a foto de Lewis apareceu na capa da Times e outras revistas importantes.
Hoje, a grande quantidade de livros pessoais, biográficos e literários sobre Lewis, o grande número de sociedades sobre C.S.Lewis em universidades; os periódicos e jornais sobre C.S.Lewis; como também o recente filme e peça sobre sua vida confirmam o sempre crescente interesse nesse homem e na sua obra. Como um jovem membro da universidade de Oxford, Lewis mudou de uma visão secular e ateísta para uma espiritual; uma cosmovisão que Freud frequentemente atacava, mas a qual Lewis abraçou e definiu em muitos de seus escritos após a conversão. Tanto Lewis quanto Freud possuíam dons literários extraordinários. Freud ganhou o prêmio Goethe de literatura em 1930. Lewis, que ensinou em Oxford e foi catedrático de Literatura Inglesa na Universidade de Cambridge, produziu alguns dos maiores criticismo literários e possui uma grande quantidade de livros acadêmicos e de ficção vastamente lidos.
Cosmovisões conflitantes.
Agora, sobre a questão da definição de “cosmovisão”. Em 1933, numa preleção chamada “A questão da Weltanschauung,” Freud definiu cosmovisão como “uma construção intelectual que resolve todos os problemas de nossa existência, uniformemente, sobre o fundamento de uma hipótese dominante.”
Todos nós, quer nos apercebamos ou não, temos uma cosmovisão; temos uma filosofia de vida, nossa tentativa de fazer nossa existência ter sentido. Ela contêm nossas respostas às principais questões que dizem respeito ao sentido de nossas vidas, questões que nos perturbam em algum período de nossas vidas, e que nós frequentemente pensamos apenas quando acordamos às três da manhã. O resto do tempo que estamos sozinhos nós temos o rádio e a televisão ligados que impedem que fiquemos sozinhos com nós mesmos. Pascal dizia que a única razão de nossa infelicidade é que nós não conseguimos ficar sozinhos num quarto. Ele alegou que nós não gostamos de confrontar a realidade de nossas vidas; a condição humana é tão basicamente infeliz que nós fazemos de tudo para nos distrair de pensar nisso.
O vasto interesse e permanente influência das obras de Freud e Lewis se originam nem tanto de seus estilos literários singulares, mas mais do apelo universal que tem as questões que eles trabalharam; questões que permanecem extraordinariamente relevantes às nossas vidas pessoais e à nossa crise social e moral contemporânea.
A partir de visões diametralmente opostas, eles falaram sobre questões como, “Há sentido e propósito para a existência?” Freud diria, “Certamente não! Não podemos nem, do nosso ponto de vista científico, abordar a questão de se há ou não sentido para a vida.” Mas ele afirmaria que se você observar o comportamento humano, perceberá que o principal propósito da vida parece ser a conquista da felicidade e do prazer. Assim Freud delineou o “principio do prazer” como uma das principais características de nossa existência.
Lewis, por outro lado, disse que o sentido e propósito são encontrados na compreensão do porquê estamos aqui em relação ao Criador que nos fez. Nosso propósito principal é estabelecer um relacionamento com esse Criador. Freud e Lewis também discutiram as fontes da moralidade e da consciência. Todos os dias nós acordamos e fazemos uma série de decisões que nos sustentam ao longo do dia. Essas decisões são geralmente baseadas no que nós consideramos que é certo: o que nós valorizamos, nosso código moral. Decidimos estudar com afinco e não usar as idéias de outras pessoas, por que de alguma forma isso é parte de nosso código moral. Já Freud disse que nosso código moral vem da experiência humana, como nossas leis de tráfego. Nós fazemos os códigos por que eles são convenientes para nós. Em algumas culturas você dirige na esquerda, em outras você dirige na direita.
Mas Lewis discordaria disso. Ele disse que apesar das diferenças culturais, há um código moral básico que transcende a cultura e o tempo. Essa lei não é inventada, como as leis de tráfego, mas é descoberta, como as verdades matemáticas. Então, Freud e Lewis tinham um entendimento completamente diferente da fonte da verdade moral.
Lewis e Freud também falaram sobre a existência de uma inteligência além do universo; Freud disse “Não”, Lewis disse “Sim”. Suas visões os levaram a discutir o problema dos milagres na era científica. Freud alegou que os milagres contradizem tudo que aprendemos através da observação empírica, eles não ocorrem de fato. Entretanto, Lewis perguntaria; “Como sabemos que eles não ocorrem? Se há alguma evidência, a filosofia que você trás para interpretar a evidência determina como você interpretará.” Então, de acordo com Lewis, nós precisamos entender se nossa filosofia exclui os milagres e, portanto, afeta nossa interpretação da evidência.
Tanto Freud quanto Lewis falaram muito sobre a sexualidade humana. Freud considerava todo tipo de amor uma forma de sexualidade sublimada, até mesmo o amor entre amigos. Lewis disse que qualquer um que pense que a amizade é baseada em sexualidade nunca teve um amigo realmente.
Eles também discutiram o problema da dor e do sofrimento. Freud era extremamente perturbado por esse problema, e Lewis escreveu alguns maravilhosos livros que ajudam a explicar o problema do sofrimento que todos nós experimentamos. O Problema do Sofrimento [Editora Vida] é uma discussão bastante intelectual da questão. Quando a mulher de Lewis morreu, ele escreveu Anatomia de uma dor [Editora Vida], que eu recomendo enfaticamente. As pessoas da minha área dizem que esse é o melhor trabalho sobre o processo de luto.
E, é claro, ambos discutiram o que Freud chamou de “O doloroso mistério da morte”. Mas eu voltarei a isso mais tarde. Cada uma das questões que eu abordei são filosóficas por natureza. É significante notar que os trabalhos filosóficos de Freud tiveram mais influência na secularização da cultura do que seus trabalhos científicos. Eu vou discutir dois desses temas.
Deus em Questão
Primeiro, a existência de uma inteligência para além do universo, o que os cientistas modernos chamam de “A questão de Deus”. Norman Ramsay, professor de física de partículas em Harvard, ganhou o Prêmio Nobel de Fìsica em 1989. Ele me disse recentemente que mesmo em seu campo, os cientistas tem se tornado interessados na questão de se há ou não uma inteligência para além do universo. Ele disse que é uma área de interesse relativamente recente para eles e que tem sido provocada principalmente pela aceitação da teoria do Big Bang. Eu repliquei dizendo que eu não entendi bem a relação. Ele disse, “Bem, quando acreditava-se que o universo não tinha começo era mais fácil, pois ninguém tinha que se preocupar com o que veio antes. Mas desde que alguém aceita a idéia de que o universo teve um inicio num ponto especifico do tempo, tem que pensar também sobre o que ocorreu antes. Então os físicos agora estão pensando sobre questões que somente teólogos e filósofos pensaram no passado.”
Ao olharmos para o mundo ao nosso redor, nós fazemos uma de duas suposições: ou vemos o mundo como um acidente e nossa existência neste planeta como uma questão de pura chance, ou presumimos alguma inteligência para além do universo que não só provê ao universo um desenho e ordem, mas também provê sentido e propósito à vida. Como vivemos nossas vidas, como terminamos nossas vidas, o que percebemos, como interpretamos o que percebemos, tudo é formado e influenciado consciente ou inconscientemente por uma dessas duas suposições básicas.
Tendo isso em mente, Freud dividiu todas as pessoas entre “crentes” e “descrentes”. Descrentes incluem todos aqueles que se consideram cínicos, céticos, escarnecedores, agnósticos ou ateus. Crentes incluem o resto, cuja crença varia desde um mero assentimento intelectual de que há algo ou alguém além deste mundo até aqueles como Lewis, Agostinho, Tolstoy e Pascal que tiveram uma experiência transformadora depois da qual sua fé se tornou o principal princípio motivador e organizador de suas vidas.
Freud foi de encontro, clara e enfaticamente, à noção de que há “Alguém” além deste mundo. Ele descreve sua cosmovisão como secular e a chama de “cientifica”, e ele alegou que não há nenhuma outra fonte de conhecimento do universo que não seja “a cautelosa observação, o que chamamos de pesquisa.” Logo, nenhum conhecimento, ele disse, pode ser derivado de revelação ou intuição. Ele afirmou que a noção do universo criado por um ser “parecido com o homem mas exaltado em cada aspecto, um super homem idealizado, reflete a grotesca ignorância dos povos primitivos.” Ele afirmou que nenhuma pessoa inteligente pode aceitar os absurdos da cosmovisão religiosa.
Freud descreveu o conceito de Deus como uma simples projeção do desejo infantil de proteção por um pai todo-poderoso. Ele acrescentou que “a religião é uma tentativa de controlar o mundo sensorial, no qual estamos situados, por um mundo que desejamos que é desenvolvido dentro de nós como um resultado de anormalidades biológicas e psicológicas.”
Ele concluiu que a visão religiosa é “tão patética e absurda e… infantil que é humilhante e vergonhoso pensar que a maioria das pessoas jamais se sobreporão a isso.” Apenas por um breve período quando era estudante sob a orientação de um brilhante filósofo chamado Franz Brentano, um crente devoto, Freud duvidou de seu ateísmo, mas ele afirmou que continuou descrente pelo resto de sua vida. Um ano antes de sua morte, Freud escreveu para Charles Sanger, “Nem na minha vida privada nem nos meus escritos eu deixei em segredo o fato de ser um completo descrente.”
Quando examinamos o relato cuidadosamente nós descobrimos que Freud talvez não estivesse tão certo de seu ateísmo quanto ele proclamava. Certamente ele se referia a si mesmo frequentemente como “um Judeu infiel” e ele rejeitou completamente a visão religiosa do universo, especialmente a visão Judaico-Cristã. Ele certamente atacou essa visão com todo seu poderio intelectual e de todas as perspectivas possíveis. Mas ainda assim, por alguma razão ele permaneceu ocupado com estas questões; ele simplesmente não conseguia deixá-las de lado. Ele passou os últimos trinta anos de sua vida escrevendo sobre tais questões.
Num estudo autobiográfico ele disse que essas questões filosóficas e religiosas o interessaram por toda sua vida desde sua juventude. Um grande número de evidências revelam que a cosmovisão de Freud não o deixavam confortável. A fé, de forma alguma, era caso concluído para ele, e ele era extremamente ambivalente quanto à existência de Deus.
Anna Freud, filha e Freud que faleceu há alguns anos atrás, me explicou a única forma de conhecer seu pai: “Não leia suas biografias;” ela instruiu, “leia suas cartas.” Por todas suas cartas, Freud faz afirmações como, “Se algum dia nós nos encontrarmos lá em cima”, “minha única, e secreta oração,” e afirmações sobre a graça de Deus. Durante os últimos trinta anos de sua vida, Freud manteve uma constante troca de centenas de cartas com o teólogo Suiço, Oskar Pfister. É interessante notar que sua correspondência mais longa foi exatamente com este teólogo. Ele admirava Pfister e escreveu, “Você é um verdadeiro servo de Deus… que sente a necessidade de fazer um bem espiritual para todos que você encontra. Você fez isso por mim também.” Ele, posteriormente, disse que Pfister estava, “na honrosa posição de poder levar homens à Deus.”
Será isso apenas formas de expressão? Poderíamos dizer isso de qualquer um, menos de Freud, que alegava que mesmo um ato falho da fala tem um sentido.
O Problema da Dor e do Sofrimento
Eu tenho estudado os escritos de Freud como também suas cartas por muitos anos e eu concluí que o principal obstáculo que Freud tinha com a idéia de um ser inteligente além do universo era sua incapacidade de conciliar um Deus bom e todo-poderoso com o sofrimento que todos nós experimentamos em certa intensidade. Numa carta para Pfister, em 1928, Freud escreveu, “E por último, deixe-me ser indelicado. Como diabos você concilia tudo que experimentamos e esperamos nesse mundo com sua suposição de um ordem moral mundial?” E depois, numa preleção em 1944, ele disse: “Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que o mal é punido e o bem recompensado. Frequentemente são os espertos e impíos que usufruem das boas coisas do mundo e o piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir.” Eu me pergunto quantos de nós pelo menos uma vez não nos sentimos assim. Freud parecia não estar ciente, é claro, de que na cosmovisão Biblíca o governo do universo está temporariamente em mãos inimigas. Antes de Anna Freud falecer, eu lhe perguntei sobre a dificuldade de seu pai com o problema do sofrimento, e ela expressou grande curiosidade em relação a isso. Num determinado momento ela me disse, “Como você explica o sofrimento no mundo? Há alguém lá em cima que diz, ‘Você terá câncer. Você tuberculose’, e distribui adversidades?” Eu disse que não sabia exatamente como responder à pergunta, mas eu sei que ela respeitava Oskar Pfister. Eu disse que pessoas como Pfister descreveriam a presença de um poder maligno no universo que é responsável por parte do sofrimento. Anna pareceu interessada nessa noção e voltou frequentemente a ela na nossa conversa. Devemos lembrar que Freud sofreu consideravelmente em sua vida, emocionalmente como um Judeu crescido na profundamente Católica Viena, e fisicamente com o câncer intratável na boca com o qual ele lutou por dezesseis anos de sua vida. Os procedimentos médicos não eram bem desenvolvidos na época e o causaram uma grande dose de dor física. Então precisamos ter isso em mente quando tentamos entender como ele se sentia. C.S.Lewis, ao longo da primeira metade de sua vida, também se descreveu, como Freud, como um “completo descrente”. Se Freud duvidou de sua descrença quando estava na faculdade, Lewis se regozijava na sua descrença quando estudante em Oxford. Ele expressou um forte cinismo e hostilidade em relação à pessoas que ele chamava de “crentes” e compartilhava do pessimismo de Freud em relação a vida. Quando tinha trinta e três anos, já um membro popular de Oxford, Lewis experimentou uma profunda e radical mudança em sua vida e em seu pensamento. Ele rejeitou a cosmovisão materialista e ateísta e abraçou uma forte fé em Deus e em Jesus Cristo. Essa conversão de uma cosmovisão para outra começou uma fonte inesgotável de livros acadêmicos e populares que influenciaram milhões de pessoas.
Fonte: http://www.cslewis.com.br/2010/02/c-s-lewis-e-sigmund-freud-uma-comparacao-de-seus-pensamentos-e-de-suas-visoes-sobre-a-vida-a-dor-e-a-morte-parte-i/
8 de novembro de 2010
Comércio varejista diz não aceitar retorno da CPMF
'Vamos mobilizar movimento lojista contra volta da CPMF', diz Pellizzaro.
Carga tributária sobe com tributo, afirma presidente da CNDL.
Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro, que reperesenta o comércio varejista, disse nesta quinta-feira (4) que considera a reedição da CPMF uma expansão da carga tributária - que é o valor de todos os impostos pagos pelos cidadãos e empresas na proporção das riquezas produzidas no país.
“Os varejistas não aceitarão o retorno da CPMF. Os governos devem repensar sobre esse tributo. Vamos mobilizar nacionalmente o movimento lojista contra a volta da CPMF”, afirmou Pellizzaro.
A presidente eleita da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (3) que não vai enviar ao Congresso um projeto para reeditar a CPMF. Entretanto, acrescentou que vai negociar o assunto com os governadores....
Leia mais: http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/11/comercio-varejista-diz-nao-aceitar-retorno-da-cpmf.html
Carga tributária sobe com tributo, afirma presidente da CNDL.
Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro, que reperesenta o comércio varejista, disse nesta quinta-feira (4) que considera a reedição da CPMF uma expansão da carga tributária - que é o valor de todos os impostos pagos pelos cidadãos e empresas na proporção das riquezas produzidas no país.
“Os varejistas não aceitarão o retorno da CPMF. Os governos devem repensar sobre esse tributo. Vamos mobilizar nacionalmente o movimento lojista contra a volta da CPMF”, afirmou Pellizzaro.
A presidente eleita da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (3) que não vai enviar ao Congresso um projeto para reeditar a CPMF. Entretanto, acrescentou que vai negociar o assunto com os governadores....
Leia mais: http://g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/11/comercio-varejista-diz-nao-aceitar-retorno-da-cpmf.html
7 de novembro de 2010
Uma palavra de advertência ao Partido Republicano dos EUA
Kristan Hawkins
Nota: Kristan Hawkins é diretora executiva da entidade Estudantes pela Vida dos EUA
5 de novembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Tendo acabado de vivenciar um dos períodos eleitorais mais históricos dos EUA, os americanos em maioria esmagadora votaram contra a agenda pró-aborto de Obama e mostraram para os burocratas do governo federal em Washington que o país é pró-vida. Os resultados da eleição nos deixaram maravilhados e são uma poderosa demonstração da vontade do povo americano.
Com os políticos pró-aborto do Partido Democrático em seus últimos dias na capital de Washington, D.C. e com os políticos do Partido Republicano (PR) preparando sua agenda para o próximo ano, o PR precisa se lembrar de que o mandato que acabou de receber foi dado pelo povo americano.
Recentemente, a liderança do PR anunciou seu documento “Compromisso com os EUA” e com justiça frisa questões econômicas. Os gastos subiram vertiginosamente sob o governo de Obama, e o desemprego continua a crescer. Para o bem dos EUA, deve estar em operação um plano sólido não só para cortar gastos do governo, mas também para devolver dinheiro de impostos às pequenas empresas, de modo que seus donos possam continuar a crescer e contratar trabalhadores americanos.
Graças a Deus, esse novo compromisso contém referências a medidas para proibir procedimentos de aborto custeados pelos contribuintes de imposto de renda. O pagamento do aborto com dinheiro público estava incluído no Obamacare [programa de saúde do governo de Obama] e omitido do “Compromisso com os EUA” de 1994. Foi a questão do aborto que derrubou o Obamacare: Só foi no último minuto que os supostos democratas pró-vida cederam a uma inútil Ordem Executiva do presidente Obama [que prometia não colocar aborto no programa de saúde, mas era só fachada].
De acordo com o instituto de pesquisas Gallup, pelo segundo ano consecutivo, 47% dos americanos se identificam como pró-vida, assim como também se identificam 47% dos americanos na faixa etária dos 18 aos 29, fazendo com que nossa geração seja a geração mais pró-vida da história. Sem nenhuma lei para restringir o pagamento de abortos no Obamacare com o dinheiro do contribuinte de imposto e com mais de $300 milhões de dólares em dinheiro de imposto sendo dados para a Federação de Planejamento Familiar, que é a maior rede de abortos dos EUA, os americanos realmente se importam com essas questões.
Tão bom quanto o Compromisso com os EUA possa parecer, principalmente para as organizações pró-vida e pró-família tradicionais, é só com otimismo cauteloso que nos aproximamos da nova direção da liderança republicana. Não deve haver nenhuma concessão. Aliás, o presidente Obama já deixou claro que ele planeja lutar contra a nova liderança republicana a fim de continuar a implementar sua agenda esquerdista.
Recentemente, políticos pró-vida incondicionais se manifestaram publicamente em apoio de uma “trégua” nas questões sociais. Os conservadores sociais têm as mesmas preocupações sobre a economia que todas as outras pessoas têm, mas perder o foco da questão central do direito fundamental à vida seria uma omissão escandalosa de um dos princípios mais importantes do Partido Republicano e um dos novos mandatos dos resultados da eleição. O que ficou claro é que os americanos querem valores conservadores. A simples sugestão de se falar em trégua em questões sociais é testemunho de discernimento medíocre, principalmente quando temos um presidente em ofício que não tem mostrado absolutamente nenhuma consideração para com a vida dos bebês em gestação.
Dá para assumir uma postura em favor da vida e da liberdade. Aliás, não dá para separar uma questão da outra. Como é que os EUA conseguirão avançar se não avançarmos meios de garantir nosso futuro?
Ronald Reagan concorreu numa plataforma de três princípios: conservadorismo social, conservadorismo fiscal e conservadorismo de política externa. Sem esses três aspectos do partido unidos, o partido abandona sua base. Reagan disse: “Não podemos sobreviver como nação livre quando alguns homens decidem que outros não são dignos de viver e têm de ser abandonados ao aborto ou ao infanticídio… não há causa mais importante para a preservação dessa liberdade do que defender o direito transcendente à vida de todos os seres humanos, o direito sem o qual nenhum outro direito tem sentido algum”.
Embora os conservadores sociais compreendam a enormidade da crise fiscal que está defrontando os Estados Unidos, não podemos pedir trégua no que acreditamos serem assuntos de vida e morte. Temos a esperança de que a nova liderança do Partido Republicano e o novo Congresso adotem medidas importantes para implementar seu “Compromisso com os EUA” e que eles assumam uma postura a favor da vida.
Esse artigo foi publicado com a permissão de HumanEvents.com.
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/11/uma-palavra-de-advertencia-ao-partido.html
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesite.net/ldn/viewonsite.html?articleid=10110503
Copyright © LifeSiteNews.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Attribution-No Derivatives. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Notícias Pró-Família”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com em português tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para “NoticiasProFamilia.blogspot.com”. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes.
Nota: Kristan Hawkins é diretora executiva da entidade Estudantes pela Vida dos EUA
5 de novembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Tendo acabado de vivenciar um dos períodos eleitorais mais históricos dos EUA, os americanos em maioria esmagadora votaram contra a agenda pró-aborto de Obama e mostraram para os burocratas do governo federal em Washington que o país é pró-vida. Os resultados da eleição nos deixaram maravilhados e são uma poderosa demonstração da vontade do povo americano.
Com os políticos pró-aborto do Partido Democrático em seus últimos dias na capital de Washington, D.C. e com os políticos do Partido Republicano (PR) preparando sua agenda para o próximo ano, o PR precisa se lembrar de que o mandato que acabou de receber foi dado pelo povo americano.
Recentemente, a liderança do PR anunciou seu documento “Compromisso com os EUA” e com justiça frisa questões econômicas. Os gastos subiram vertiginosamente sob o governo de Obama, e o desemprego continua a crescer. Para o bem dos EUA, deve estar em operação um plano sólido não só para cortar gastos do governo, mas também para devolver dinheiro de impostos às pequenas empresas, de modo que seus donos possam continuar a crescer e contratar trabalhadores americanos.
Graças a Deus, esse novo compromisso contém referências a medidas para proibir procedimentos de aborto custeados pelos contribuintes de imposto de renda. O pagamento do aborto com dinheiro público estava incluído no Obamacare [programa de saúde do governo de Obama] e omitido do “Compromisso com os EUA” de 1994. Foi a questão do aborto que derrubou o Obamacare: Só foi no último minuto que os supostos democratas pró-vida cederam a uma inútil Ordem Executiva do presidente Obama [que prometia não colocar aborto no programa de saúde, mas era só fachada].
De acordo com o instituto de pesquisas Gallup, pelo segundo ano consecutivo, 47% dos americanos se identificam como pró-vida, assim como também se identificam 47% dos americanos na faixa etária dos 18 aos 29, fazendo com que nossa geração seja a geração mais pró-vida da história. Sem nenhuma lei para restringir o pagamento de abortos no Obamacare com o dinheiro do contribuinte de imposto e com mais de $300 milhões de dólares em dinheiro de imposto sendo dados para a Federação de Planejamento Familiar, que é a maior rede de abortos dos EUA, os americanos realmente se importam com essas questões.
Tão bom quanto o Compromisso com os EUA possa parecer, principalmente para as organizações pró-vida e pró-família tradicionais, é só com otimismo cauteloso que nos aproximamos da nova direção da liderança republicana. Não deve haver nenhuma concessão. Aliás, o presidente Obama já deixou claro que ele planeja lutar contra a nova liderança republicana a fim de continuar a implementar sua agenda esquerdista.
Recentemente, políticos pró-vida incondicionais se manifestaram publicamente em apoio de uma “trégua” nas questões sociais. Os conservadores sociais têm as mesmas preocupações sobre a economia que todas as outras pessoas têm, mas perder o foco da questão central do direito fundamental à vida seria uma omissão escandalosa de um dos princípios mais importantes do Partido Republicano e um dos novos mandatos dos resultados da eleição. O que ficou claro é que os americanos querem valores conservadores. A simples sugestão de se falar em trégua em questões sociais é testemunho de discernimento medíocre, principalmente quando temos um presidente em ofício que não tem mostrado absolutamente nenhuma consideração para com a vida dos bebês em gestação.
Dá para assumir uma postura em favor da vida e da liberdade. Aliás, não dá para separar uma questão da outra. Como é que os EUA conseguirão avançar se não avançarmos meios de garantir nosso futuro?
Ronald Reagan concorreu numa plataforma de três princípios: conservadorismo social, conservadorismo fiscal e conservadorismo de política externa. Sem esses três aspectos do partido unidos, o partido abandona sua base. Reagan disse: “Não podemos sobreviver como nação livre quando alguns homens decidem que outros não são dignos de viver e têm de ser abandonados ao aborto ou ao infanticídio… não há causa mais importante para a preservação dessa liberdade do que defender o direito transcendente à vida de todos os seres humanos, o direito sem o qual nenhum outro direito tem sentido algum”.
Embora os conservadores sociais compreendam a enormidade da crise fiscal que está defrontando os Estados Unidos, não podemos pedir trégua no que acreditamos serem assuntos de vida e morte. Temos a esperança de que a nova liderança do Partido Republicano e o novo Congresso adotem medidas importantes para implementar seu “Compromisso com os EUA” e que eles assumam uma postura a favor da vida.
Esse artigo foi publicado com a permissão de HumanEvents.com.
Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/11/uma-palavra-de-advertencia-ao-partido.html
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesite.net/ldn/viewonsite.html?articleid=10110503
Copyright © LifeSiteNews.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Attribution-No Derivatives. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Notícias Pró-Família”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com em português tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para “NoticiasProFamilia.blogspot.com”. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes.
ELEIÇÕES 2010 - NORMA BRAGA - TEMOS MOTIVOS PARA COMEMORAR
Por Norma Braga
Em post recente, observei que deveríamos ficar alegres, fosse qual fosse o resultado das eleições. Vejo que de fato continuo alegre, pela graça de Deus (em outros tempos, eu teria posto energia demais nesse evento e não estaria bem; louvo a Ele por isto!). Mas, além da certeza de que Deus está no comando de tudo, temos motivos para comemorar: creio que essa esquerda mítica, divinizada, está perdendo força na mente dos brasileiros. E isto é algo recente. Como? Vejamos.
Já escrevi aqui várias vezes sobre um dos assuntos de destaque na agenda conservadora, em contraposição às forças do globalismo estatal (conservadores costumam sempre atuar em reação): o aborto. Defender a vida contra a ideia comum do “feto não é gente” sempre me pareceu algo difícil, espinhoso. Em conversas, o defensor da vida arriscava-se a perder o amigo. E eis que, nessas eleições, o assunto ganha uma atenção inédita no panorama político. O que ficou claro para todos é: Dilma podia perder a disputa por causa da postura obsessiva do PT pela descriminalização do aborto. E, de fato, diante disso o partido se viu apavorado o bastante para divulgar mentiras sobre a opinião da então candidata sobre o tema. Mesmo assim, mais de 40% dos eleitores deram seu não nas urnas – se contra o aborto ou não, jamais saberemos. Mas os números foram eloquentes: quase metade dos votantes não queria Dilma. Podemos afirmar que a Vida foi a grande vencedora dessas eleições: se o tema pesou, é porque o aborto prêt-à-porter no Brasil já não se afigura uma unanimidade. O abortista já não é um libertário, um porta-voz dos direitos da mulher; é questionado à luz do dia. Trata-se de uma extraordinária mudança de cosmovisão, e seus propagadores, não mais envergonhados, estão visíveis em jornais de grande circulação, como, na Folha de São Paulo, Luiz Felipe Pondé. Foi serrado o mastro de uma das maiores bandeiras do partido no governo, às mostras há pelo menos vinte anos.
Outro dado importante é o que nos informa Reinaldo Azevedo:
Até a sua biografia já começa a ser reescrita com zelo. Ontem, no Jornal Nacional, um companheiro de militância de Dilma assegurou que ela nunca pegou em armas, embora tenha feito parte de dois dos grupos terroristas mais violentos que praticaram atentados durante o regime militar.
Qual a outra bandeira decepada? O ideal da guerrilha, tão decantado nas salas de aula da universidade! Novamente com medo da perda de apoio popular, o partido recorre a mentiras para reconstruir a história da presidente. Ora, se chegou a esse ponto, novamente, é porque a militância das guerrilhas na época da ditadura já não é mais uma unanimidade. Seus “heróis”, hoje revisitados por historiadores não-comprometidos com o ideário da esquerda, perderam o brilho. Certo, foram torturados, sofreram o diabo. Mas estavam longe de serem os santos cantados em prosa e verso por professores, pesquisadores, propagandistas do socialismo. Eram violentos e chamaram violência para si. E queriam de fato instalar uma ditadura no país, uma ditadura de esquerda. Hoje há mais informação sobre esse lado da história, embora seja geralmente veiculada fora dos bancos escolares. E por que digo que tudo mudou há pouco tempo? Porque há cinco anos – somente cinco anos! –, a revista Época publicou ....
Leia mais: http://normabraga.blogspot.com/2010/11/temos-motivos-para-comemorar.html
Em post recente, observei que deveríamos ficar alegres, fosse qual fosse o resultado das eleições. Vejo que de fato continuo alegre, pela graça de Deus (em outros tempos, eu teria posto energia demais nesse evento e não estaria bem; louvo a Ele por isto!). Mas, além da certeza de que Deus está no comando de tudo, temos motivos para comemorar: creio que essa esquerda mítica, divinizada, está perdendo força na mente dos brasileiros. E isto é algo recente. Como? Vejamos.
Já escrevi aqui várias vezes sobre um dos assuntos de destaque na agenda conservadora, em contraposição às forças do globalismo estatal (conservadores costumam sempre atuar em reação): o aborto. Defender a vida contra a ideia comum do “feto não é gente” sempre me pareceu algo difícil, espinhoso. Em conversas, o defensor da vida arriscava-se a perder o amigo. E eis que, nessas eleições, o assunto ganha uma atenção inédita no panorama político. O que ficou claro para todos é: Dilma podia perder a disputa por causa da postura obsessiva do PT pela descriminalização do aborto. E, de fato, diante disso o partido se viu apavorado o bastante para divulgar mentiras sobre a opinião da então candidata sobre o tema. Mesmo assim, mais de 40% dos eleitores deram seu não nas urnas – se contra o aborto ou não, jamais saberemos. Mas os números foram eloquentes: quase metade dos votantes não queria Dilma. Podemos afirmar que a Vida foi a grande vencedora dessas eleições: se o tema pesou, é porque o aborto prêt-à-porter no Brasil já não se afigura uma unanimidade. O abortista já não é um libertário, um porta-voz dos direitos da mulher; é questionado à luz do dia. Trata-se de uma extraordinária mudança de cosmovisão, e seus propagadores, não mais envergonhados, estão visíveis em jornais de grande circulação, como, na Folha de São Paulo, Luiz Felipe Pondé. Foi serrado o mastro de uma das maiores bandeiras do partido no governo, às mostras há pelo menos vinte anos.
Outro dado importante é o que nos informa Reinaldo Azevedo:
Até a sua biografia já começa a ser reescrita com zelo. Ontem, no Jornal Nacional, um companheiro de militância de Dilma assegurou que ela nunca pegou em armas, embora tenha feito parte de dois dos grupos terroristas mais violentos que praticaram atentados durante o regime militar.
Qual a outra bandeira decepada? O ideal da guerrilha, tão decantado nas salas de aula da universidade! Novamente com medo da perda de apoio popular, o partido recorre a mentiras para reconstruir a história da presidente. Ora, se chegou a esse ponto, novamente, é porque a militância das guerrilhas na época da ditadura já não é mais uma unanimidade. Seus “heróis”, hoje revisitados por historiadores não-comprometidos com o ideário da esquerda, perderam o brilho. Certo, foram torturados, sofreram o diabo. Mas estavam longe de serem os santos cantados em prosa e verso por professores, pesquisadores, propagandistas do socialismo. Eram violentos e chamaram violência para si. E queriam de fato instalar uma ditadura no país, uma ditadura de esquerda. Hoje há mais informação sobre esse lado da história, embora seja geralmente veiculada fora dos bancos escolares. E por que digo que tudo mudou há pouco tempo? Porque há cinco anos – somente cinco anos! –, a revista Época publicou ....
Leia mais: http://normabraga.blogspot.com/2010/11/temos-motivos-para-comemorar.html
6 de novembro de 2010
CPMF NUNCA MAIS! DORA KRAMER - DEMANDA DE ALUGUEL
Reproduzo aqui, na íntegra, artigo de Dora Kramer, a melhor, mais lúcida e inigualável comentarista de política.
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo
O tema não foi tocado nem de leve em toda a campanha eleitoral. Aliás, tirando o presidente Luiz Inácio da Silva, nunca mais, desde dezembro de 2007, se ouviu ninguém alimentar nostalgia pelo imposto do cheque.
Nem os governadores falaram mais no assunto e isso inclui os agora reeleitos, os eleitos e os que eram senadores à época da derrubada da CPMF e muito contribuíram para o resultado de uma votação que até hoje deixa o presidente Lula inconformado.
A tal ponto que ele foi "caçar" um a um os senadores oposicionistas nessa eleição, dedicando-se com empenho pessoal e especial a lhes impor derrotas. Saiu-se bem em alguns casos, em outros fracassou.
Convém recordar que a derrota na votação da renovação da CPMF no Senado enterrou o projeto do terceiro mandato, pois ali ficou claro que se passasse pelos deputados, pelos senadores não passaria. Portanto, aquela não foi uma derrota qualquer.
Foi uma derrota política surpreendente e definitiva.
A história contada pela presidente eleita de que não poderá se furtar a uma discussão levantada pelos governadores parece conto da Carochinha. De uma hora para outra, sem mais nem menos, os governadores - note-se, de partidos aliados ao governo - resolveram considerar a volta da CPMF uma urgência urgentíssima?
Um desses governadores, Renato Casagrande, do Espírito Santo, foi um dos mais combativos senadores na derrubada do imposto há três anos.
Dilma, quando candidata, negou intenção de recuperar o imposto. Compreende-se, dada a impopularidade do tema.
Então, nem bem é eleita Lula a chama com urgência ao Planalto - tanta que ela já estava com as malas no carro para sair em viagem - para uma entrevista coletiva em que o assunto de maior destaque é justamente a demanda dos governadores do PT e do PSB.
Não é necessário exercício muito elaborado de observação e dedução para perceber de quem é a ideia de pôr a CPMF de volta na agenda e tentar uma revanche logo no início do mandato para aproveitar a boa vontade geral com a presidente que entra e testar a força do novo Congresso de maioria governista folgada.
Seria uma bela vitória para a estreante nas lides político-palacianas. Os governadores, até de partidos de oposição, não teriam constrangimento algum em aderir, como de resto os politicamente fiéis não estão encontrando dificuldades para aparecer na cena como autores do plano.
Com a ampla maioria agora também no Senado, em tese não seria impossível pensar que o imposto do cheque passasse pelo Congresso.
Enfrentaria, no entanto, obstáculos difíceis de serem transpostos, exatamente por causa da amplitude, heterogeneidade e voracidade da "base". Dilma Rousseff precisaria administrar um problema de altíssima monta logo na estreia.
Sozinha ainda não reúne experiência para tal. Com o antecessor manejando os cordéis? Não combina com a promessa de Lula de cumprir uma quarentena.
Há também aquele outro problema chamado opinião pública. Em 2007 houve uma mobilização forte que inicialmente não foi dos partidos, DEM e PSDB.
Eles embarcaram na onda da campanha deflagrada pelo setor produtivo e conseguiram capitalizar a insatisfação da sociedade somada a contrariedades na base parlamentar governista e à displicência da articulação política.
No ano seguinte o governo tentou retomar o assunto mudando o imposto de nome e, depois, no ano passado, fez um novo ensaio. Não deu certo.
Desta vez pode ser que dê, exatamente porque a correlação de forças está ainda mais favorável ao governo e há Lula solto para poder articular.
Seria, porém, o caso de se fazer a conta se para a presidente Dilma seria um bom negócio comprar uma briga desse tamanho com a opinião pública e o empresariado logo aos primeiros acordes da sua sinfonia.
A conferir. O tempo dirá: Lula afirma que não vai interferir no governo de Dilma, que reza pela cartilha do "rei morto, rei posto", que vai se recolher deixando a cena ao comando exclusivo da presidente e que só dará palpite quando solicitado.
Isso se nada do que ela fizer contrariar os planos dele.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101105/not_imp634938,0.php
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo
O tema não foi tocado nem de leve em toda a campanha eleitoral. Aliás, tirando o presidente Luiz Inácio da Silva, nunca mais, desde dezembro de 2007, se ouviu ninguém alimentar nostalgia pelo imposto do cheque.
Nem os governadores falaram mais no assunto e isso inclui os agora reeleitos, os eleitos e os que eram senadores à época da derrubada da CPMF e muito contribuíram para o resultado de uma votação que até hoje deixa o presidente Lula inconformado.
A tal ponto que ele foi "caçar" um a um os senadores oposicionistas nessa eleição, dedicando-se com empenho pessoal e especial a lhes impor derrotas. Saiu-se bem em alguns casos, em outros fracassou.
Convém recordar que a derrota na votação da renovação da CPMF no Senado enterrou o projeto do terceiro mandato, pois ali ficou claro que se passasse pelos deputados, pelos senadores não passaria. Portanto, aquela não foi uma derrota qualquer.
Foi uma derrota política surpreendente e definitiva.
A história contada pela presidente eleita de que não poderá se furtar a uma discussão levantada pelos governadores parece conto da Carochinha. De uma hora para outra, sem mais nem menos, os governadores - note-se, de partidos aliados ao governo - resolveram considerar a volta da CPMF uma urgência urgentíssima?
Um desses governadores, Renato Casagrande, do Espírito Santo, foi um dos mais combativos senadores na derrubada do imposto há três anos.
Dilma, quando candidata, negou intenção de recuperar o imposto. Compreende-se, dada a impopularidade do tema.
Então, nem bem é eleita Lula a chama com urgência ao Planalto - tanta que ela já estava com as malas no carro para sair em viagem - para uma entrevista coletiva em que o assunto de maior destaque é justamente a demanda dos governadores do PT e do PSB.
Não é necessário exercício muito elaborado de observação e dedução para perceber de quem é a ideia de pôr a CPMF de volta na agenda e tentar uma revanche logo no início do mandato para aproveitar a boa vontade geral com a presidente que entra e testar a força do novo Congresso de maioria governista folgada.
Seria uma bela vitória para a estreante nas lides político-palacianas. Os governadores, até de partidos de oposição, não teriam constrangimento algum em aderir, como de resto os politicamente fiéis não estão encontrando dificuldades para aparecer na cena como autores do plano.
Com a ampla maioria agora também no Senado, em tese não seria impossível pensar que o imposto do cheque passasse pelo Congresso.
Enfrentaria, no entanto, obstáculos difíceis de serem transpostos, exatamente por causa da amplitude, heterogeneidade e voracidade da "base". Dilma Rousseff precisaria administrar um problema de altíssima monta logo na estreia.
Sozinha ainda não reúne experiência para tal. Com o antecessor manejando os cordéis? Não combina com a promessa de Lula de cumprir uma quarentena.
Há também aquele outro problema chamado opinião pública. Em 2007 houve uma mobilização forte que inicialmente não foi dos partidos, DEM e PSDB.
Eles embarcaram na onda da campanha deflagrada pelo setor produtivo e conseguiram capitalizar a insatisfação da sociedade somada a contrariedades na base parlamentar governista e à displicência da articulação política.
No ano seguinte o governo tentou retomar o assunto mudando o imposto de nome e, depois, no ano passado, fez um novo ensaio. Não deu certo.
Desta vez pode ser que dê, exatamente porque a correlação de forças está ainda mais favorável ao governo e há Lula solto para poder articular.
Seria, porém, o caso de se fazer a conta se para a presidente Dilma seria um bom negócio comprar uma briga desse tamanho com a opinião pública e o empresariado logo aos primeiros acordes da sua sinfonia.
A conferir. O tempo dirá: Lula afirma que não vai interferir no governo de Dilma, que reza pela cartilha do "rei morto, rei posto", que vai se recolher deixando a cena ao comando exclusivo da presidente e que só dará palpite quando solicitado.
Isso se nada do que ela fizer contrariar os planos dele.
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101105/not_imp634938,0.php
CPMF NUNCA MAIS - PRECISAMOS NOS MOBILIZAR APRENDENDO COM O POVO ARGENTINO
PASSO 1. A sociedade se mobiliza dizendo "NÃO!"
PASSO 2. Diante da manifestação da sociedade, o novo imposto não é aprovado.
Voto del vicepresidente Cobos contra las retenciones móviles(pacote fiscal sobre o agronegócio) kirchneristas.
Dijo NO
PASSO 3. Comemorar a vitória.
PASSO 2. Diante da manifestação da sociedade, o novo imposto não é aprovado.
Voto del vicepresidente Cobos contra las retenciones móviles(pacote fiscal sobre o agronegócio) kirchneristas.
Dijo NO
PASSO 3. Comemorar a vitória.
NIVALDO CORDEIRO - Dilma Rousseff é filha do mensalão
Nivaldo Cordeiro
..
4 de novembro de 2010
Na Primavera Cultural que está havendo na Livraria Cultura, em São Paulo, hoje teve um encontro intitulado "Perspectivas do novo governo", com a presença de Ricardo Azevedo, chefe de gabinete da Secretaria Geral Nacional do PT, Valério Arcary, professor do IFSP, doutor em história social e militante do PSTU e Igor Fuser, jornalista, doutorando do Departamento de Ciência Política da USP.
O encontro foi mediado por Celso Marcondes, da Carta Capital.
5 de novembro de 2010
CPMF NUNCA MAIS - NOTA OFICIAL DO DEMOCRATAS
Nota Oficial do Democratas:
A Liderança dos Democratas na Câmara dos Deputados repudia veementemente a possibilidade de recriação da CPMF, o famigerado Imposto do Cheque.
Seguindo ordens, inspiradas no capricho vingativo do atual Presidente da República, a Presidente eleita, Dilma Rousseff, está convocando os governadores de sua base aliada para assumirem o movimento pela volta do imposto que o povo brasileiro derrubou.
A continuidade prometida durante a campanha está privilegiando as piores características deste governo federal, a falta de competência para gerir os recursos públicos e a gana pela cobrança de impostos.
O aumento da IOF - logo após o fim da CPMF - e o constante aumento da arrecadação de impostos alimentaram os cofres públicos com mais recursos do que os gerados pelo Imposto do Cheque.
A solução para o caos da saúde pública do Brasil está na regulamentação da Emenda 29 e na profissionalização da gestão.
Os Democratas não permitirão que o povo pague a conta da eleição.
Conclamamos a Oposição, no Congresso e no Legislativo e Executivo estaduais, e toda a sociedade para impedir mais esse descalabro do governo do PT.
CPMF nunca mais.
Paulo Bornhausen
Líder do Democratas na Câmara dos Deputados
Fonte: http://www.democratas.org.br/news_view.asp?id={85401A56-F58F-451B-80DD-61F523A16B5E}
A Liderança dos Democratas na Câmara dos Deputados repudia veementemente a possibilidade de recriação da CPMF, o famigerado Imposto do Cheque.
Seguindo ordens, inspiradas no capricho vingativo do atual Presidente da República, a Presidente eleita, Dilma Rousseff, está convocando os governadores de sua base aliada para assumirem o movimento pela volta do imposto que o povo brasileiro derrubou.
A continuidade prometida durante a campanha está privilegiando as piores características deste governo federal, a falta de competência para gerir os recursos públicos e a gana pela cobrança de impostos.
O aumento da IOF - logo após o fim da CPMF - e o constante aumento da arrecadação de impostos alimentaram os cofres públicos com mais recursos do que os gerados pelo Imposto do Cheque.
A solução para o caos da saúde pública do Brasil está na regulamentação da Emenda 29 e na profissionalização da gestão.
Os Democratas não permitirão que o povo pague a conta da eleição.
Conclamamos a Oposição, no Congresso e no Legislativo e Executivo estaduais, e toda a sociedade para impedir mais esse descalabro do governo do PT.
CPMF nunca mais.
Paulo Bornhausen
Líder do Democratas na Câmara dos Deputados
Fonte: http://www.democratas.org.br/news_view.asp?id={85401A56-F58F-451B-80DD-61F523A16B5E}
TRAIÇÃO - SE O PSDB NÃO SE POSICIONAR CONTRA O IMPOSTO DA CPMF, "MORREU"!
Chega de imposto, a carga tributária é absurda. Aumento de carga tributária significa menos atividade econômica, a própria candidata Dilma deu uma aula de economia ,durante a propaganda eleitoral, quando disse que durante a crise de 2008 e 2009 o governo baixou impostos para aquecer o mercado interno e fazer frente a crise. O efeito didático é: quanto menos dinheiro o governo retirar da sociedade mais dinâmica será a atividade econômica.
Dilma prometeu não aumentar impostos e sinalizou com a possibilidade de baixar alguns, por exemplo: sobre transportes coletivos, sobre a folha de pagamento(salários), e agora, numa manobra genial de Lula, joga o ônus da volta da CPMF nas costas dos governadores aliados. Só dos aliados? Não. leia o que disse o governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB):
"Há sempre a necessidade de nós termos um financiamento para a saúde. A saúde é a chamada política pública de demanda infinita, como eu sempre disse. Ou seja, (de) necessidade permanente de investimentos", afirmou o governador.
O recente surgimento de uma oposição conservadora, no Brasil, veio para ficar. Este contingente de brasileiros estão orfãos de representantes e não há candidatos no horizonte, justiça se faça ao DEM que se manisfestou contra, dizendo que a proposta para volta da CPMF é 'inspirada no capricho vingativo' de Lula.
Eu não votei em candidatos que disseram "SIM" ao aumento de impostos na legislatura atual, trabalhei para eleger o deputado federal Onyx Lorenzoni, DEM/RS, deputado de destaque na derrubada da CPMF.
A Argentina parou quando a presidenta Cristina Kirchner tentou aumentar os impostos sobre o agronegócio, um pacote de leis sob o rótulo de "Retenciones Móviles" . A classe média argentina(quem realmente paga a conta) se aliou ao campo e durante seis meses, esteve mobilizada até a derrota do projeto no Senado.
Até quando aceitaremos passivamente sermos expoliados pelos políticos?
Reza a lenda que os hermanos argentinos chamam os brasileiros de "los macaquitos". Pode ter sido em acontecimentos isolados, mas definitivamente não é um esporte nacional. Mesmo assim, merecemos o tratamento.
Dilma prometeu não aumentar impostos e sinalizou com a possibilidade de baixar alguns, por exemplo: sobre transportes coletivos, sobre a folha de pagamento(salários), e agora, numa manobra genial de Lula, joga o ônus da volta da CPMF nas costas dos governadores aliados. Só dos aliados? Não. leia o que disse o governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB):
"Há sempre a necessidade de nós termos um financiamento para a saúde. A saúde é a chamada política pública de demanda infinita, como eu sempre disse. Ou seja, (de) necessidade permanente de investimentos", afirmou o governador.
O recente surgimento de uma oposição conservadora, no Brasil, veio para ficar. Este contingente de brasileiros estão orfãos de representantes e não há candidatos no horizonte, justiça se faça ao DEM que se manisfestou contra, dizendo que a proposta para volta da CPMF é 'inspirada no capricho vingativo' de Lula.
Eu não votei em candidatos que disseram "SIM" ao aumento de impostos na legislatura atual, trabalhei para eleger o deputado federal Onyx Lorenzoni, DEM/RS, deputado de destaque na derrubada da CPMF.
A Argentina parou quando a presidenta Cristina Kirchner tentou aumentar os impostos sobre o agronegócio, um pacote de leis sob o rótulo de "Retenciones Móviles" . A classe média argentina(quem realmente paga a conta) se aliou ao campo e durante seis meses, esteve mobilizada até a derrota do projeto no Senado.
Até quando aceitaremos passivamente sermos expoliados pelos políticos?
Reza a lenda que os hermanos argentinos chamam os brasileiros de "los macaquitos". Pode ter sido em acontecimentos isolados, mas definitivamente não é um esporte nacional. Mesmo assim, merecemos o tratamento.
3 de novembro de 2010
ELEIÇÕES 2010 - RESULTADO DO SEGUNDO TURNO NO RIO GRANDE DO SUL
Resultado oficial da votação em segundo turno no Rio Grande do Sul, por município.
TSE: http://www.tre-rs.gov.br/eleicoes/2010/2turno/index.html
TSE: http://www.tre-rs.gov.br/eleicoes/2010/2turno/index.html
2 de novembro de 2010
NIVALDO CORDEIRO - A VITÓRIA DE DILMA
A vitória da Dilma foi pela metade, seja porque quase metade do País lhe negou voto, seja porque a sua base maior de apoio é o PMDB, este sim, o grande vitorioso.
O PT terá que governar com os patrimonialistas de sempre. E agora terá sobre si a vigilância dos consevadores, que não permitirão abusos constitucionais sem reação expedita.
José Serra será talvez o maior responsável pela sua própria derrota. Nunca o vi acreditar de fato que seria o eleito. Nunca se portou como um lutador em combate terminal. Nunca atacou a adversária com as armas mais mortais de que dispunha. Nesse sentido, mereceu perder. Ao invés de puxar o eleitorado, foi por ele empurrado, uma situação estranha.
De qualquer maneira o jogo político no Brasil está mais equilibrado e o PT tem sobre si a vigilância da opinião pública e o poder dos governadores dos grandes Estados, na oposição.
Por Nivaldo Cordeiro.
ELEIÇÕES 2010 - RESULTADO FINAL - MAPA DO BRASIL APÓS SEGUNDO TURNO.
Clique na imagem para ampliar.
No link abaixo, mais informações e os números finais em todo o Brasil no primeiro e no segundo turno.
1 de novembro de 2010
VOTO EVANGÉLICO DÁ A VITÓRIA A SERRA NO ESPÍRITO SANTO, PODERIA TER SIDO EM TODO BRASIL
O PT só avançou politicamente, após a adesão de lideranças católicas e evangélicas. Se estas lideranças cumprirem sua missão pastoral de alertar seus seguidores do risco crescente que o PT representa para as liberdades individuais e religiosas, o poder político do PT vai retroceder. Este é o exemplo que vem lá do Espírito Santo.
No primeiro turno Dilma obteve 37,25% dos votos, contra 35,44% de José Serra e 26,26% de Marina Silva.
O Fórum Político Evangélico do Espírito Santo e a Associação dos Pastores Evangélicos da Grande Vitória fizeram campanha contra a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. As posições da candidata sobre o aborto, união civil entre pessoas do mesmo sexo e limitação da expressão religiosa em órgãos públicos foram algumas das justificativas apontadas pelos presidentes das entidades evangélicas pela preferência por José Serra, do PSDB.
No segundo turno Serra obteve 50,83% dos votos válidos e Dilma 49,17%.
Os cristãos, queiram ou não queiram, foram bombardeados com informações sobre o verdadeiro PT, sua agenda anticristã e totalitária e isso, certamente, terá desdobramentos. Se o partido insistir nesta agenda, não tenho dúvidas, perderá seu poder político amealhado nas últimas décadas. A luz amarela acendeu para o PT.
Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/politica/evangelicos-fazem-campanha-contra-dilma-no-espirito-santo/
No primeiro turno Dilma obteve 37,25% dos votos, contra 35,44% de José Serra e 26,26% de Marina Silva.
O Fórum Político Evangélico do Espírito Santo e a Associação dos Pastores Evangélicos da Grande Vitória fizeram campanha contra a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. As posições da candidata sobre o aborto, união civil entre pessoas do mesmo sexo e limitação da expressão religiosa em órgãos públicos foram algumas das justificativas apontadas pelos presidentes das entidades evangélicas pela preferência por José Serra, do PSDB.
No segundo turno Serra obteve 50,83% dos votos válidos e Dilma 49,17%.
Os cristãos, queiram ou não queiram, foram bombardeados com informações sobre o verdadeiro PT, sua agenda anticristã e totalitária e isso, certamente, terá desdobramentos. Se o partido insistir nesta agenda, não tenho dúvidas, perderá seu poder político amealhado nas últimas décadas. A luz amarela acendeu para o PT.
Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/politica/evangelicos-fazem-campanha-contra-dilma-no-espirito-santo/
Resultado das eleições presidenciais reflete o desejo de continuidade
Marcelo Kfoury
Stephan Kautz
Leonardo Porto
Como esperado, a Sra. Dilma Rousseff, ganhou a corrida presidencial e vai substituir o presidente Lula em 01 de janeiro de 2011. Este resultado representa o desejo da maioria em continuar com as atuais políticas, o que significa um forte crescimento econômico e programas sociais. No total , o PT e seus aliados conquistaram uma forte presença no Congresso, que garante uma maioria em ambas as casas, enquanto a oposição, especialmente o PSDB, conseguiu sair fortalecido nas eleições para governador. Portanto, a próxima administração não deve ter muita dificuldade em lidar com o Congresso, mas a oposição pode começar produzir os futuros líderes para as próximas eleições. O foco das atenções do mercado agora deve ser sobre a formação do ministério e da agenda de possíveis reformas.
Pontos-chave
Dilma obteve 55 milhões de votos, enquanto o Sr. Serra recebeu 43 milhões, a mais apertada eleição presidencial desde 1989. Dilma teve 10 milhões de votos menos do que o presidente Lula teve em 2006. Apesar da eleição ocorrer em um feriadão, a participação não foi muito diferente das eleições anteriores, com o índice de abstenção apenas ligeiramente superior. Rousseff ganhou em 15 estados, focada principalmente na região Nordeste, enquanto o Sr. Serra ganhou em 11 estados, com forte predominância nas regiões do sul.
Quanto as eleições para governador, o PSDB se consolida como o principal partido de oposição, ganhando oito estados, que representam mais de 46% da população total. No segundo turno, o PSDB venceu quatro das cinco eleições estaduais em disputa e governa dois estados a mais do que em 2006. O PT e PMDB elegeram governadores em cinco estados cada, enquanto o PSB ganhou em seis estados.
Na primeira coletiva de imprensa de Dilma, ela estava acompanhada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, em um sinal de que ele poderia ter um posto-chave na sua administração, provavelmente, o Chefe de Gabinete. A equipe de política económica também esteve presente, incluindo o atual ministro Mantega e o presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Ambos tendem a atuar em torno da transição até o final do ano e mesmo no início da administração de Dilma Rousseff. Finalmente, pouco falou sobre o futuro, destacando a manutenção das promessas de campanha e a inflação baixa.
Nós acreditamos que os mercados concentrarão sua atenção sobre as políticas cambial e fiscal, ou seja, se haverá alguma mudança. Deste momento até o final do ano não se espera nenhuma mudança significativa em ambas. No entanto, o Congresso precisa votar a Lei do Orçamento para 2011, o que poderá constituir uma oportunidade para verificar a possibilidae de incluir estimativas mais conservadoras para os gastos, abrindo espaço para controlar o crescimento das despesas correntes.
Fonte: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/11/nova-presidenta-analise-sobria-dos.html
Stephan Kautz
Leonardo Porto
Como esperado, a Sra. Dilma Rousseff, ganhou a corrida presidencial e vai substituir o presidente Lula em 01 de janeiro de 2011. Este resultado representa o desejo da maioria em continuar com as atuais políticas, o que significa um forte crescimento econômico e programas sociais. No total , o PT e seus aliados conquistaram uma forte presença no Congresso, que garante uma maioria em ambas as casas, enquanto a oposição, especialmente o PSDB, conseguiu sair fortalecido nas eleições para governador. Portanto, a próxima administração não deve ter muita dificuldade em lidar com o Congresso, mas a oposição pode começar produzir os futuros líderes para as próximas eleições. O foco das atenções do mercado agora deve ser sobre a formação do ministério e da agenda de possíveis reformas.
Pontos-chave
Dilma obteve 55 milhões de votos, enquanto o Sr. Serra recebeu 43 milhões, a mais apertada eleição presidencial desde 1989. Dilma teve 10 milhões de votos menos do que o presidente Lula teve em 2006. Apesar da eleição ocorrer em um feriadão, a participação não foi muito diferente das eleições anteriores, com o índice de abstenção apenas ligeiramente superior. Rousseff ganhou em 15 estados, focada principalmente na região Nordeste, enquanto o Sr. Serra ganhou em 11 estados, com forte predominância nas regiões do sul.
Quanto as eleições para governador, o PSDB se consolida como o principal partido de oposição, ganhando oito estados, que representam mais de 46% da população total. No segundo turno, o PSDB venceu quatro das cinco eleições estaduais em disputa e governa dois estados a mais do que em 2006. O PT e PMDB elegeram governadores em cinco estados cada, enquanto o PSB ganhou em seis estados.
Na primeira coletiva de imprensa de Dilma, ela estava acompanhada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, em um sinal de que ele poderia ter um posto-chave na sua administração, provavelmente, o Chefe de Gabinete. A equipe de política económica também esteve presente, incluindo o atual ministro Mantega e o presidente do Banco Central Henrique Meirelles. Ambos tendem a atuar em torno da transição até o final do ano e mesmo no início da administração de Dilma Rousseff. Finalmente, pouco falou sobre o futuro, destacando a manutenção das promessas de campanha e a inflação baixa.
Nós acreditamos que os mercados concentrarão sua atenção sobre as políticas cambial e fiscal, ou seja, se haverá alguma mudança. Deste momento até o final do ano não se espera nenhuma mudança significativa em ambas. No entanto, o Congresso precisa votar a Lei do Orçamento para 2011, o que poderá constituir uma oportunidade para verificar a possibilidae de incluir estimativas mais conservadoras para os gastos, abrindo espaço para controlar o crescimento das despesas correntes.
Fonte: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/11/nova-presidenta-analise-sobria-dos.html
Assinar:
Postagens (Atom)
