Liberdade de Informação: e o direito que os cidadãos têm de ser informado de tudo que se relaciona com a vida do Estado, e que, por conseguinte é de seu peculiar interesse. Esse direito de informação faz parte da essência da democracia. Integra-o a liberdade de imprensa e o direito de ser informado. Artigo 5º inciso XXXIII, da Constituição Federal. Prof. Franscisco Bruno Neto.

15 de setembro de 2010

Marina: mais uma “solução” de Caio Fábio e Valnice

Julio Severo


Hoje, vemos claramente as intenções de Lula, cujo governo de oito anos colocou o Brasil inteiro sob as terríveis nuvens negras de uma obsessão e possessão inédita de homossexualismo e aborto. Não importa que a vasta maioria da população brasileira seja contra esses dois males. Não importa, pois Lula e seu bando marxista não estão nem aí com os sentimentos e vontade do povo.

Contudo, Valnice Milhomens, que se gaba de ter recebido de Deus a revelação de que é apóstola, não teve nenhuma revelação quando foi, com Caio Fábio, apresentadora do programa Pare & Pense, numa edição especial de 1994, apresentando dois candidatos marxistas: Leonel Brizola e Lula.

Sobre esse programa e outras iniciativas da época que procuravam remover a imagem negativa que Lula tinha entre os evangélicos, Caio Fábio confessou suas reais intenções e participação anos atrás:

“Aproximei Lula dos evangélicos, os quais, durante anos, o chamavam de ‘diabo’. Muitas foram as oportunidades que criei para que ele tivesse a chance de se deixar perceber pela igreja”.

Então, a ideologia maligna que hoje vemos dominando o governo do Brasil chegou ao poder graças a um homem que hoje é ex-evangélico e a uma mulher que se diz dotada de revelações, mas não teve nenhuma visão sobrenatural quando o próprio diabo os estava usando para limpar a imagem demoníaca de um homem comprometido com uma ideologia e partido que estão gravemente ameaçando o Brasil.

Em Caio Fábio, havia más intenções. Não sei se houve semelhantes intenções em Valnice, mas o fato é que ela foi incapaz de ver a possessão de malícia de seu colega que estava aproximando um marxista do público evangélico.

Eu realmente parei e pensei: Não dá para levar a sério esses dois!

O tempo passou, e eis que os dois voltam ao cenário eleitoral.

Na eleição presidencial atual, Caio Fábio aponta para a solução dele: Marina Silva. (Veja aqui entrevista dele dando destaque especial à formação fundamental da teologia da libertação no cristianismo de Marina:...
 
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Marina: mais uma “solução” de Caio Fábio e Valnice

Pacote ideológico do Governo

Pacote ideológico do Governo


01-Fev-2010

O novo Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo presidente Lula (21 de dezembro p. passado), em terceira versão requentada, carece de melhor parecer jurídico, em conformidade com a Constituição Federal. O Presidente declarou que não leu o texto que assinou (sic). Confiou o texto à apreciação daquela que ele pretende eleger como sua sucessora na Presidência da República, a ministra Dilma Rousseff.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, analisou e criticou o documento, que suspeita da agricultura de mercado, hoje principal suporte do superávit comercial e da estabilidade de preços do País. O decreto reflete a ideologia marxista, inspirando a libertação do povo. Assim, desde os anos 70 apregoa os fautores da esquerda festiva.

Notemos duas mudanças anticonstitucionais no texto do tal decreto. Primeira: a desestabilização do legítimo direito de propriedade, ao fomentar invasões de propriedades pelos movimentos e organizações populares (leia-se MST, congêneres). Segunda: praticamente legitima a invasão e a tomada de propriedades, pelo exercício de mediação entre invasores e vítimas de invasão, antecedendo uma eventual decretação de reintegração de posse, por parte do juiz.

Pela Constituição invasão é crime. Pelo novo decreto, invasores adquirem status legal dos antigos proprietários. Essas propostas açodam a insegurança no campo. Não se trata de ocupar terras devolutas, mas invadir propriedades produtivas. Outra bobagem do decreto seria submeter às organizações populares decisões de plantio de variadas culturas.

A questão agrária e agrícola requer produção de qualidade e não invasão de propriedade. Por falta de incentivo, de assistência tecnológica e financeira, pequenos e médios produtores deixam de produzir. Não obstante programas interessantes como o Pronaf e outros incentivos, muitos assentamentos são pouco produtivos.

A grande aberração do documento é manipular os Direitos Humanos, transformados em panacéia de ideologia. Vejam só. O decreto estabeleceria a profissão para prostitutas. Ora, as pessoas que se tornaram vítimas da difícil “vida fácil”, por certo, gostariam de se libertar dessa triste condição vexatória. O decreto estatui a prostituição, a promiscuidade.

Porém, a pior aberração do decreto é estabelecer instrumentos de controle da imprensa, como recentemente foi censurado o jornal “O Estado de S. Paulo” ao veicular informações sobre os bens familiares do senador Sarney. O decreto retrocede ao expediente da censura à mídia quando esta contrariasse os interesses da cúpula palaciana governamental. Na verdade uma pseudo-esquerda se instalou com a pretensão de tomar o foro de cidadania no governo Lula, pensando em se eternizar no poder. Ah se a moda dos “companheiros” da Venezuela e Bolívia pegar...

Nossa esperança é que surjam reações ...

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Fonte: http://www.anjosdejesus.com/start/

Dom Aldo di Cillo Pagotto

Arcebispo Metropolitano da Paraíba

Ataque e vandalismo contra a Cúria da Paraíba

A marcha dos insensatos dá  provas de que não existe o sagrado em sua agenda eivada de ódios e intolenrâncias. Quem ousa discordar desta agenda publicamente, será alvo de uma resposta virulenta, cujo objetivo é calar as vozes discordantes na força e na marra. Não há limites para ação dos esquerdistas. Leiam o que segue:

Ataque e vandalismo contra a Cúria da Paraíba

Aos prezados amigos que me enviaram mensagens de apoio solidário sobre o meu posicionamento tomado a respeito da controversa questão do “limite de propriedade e de produção”, tomo a liberdade de lhes enviar dois artigos, em anexo.


Aproveito para relatar o fato ocorrido por ocasião do “Grito dos Excluídos”, na tarde do dia 1º/09 pp. Em frente à Cúria Metropolitana, um pequeno grupo de manifestantes leu um texto com expressões agressivas à minha pessoa, referindo-se a um artigo meu sobre o limite de propriedade.

Embora fossem poucos, apresentaram-se como representantes de cerca de 50 entidades, algumas citadas no texto lido, publicado pela “Adital”, na internet.

Entre os poucos manifestantes pode-se reconhecer pelas fotos alguns membros da CPT e um “assessor” de deputado do PT, candidato à reeleição, num carro de som, comandando palavras de ordem.

Numa atitude de vandalismo, toda a fachada artística e patrimonial da Cúria foi pichada com frases de protestos e reivindicações. Antes da Cúria se dirigiram à Procuradoria da Justiça do Estado (PB) onde picharam também aquele prédio.

Documentamos a frase: “Exigem a liberalização do aborto e o limite de propriedade”.

Dispensam-se comentários.

A Igreja defende e promove a vida e a família! O artigo 5º da Constituição Federal vincula ao direito de propriedade o direito à vida e sustento da família, através do trabalho.

É estranho como certos militantes dos movimentos sociais, de organizações populares, partidos políticos (etc), defendem a democracia, em tese. Na prática não admitem opiniões opostas. Temem e tentam reprimir a liberdade de expressão dos que contrariam seus intentos.

Com a minha gratidão, sigo com uma reflexão sugestiva.

Aprofundemos nossas reflexões a partir da Palavra de Deus, do Catecismo da Igreja Católica e do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que abordam os assuntos como estes, equidistantes de ideologias partidárias.

Fiquemos ao lado de Jesus Cristo e de seu Evangelho para estarmos sempre mais do lado do povo e ao serviço de todos!

+ Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

FONTE: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2010/09/08/nota-de-d-aldo-pagotto-arcebispo-da-paraiba/

14 de setembro de 2010

LULA: PROMOTOR DE DITADORES

Lula: promotor de dictadores.

Las más recientes acciones de política exterior impulsadas por el presidente del Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, merecen un detenido análisis en nuestro país, no solamente por el nivel de incoherencia que las mismas evidencian, sino también porque, de alguna manera, la controvertida forma de actuar del Mandatario brasileño está comprometiendo la imagen externa del Mercosur, y, por ende, la de nuestro propio país como miembro activo de este proceso de integración regional.

Del gobierno encabezado por Lula se podría afirmar lo que en otra época se decía sobre el estilo de gestión que caracterizaba al entonces oficialista Partido Revolucionario Institucional (PRI) en México: “derecha para adentro, izquierda para afuera”. En efecto, la actual administración brasileña se ha mostrado celosamente ortodoxa en el manejo de la economía del país –lo cual en sí mismo es un hecho auspicioso–, hasta el punto que el ex presidente Fernando Henrique Cardoso manifestaba años atrás que su sucesor en Brasilia era mucho más conservador que él en esa materia.

Sin embargo, en el ámbito de la política exterior, la ideología izquierdista impregna la mayoría de las acciones implementadas por Lula. De manera entusiasta, por ejemplo, se ha declarado un gran defensor de la tiranía teocrática iraní, encabezada por el despótico Mahmoud Ahmadinejad, cuyo régimen recibió las recientes sanciones del mismísimo Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas por su amenazante campaña de proliferación nuclear.

Días atrás, por su parte, recibió con grandes honores en Brasilia a otro autócrata del Medio Oriente, el presidente de Siria, Bashar al-Assad, en el poder desde el año 2000, cuando heredó de su totalitario padre, Hafez al-Assad, el gobierno de su país. La familia “imperial” de Damasco lleva 40 años decidiendo por sí misma los destinos de aquella nación asiática.

Insólitamente, Lula y al-Assad se refirieron a la posibilidad de que Siria y el Mercosur integren sus economías mediante la suscripción de un acuerdo de libre comercio, o de otro tipo de asociación estratégica. Cabe recordar que tanto el régimen de Siria como el de Irán son acusados de promover el terrorismo internacional, imputación que proviene no solamente del Gobierno de los Estados Unidos, sino también del de la República Argentina, que llegó incluso a ordenar la captura internacional de varios líderes iraníes por su implicación en el atentado contra la Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA), en 1994.

En los últimos días, Lula encabezó a su vez una gira por países africanos que lo llevó en visita oficial a Guinea Ecuatorial, donde mantuvo un “cordial” encuentro con el dictador de ese sojuzgado país, Obiang Nguema Mbasogo, quien se encuentra en el poder desde el año 1979.

Respondiendo a las críticas que generó este encuentro, el ministro de Relaciones Exteriores del vecino país, Celso Amorim, argumentó que en su gobierno “no estamos ayudando ni promoviendo una dictadura”. Cuestionó la “prédica moralista” de algunos, rematando su infeliz declaración con la máxima de que “negocios son negocios” y que bajo este principio su país debe “trabajar normalmente” con la comunidad internacional.

La hipocresía de Lula y de su canciller alcanza niveles realmente dramáticos. La “prédica moralista” que ahora cuestiona Amorim es la misma que su presidente aplicó cuando amenazó con dejar de asistir a la pasada Cumbre Unión Europea-América Latina si el jefe de Estado de Honduras, Porfirio Lobo –electo democráticamente por su pueblo–, se presentaba en el encuentro birregional.

La ética tampoco parece atribular la conciencia del presidente brasileño cuando se empecina en incorporar como socio pleno del Mercosur a la sufrida Venezuela, oprimida por el dictador Hugo Chávez, sin hacer la menor mención a la cláusula democrática del bloque ni al profundo deterioro institucional que vive esta hermana nación latinoamericana. Solo importa su petróleo; de principios, ni hablar. Tiene razón Amorim, “negocios son negocios”.

Que Lula comprometa el prestigio internacional de su gobierno y ....

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Fonte: http://www.abc.com.py/nota/147871-lula-promotor-de-dictadores/

11 de setembro de 2010

Se a Constituição valesse para todos, o presidente da República já teria sido demitido por abandono de emprego

11/09/2010

às 12:00 \ Direto ao Ponto
Coluna do Augusto Nunes.

Se a Constituição valesse para todos, o presidente da República já teria sido demitido por abandono de emprego

Na semana de 30 de agosto a 5 de setembro, o presidente da República foi chefe de governo durante 6 horas e chefe de campanha eleitoral nas 162 restantes. No dia 3, uma quarta-feira, Lula surpreendeu os porteiros, ascensoristas e secretárias do Palácio do Planalto ao aparecer por lá perto das 10 da manhã. Despachou até as 11 com a chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, almoçou com o presidente colombiano Juan Manuel Santos até as 3 da tarde, conversou por 30 minutos com o presidente da Telefonica e, às 4, deu por encerrado o expediente. Livrou-se do terno e da gravata, vestiu o uniforme de animador de comício, seguiu para o aeroporto e voou para longe de Brasília.

Como fizera nos três dias anteriores, manteve-se distante da capital nos três seguintes. No domingo, o balanço da semana avisou que o Primeiro Passageiro havia ficado mais seis dias a muitas milhas do local de trabalho. Nunca antes na história desta República um presidente frequentou tão pouco o gabinete e suou tanto a camisa no palanque. E nunca antes neste país um governante viajou com tamanha animação quanto Lula, comprovou o levantamento divulgado nesta sexta-feira pela Folha de S. Paulo.

Entre janeiro de 2003 e agosto de 2010, Lula ficou fora de Brasília 1.103 dias. São três anos. Os passeios internacionais engoliram 1 ano e 3 meses. Os giros pelo país consumiram 1 ano e 9 meses. A milhagem doméstica tem crescido extraordinariamente depois que o dono do Aerolula descobriu que “a maior obra de um presidente é eleger o sucessor”. Desde o começo da campanha eleitoral, aparece no serviço de vez em quando e faz um comício por dia. A sede do Poder Executivo é um palanque em trânsito. Não existem mais assuntos de Estado nem pendências administrativas. Todas as questões se tornaram políticas.

Os números do PNAD aconselharam o chefe de governo a intensificar investimentos em saneamento básico e no combate ao analfabetismo. O chefe de campanha fez de conta que o Brasil está pronto e logo vai virar superpotência. O escândalo da Receita Federal colocaram o Fisco a serviço de quadrilheiros. O chefe de campanha, em cada parada da interminável excursão financiada por quem paga imposto, discursou para socorrer os bandidos e acusar as vítimas. Nada é mais importante que eleger Dilma Rousseff.

Escolher a sucessória não é uma das 29 atribuições do ocupante do cargo, fixadas pelo artigo 84 da Constituição. Governar o Brasil é: de acordo com o capítulo II, compete privativamente ao presidente “exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal”. Os registros na agenda atestam que Lula (sempre sem abrir mão dos incontáveis privilégios que escoltam o salário, como casa, comida e avião de graça) delegou a Erenice Guerra a tarefa que já dividiu com José Dirceu e Dilma Rousseff.

Lula e Dilma acham Erenice uma executiva e tanto. Os brasileiros ajuizados acham que Erenice é a prova de que o país sobrevive a tudo. Até a uma presidente interina comprovadamente especializada em fabricar dossiês malandros, acobertar passos em falso da comandante Dilma e facilitar parcerias que enriquecem o filho espertalhão, como revela a edição de VEJA desta semana.

Se a República fosse uma empresa moderna e o presidente estivesse submetido a mecanismos de controle, Lula seria afastado já no primeiro mandato por absenteísmo contagioso e incitação à vadiagem. Só vai chegar ao fim do segundo porque foi promovido a inimputável pelo Poder Judiciário. Depois de desafiar a legislação eleitoral, desdenhar do Código Penal e revogar todos os códigos morais, Lula está provando que...


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Se a Constituição valesse para todos, o presidente da República já teria sido demitido por abandono de emprego

O PT DE TARSO GENRO E O PTDUTO, VULGO VALERIODUTO.

Foto: Ana Paula Aprato
“Não se trata de requentar matérias, não! Devemos ter memória e rediscutir estas questões"  Deputado Edson Brum.


Edson Brum lamenta que ética e moral política estejam sendo achincalhadas pelo PT .

Leonardo Nunes
PMDB 11:30 - 17/05/2006



 
O deputado Edson Brum, do PMDB, ressaltou a reportagem da revista Veja desta semana com novas denúncias contra o PT, para cobrar ética e lisura do partido que está à frente da Nação brasileira. Segundo ele, os valores morais vêm sendo invertidos pelo Partido dos Trabalhadores que, conforme lembrou, se dizia o maior combatente da corrupção no País. “Antes, quando acontecia um deslize na administração pública, o PT batia muito, criticava e ia para cima dos prováveis responsáveis, inclusive antes de ter provas. Pois o Silvinho Land Rover (ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira) disse o que sabia e foi tachado de louco pelos companheiros”, argumentou Edson Brum, ao apontar que, quando são atacados, a defesa do PT é desqualificar o acusador.


O peemedebista recordou que, da mesma forma, o PT gaúcho tentou desviar suas culpas a respeito de verba recebida de R$ 1, 2 milhão do Valerioduto, informação essa que foi veementemente criticada por David Stival (ex-presidente do Diretório do PT RS, prometeu cortar a mão se isso fosse verdade. Restou provada a verdade, e ele sumiu para preservar a mão. ). “Não se trata de requentar matérias, não! Devemos ter memória e rediscutir estas questões”, frisou. Edson Brum continuou: “Não sei mais o que é verdade e o que não é neste governo do PT. O que antes era mentira agora virou verdade, o que era verdade virou mentira”.

Edson Brum lamentou a decisão judicial que garantiu a troca da pena, acerca do dinheiro do valerioduto, por doação de cestas básicas. “Com todo o respeito! Para compensar o desvio de R$1,2 milhão do dinheiro público, vão pagar cinco meses de cesta básica! O que vou dizer para meus filhos? O que é certo, o que é errado?”, questionou acrescentando: “Infelizmente o Crime Compensou, tal qual o título da matéria publicada na Veja.

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CHICO BUARQUE E O PT.

Revista Veja. Edição 2181, -9/09/2010.
A obra de Chico e a obra do PT se encontram. Chico não se incomoda.  
Um pouco de Chico Buarque dito por ele mesmo em entrevista a Revista TRIP:

"Mas eu fico um pouco espantado com o grau de agressividade das pessoas. Eu conheci o grau de agressividade do PT, sei como é. Eu já falava isso, tem muito chato neste PT. Ficam enchendo o saco da gente, enchendo o saco dos artistas, cobrando isso e aquilo. Isso acho até que vai acabar um pouco, porque acabou a idéia de que o PT é um partido superior aos outros". Chico Buarque.

(...)


Como foi sua experiência com as drogas?  Experimentou um pouco de tudo?

Chico Buarque - Não experimentei tudo. Nunca fui na heroína, nunca me piquei. Foi o básico: fumei, cheirei, tomei ácido. E larguei isso tudo. Na verdade nunca fui um bom maconheiro. Eventualmente posso até fumar. Por exemplo, já me foi recomendado para dormir, eu tenho esse problema de insônia. Mas não dá certo comigo. Não me dá leseira, nem larica. Me deixa excitado. Aí eu preferi a cocaína, mas parei também, parei há muito tempo. Maconha ainda posso eventualmente fumar aqui e ali, não vejo muito mal. Mas não sou adepto.

Você é a favor da legalização de alguma droga?

Chico Buarque - Sou. E cada vez mais. No Brasil, nos países pobres principalmente, a quantidade de vítimas que o tráfico de drogas faz é muito maior que a de vítimas das próprias drogas. No Brasil, no Rio de Janeiro, moleques de nove, dez anos já estão cheirando cocaína, porque manejam, vendem cocaína. Envolve às vezes uma quantidade muito grande de crianças, adolescentes, acaba com a vida dessa gente, morre gente pra burro. Fora a violência toda que o próprio tráfico vai desencadeando. É claro que você não pode pensar em liberar abertamente o consumo de drogas se não tiver um interesse internacional. Senão, cria-se um problema. Você pode ir a Amsterdã e fumar sua baga na e tal, mas não pode sair de lá com o negócio. Se produzissem legalmente cigarros de maconha, se fossem vendidos nas tabacarias, no Brasil, como aliás digo numa música,não vejo que o dano... quer dizer, haveria, claro, um problema de saúde pública, como com o cigarro, como com as drogas farmacêuticas, o consumo de álcool. Há pessoas que entram na viagem e podem virar maconheiros, se tornar inúteis, mas podem se tornar meros consumidores de maconha e ter uma vida completamente normal. Não há comparação com a quantidade de vítimas que o tráfico traz. E mesmo a cocaína. Cocaína é barra-pesada, eu não recomendo a ninguém. Antigamente se vendia cocaína em farmácia. Descriminalizar ou comercializar de alguma forma com assistência médica, com licença ou isso e aquilo, não sei como se chegar a isso. Certamente, há alguma maneira melhor do que permitir que se trafique, porque isso é permitido, todo mundo sabe que há conluio da polícia, e um tráfico aberto faz um número de vítimas muito maior.

Como é sua relação com a política hoje? Você já disse experimentar um certo fastio da política.

Chico Buarque -  Não vejo grandes novidades na política. Nem vejo muito espaço para grandes mudanças, sinceramente. Já não alimentava grandes ilusões de grandes mudanças com o governo Lula. Achava bonito isso, de ele ser eleito. Bom para o país um operário ser eleito e chegar à presidência da República. Mas também não achava que íamos ter transformações profundas na sociedade. É difícil. E agora ficou provado que é mais difícil até do que se imaginava.

Crises do mensalão, CPIs sobre corrupção, a queda do ministro Antonio Palocci, eleições se aproximando... Como você vê esse momento do Brasil e do governo Lula em particular?

Chico Buarque - Não vejo com nenhuma satisfação especial. Não é assunto que me entusiasma, não. Mas,enfim, fazer o quê? Podemos falar disso também, até porque as pessoas estão muito exaltadas. Não sei por que as pessoas estão tão exaltadas assim. A argumentação política cedeu lugar a ofensas pessoais, e parece que isso vai se agravar nestes meses que vêm por aí. Não há muito argumento. Porque no fundo, no fundo, honestamente, não vejo como um próximo governo, com quem quer que seja eleito, possa ser muito diferente desse governo Lula, assim como o governo Lula não foi muito diferente dos governos que o antecederam. As notícias de corrupção, mensalão estão na ordem do dia porque são mais recentes, mas elas também repetem práticas similares de governos anteriores. Todo mundo sabe disso. Claro que o governo do Lula é mais vulnerável hoje porque é a vidraça, porque o próprio PT ajuda a jogar pedra na sua vidraça, ao contrário dos partidos mais conservadores, que, por mais que se debatam lá dentro, não saem atirando uns nos outros. Eu fico vendo este pessoal do PSDB e do PFL indignados na TV. Peraí, vamos falar sério, né? Vocês não podem estar tão indignados, surpresos com o nível de corrupção, que não é maior do que foi no governo anterior. Todo mundo sabe como foi conseguida a malfadada reeleição presidencial [do FHC], que é nociva, na Constituição. Todo mundo sabe o que aconteceu, as falcatruas, as tentativas bem-sucedidas de abafar CPIs. Então fica reduzido a quê? O sujeito gosta deste ou gosta daquele. Ou tem simpatia ou alguma vantagem pessoal a levar com governo tal. Eu não tenho isso, não quero proximidade nenhuma com poder nenhum. Mas eu fico um pouco espantado com o grau de agressividade das pessoas. Eu conheci o grau de agressividade do PT, sei como é. Eu já falava isso, tem muito chato neste PT. Ficam enchendo o saco da gente, enchendo o saco dos artistas, cobrando isso e aquilo. Isso acho até que vai acabar um pouco, porque acabou a idéia de que o PT é um partido superior aos outros. Agora, também não vejo por que nesse clima que se instalou no país as pessoas se sentem no direito de ofender o Lula, de enxovalhar. Qualquer um vai para o jornal e manda "e o Lula?", "é um merda", "é um bosta" . As pessoas não gostam que se diga, mas isso evidentemente traz um preconceito de classe muito forte. São pessoas que não admitem, até hoje não engolem o fato de o Lula ter sido eleito, ter ocupado o Palácio da Alvorada, ele com a dona Marisa. Então, se na próxima eleição os candidatos forem o Lula, o Alckmim, talvez o Garotinho e uma dissidência à esquerda, eu voto no Lula até por isso. Não posso dizer que estou satisfeito com o governo dele, mas não vejo vantagem nenhuma no governo voltar às mãos do PSDB e do PFL. E, se o Lula for reeleito, acredito que ele, ao contrário do Fernando Henrique, possa fazer um segundo mandato melhor do que o primeiro. Até porque estará livre de uma porção de malas e de gente que atrapalhou. Ele vai ter de governar mais, escolher as pessoas, estar mais atento, mais presente. Mas não gosto da idéia de ele sair escorraçado, pela porta dos fundos, as pessoas xingando, quando não fizeram isso com o Fernando Henrique, nem com o Collor ou o Sarney.
(...)
Fonte: http://www.chicobuarque.com.br/texto/entrevistas/entre_trip_0406.htm
** ** **
Agora um Chico Buarque descrito por Reinaldo Azevedo.

"Chico é um idiota político. Foi e ainda é propagandista de uma das ditaduras mais assassinas da terra: a de Fidel Castro, em Cuba. " Reinaldo Azevedo.

14/07/2009  às 5:53
Reinaldo Azevedo
CHICO BUARQUE. OU: CHUTE DEUS, MAS PRESERVE O CHICO

Lá vou eu dedicar um pouquinho das minhas férias a Chico Buarque…

Em 1991, fiz uma resenha de Estorvo, o primeiro romance de Tchico. Quase ao mesmo tempo, Bruna Lombardi lançara Filmes Proibidos. Pediram-me uma resenha de ambos. Lembro que fiz uma piada mais ou menos assim: se é pelos belos olhos, o livro de Bruna é - e é mesmo! - muito melhor. Mas ela foi recebida com o ceticismo que se pode imaginar; ele, com o embevecimento costumeiro e a reverência injustificada da crítica. Estorvo é um livro chato e pretensioso. Desisti do “Chico-enquanto-romancista”. Cai em tentação, anos mais tarde, com Budapeste, ainda mais festejado. E ainda mais chato e mais pretensioso. E fiquei e ficarei nesses dois. Chico não sabe o que é romance — ou, mais amplamente, prosa de ficção. Não como autor ao menos. Ignora as ferramentas para construir uma personagem e tenta compensar a falta de carpintaria com uma linguagem supostamente densa, enfileirando metáforas que conferem à narrativa cediça uma aparência de profundidade filosófica, misturando doses de melancolia de apartamento, pessimismo blasé e desconstrução de moderno romance francês. A parada é indigesta. Sigamos. E vamos começar a desmisturar as coisas para desmitistificá-las.

Chico é um idiota político. Foi e ainda é propagandista de uma das ditaduras mais assassinas da terra: a de Fidel Castro, em Cuba. Não! Isso não faz dele um mau romancista. O que o torna um mau romancista são seus romances ruins. Sua parvoíce ideológica também não compromete a qualidade de suas músicas — das líricas, ao menos, não; as políticas são de doer. Já o critiquei aqui várias vezes e levei porrada de todo lado — e a mais usual, evidentemente, é o famoso “quem é você para criticar Chico Buarque?”. Como, para quem faz tal indagação, ninguém está à altura do ídolo, pouco importa o que ele diga ou faça, a única atitude aceitável é a reverência. Reitero: todas as vezes em que o critiquei, o que pode ser constatado no arquivo do blog, eu o fiz em razão de declarações políticas que ele deu. Não buli com o que chamam, tolamente, a sua “poesia”. Não que não pudesse fazê-lo. Como “poesia”, elas resistem pouco a um escrutínio. Mas o fato é que não o fiz. E, mesmo assim, veio a gritaria: “Quem é você para…?”

O que temos? Porque um ídolo é um letrista apreciado da MPB, um “poeta”, então não pode receber uma crítica de natureza política quando faz uma declaração… política? Tenham paciência! Sim, este texto integra, vamos dizer, o ambiente da gritaria que se seguiu à coluna de Diogo Mainardi na VEJA desta semana. O parágrafo que reproduzo parece dar conta, com eficiência, da questão:

Edna O’Brien conheceu “Chico” uma semana atrás, na Flip, em Paraty. Depois de participar de um debate, ela foi arrastada a um encontro entre Chico Buarque e Milton Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude. O que ela afirmou em seguida, durante o jantar? Que se espantou com a empáfia e com o desconhecimento literário dos dois autores. E o que ela repetiu para mim, alguns dias mais tarde, em outro jantar, no Rio de Janeiro? Que Chico Buarque era uma fraude, que ela se espantou com sua empáfia e com seu desconhecimento literário, e que se espantou mais ainda com sua facilidade para enganar a plateia da Flip.

Qual é o ponto? Edna O’Brien era um dos medalhões da tal Feira de Livros de Paraty. Chico era outro. Resolveram juntar os dois. E ela expressou seu juízo sobre o ídolo brasileiro enquanto leitor e, sei lá como dizer, artífice da literatura. Claro, claro, pode-se dizer que a escritora irlandesa não é de nada, mas o fato é que era uma das grandes convidadas da Flip porque, no ambiente em que Chico decidiu transitar — que não é o do banquinho & violão —, ela é considerada, lamento pelos descontentes, uma autoridade.

De fato, ela foi até mais dura — e o foi publicamente: afirmou que Chico se aproveita também do fato de ser bonito, “como o Steve McQueen”. E revolveu uma polêmica de que os meios culturais brasileiros fogem como o diabo da cruz: “Música popular não é poesia. No Brasil ou em qualquer lugar do mundo”. E não é mesmo!

As reações que tenho lido são as mais estapafúrdias — como já escrevi aqui, estou apanhando por tabela porque publiquei, como faço toda semana, um trecho da coluna do Diogo. Há os nacionalistas furiosos: Edna teria sido indelicada ao falar mal de um brasileiro no Brasil! Santo Deus! Só agora me dei conta de que fui um malcriado quando falei mal de Saramago numa entrevista a uma revista cultural portuguesa! Qual é a regra geral? Devemos sempre exaltar os mitos locais por uma questão de decoro e etiqueta, é isso? Há quem afirme que Diogo bate em Chico “para aparecer”. Convenham: ele nem bateu tanto. O que fez foi reproduzir os bastidores de um encontro literário, o que deveria ser corriqueiro no jornalismo cultural se boa parte dele não vivesse de uma espécie de compadrio moral com os objetos da notícia, pautado por afinidades eletivas — isso na hipótese benevolente. Diogo também infoma que Edna está escrevendo um conto sobre “Tchico”, que recebe, na narrativa, o nome de “Harpo”. É espantoso que nenhum dos furiosos tenha comentado a provocação, que Diogo ainda faz questão de esclarecer: “Como em Harpo Marx”. Mais adiante: “Como Chico Marx”. Definitivamente, o “gauchismo” brasileiro é involuntariamente “grouchista”…

E há quem tenha observado que não podemos misturar as coisas; que Chico é, sim, um grande letrista etc. Não sei o que Diogo pensa a respeito. Jamais conversamos sobre MPB — e creio que jamais o faremos. Mas suas rimas ao violão passaram longe da coluna. O texto trata do Tchico como escritor e como personagem da cena cultural brasileira. E considera-o ao alcance da crítica terrena. Para muitos, esse foi o maior pecado da coluna de Diogo.

A indagação de uma leitora talvez expresse bem o espírito de uma época: “Diogo e você não podem suportar a existência de uma unanimidade? Vão logo partindo para o ataque? Afinal, qual o problema de vocês?”. Bem, a resposta poderia ser longuíssima, deixando claro que ele, eu ou qualquer pessoa intelectualmente honesta não damos pelota pra isso ao escrever; que esse critério não tem a menor relevância etc. Mas seria inútil. Então respondo assim:

“Isso, leitora! Você está certa! Diante das unanimidades, reivindicamos a condição de minoria. Você, como parte da maioria, não pode nos tolerar? Afinal, qual é a o seu problema?”

Fonte: Reinaldo Azevedo

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Este é o Chico Buarque, poderia ter ido morar em Cuba mas preferiu a glamourosa Paris. Mais uma evidência de que o homem tem bom gosto e se preocupa com o povo mesmo: quanto mais distante melhor. Em seus shows, o preço da entrada fixado em valores proibitivos, se encarrega de manter o povo bem distante .

8 de setembro de 2010

PT ameaça Pr. Paschoal Piragine Jr

Julio Severo

Tudo o que ele faz é dizer o óbvio: O PT é um partido comprometido com o aborto e o homossesxualismo. Quem duvidar disso, olhe para Lula, que passou seus oito infames anos de governo lutando para impor o aborto e o homossexualismo no Brasil.

Revoltados e desesperados com o direito de livre expressão do Pr. Piragine, líderes do PT no Paraná, segundo reportagem da Rádio CBN do Paraná, querem processar o pastor. A reportagem completa no link abaixo.

PT ameaça Pr. Paschoal Piragine Jr

7 de setembro de 2010

PT GAÚCHO. O CRIME COMPENSOU. MAIS MOTIVOS ALÉM DA MALDADE SEM PERDÃO(*)

Dinheiro apreendido com petistas. Lula os chamou de aloprados
(*) Maldade sem Perdão: A perda da fábrica de veículos FORD junto com mais de 800 empresas, durante o governo do PT no Rio Grande do Sul. 


O crime compensou

Alexandre Oltramari

A primeira punição do caso mensalão é convertida em multa
 – e dividida em cinco suaves prestações.




Tarso Genro, as cestas básicas e o valerioduto: as dívidas da campanha do ministro foram pagas com dinheiro ilegal .
 
Às vésperas do primeiro aniversário do mensalão, surgiu enfim a primeira punição judicial do caso. Três dirigentes do PT no Rio Grande do Sul, com o objetivo de se livrar do processo e deixar de correr o risco de parar no xilindró, fizeram um acordo com a Justiça: aceitaram doar cestas básicas a uma instituição de caridade em Porto Alegre. A quantidade de cestas básicas é que chama atenção: uma por mês, durante cinco meses. E nada mais. No total, cada réu terá de desembolsar 1.750 reais, divididos em cinco suaves parcelas de 350 reais. Os três dirigentes são réus confessos. Eles admitiram que pegaram 1 milhão de reais no valerioduto e disseram ter usado o dinheiro para pagar despesas de campanha do PT gaúcho. O petista Marcos Fernando Trindade atuava como "mula" do esquema, carregando dinheiro em malas entre Belo Horizonte e Porto Alegre. Quando desembarcava na capital gaúcha, o dinheiro era distribuído pelo ex-presidente do partido, David Stival, e pelo ex-tesoureiro, Marcelino Pedrinho Pies. Agora, cada um vai pagar um salário mínimo a uma instituição de caridade durante cinco meses.

A desproporção entre o crime e a punição só não é maior que o constrangimento que o caso produz para o ministro Tarso Genro, o principal articulador político do governo, em Brasília. O dinheiro que o valerioduto canalizou ao PT gaúcho serviu para pagar despesas da campanha de Tarso Genro ao governo do estado, na qual perdeu a disputa para o atual governador, Germano Rigotto, do PMDB. Do total de 1 milhão do valerioduto embolsado pelo PT gaúcho, a maior parte chegou ao estado em malas. Mas 150.000 reais desembarcaram na arca petista por meio de dois cheques de 75.000 reais, ambos nominais a duas gráficas, a Impressul e a Comunicação Impressa. Em sua defesa, os acusados tentaram isentar Tarso Genro. Disseram que a quantia foi utilizada para saldar papagaios eleitorais, mas que nenhum centavo foi usado na campanha de Genro. As investigações, no entanto, mostraram que essa versão não tinha respaldo nos fatos. Descobriu-se que as duas gráficas brindadas com os cheques de Valério foram fornecedoras da campanha eleitoral de Genro ao governo.

O caso ficou mais incômodo quando se revelou que o Ministério da Educação, durante a gestão de Tarso Genro, entre 2004 e 2005, contratou as duas gráficas por 186.000 reais. O contrato, para produzir folders e material didáticos para o governo, foi feito sem licitação pública. O envolvimento de Genro com o valerioduto no Rio Grande do Sul veio a público há nove meses, mas é um embaraço permanente. Afinal, quando o escândalo do mensalão estourou, em junho do ano passado, Genro deixou o Ministério da Educação para presidir o PT. Chegou com ímpetos saneadores. Anunciou, na época, que o partido precisava passar por uma "refundação" e até propôs que o PT não permitisse que os mensaleiros petistas se lançassem candidatos na eleição seguinte. Como se sabe, não aconteceu nem uma coisa nem outra.

A confortável situação judicial dos mensaleiros gaúchos deve-se a duas razões. A primeira é que, como o mensalão estava sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República, a Justiça gaúcha não podia aprofundar a apuração sobre a origem do dinheiro que abasteceu as arcas petistas no Rio Grande do Sul. Por isso, o promotor que cuida do caso, Ivan Melgaré, só pôde denunciar os dirigentes petistas pelo crime de formação de caixa dois. A segunda razão é que, quando um crime tem pena mínima inferior a um ano de prisão, como é o caso, a Justiça é obrigada a oferecer ao réu a substituição da prisão por uma pena alternativa, como a doação de cestas básicas. Os petistas dos pampas toparam na hora. Sugeriram apenas uma alteração, aceita pela Justiça. Em vez de pagar tudo de uma vez, como propôs o Ministério Público gaúcho, pediram para parcelar a dívida. Assim, todo dia 5 de cada mês, a antiga cúpula do PT gaúcho vai ao Lar de Santo Antônio dos Excepcionais, em Porto Alegre, e recolhe 350 reais aos cofres da instituição.

FONTE: Revista Veja, Edição 1956 de 17/05/2006, aqui.

Posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010.

Prefeito prevê levante em Guaíba

Fonte: Blog da Rosane de Oliveira
26 de abril de 2010


Indignado com o estudo encomendado pela Funai e que pode resultar na transformação da área do Distrito Industrial de Guaíba em reserva indígena, o prefeito Henrique Tavares disse no Gaúcha Atualidade que a população poderá promover um levante se o governo inviabilizar os investimentos previstos para a região. Tavares vai se encontrar daqui a pouco com o senador Sérgio Zambiasi para pedir que a bancada gaúcha se mobilize contra a possível criação da reserva.

Tavares estranha que o assunto volte à tona cada vez que se discute um investimento para Guaíba e seja esquecido quando o empreendimento não se confirma, como ocorreu com a Ford e a Toyota.

Ouça a entrevista:

Prefeito prevê levante em Guaíba

UMA VITÓRIA DA RAZÃO

Entrevista Demétrio Magnoli

Uma vitória da razão

Para o sociólogo, as últimas eleições mostraram que os brasileiros não se deixam mais levar pela conversa de que toda esquerda é boa e toda direita é má

Diogo Schelp
Lailson Santos

"O PT no poder revelou a esquerda que faz o mensalão, persegue o caseiro e confunde estado com governo e partido"

O paulistano Demétrio Magnoli, de 49 anos, faz parte de uma categoria de intelectuais – rara no Brasil – que se notabiliza tanto pelo conhecimento acadêmico, como pela habilidade para escrever sobre temas complexos de maneira clara e objetiva. Sociólogo e doutor em geografia humana, Magnoli integra o Grupo de Análises da Conjuntura Internacional, da Universidade de São Paulo, e é autor de mais de uma dezena de livros didáticos. Em sua coluna nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, ele expõe análises aprofundadas de política mundial e críticas incisivas às manifestações de pensamento único na sociedade e no governo brasileiros. Magnoli concedeu, descalço, a seguinte entrevista a VEJA, em seu apartamento, em São Paulo.

Os conceitos de esquerda e direita estão ultrapassados?

Não, desde que sejam compreendidos no marco da democracia. No sistema democrático, há uma tensão permanente entre liberdade e igualdade. A primeira está associada à direita democrática, para a qual existe um conjunto indissociável de liberdades: a de expressão e organização, a econômica e a de pluralidade de opiniões. Já o conceito de igualdade está associado à esquerda democrática, que defende a necessidade de restringir um pouco a liberdade econômica para que as desigualdades não cresçam muito. As democracias maduras oscilam entre a direita e a esquerda, em busca ora de mais liberdade, ora de mais igualdade. Essa é a história das eleições na Europa e nos Estados Unidos no último meio século. Acredito que a história do Brasil também será essa. Trata-se de algo muito diferente dos conceitos de esquerda e direita não-democráticas, estes, sim, ultrapassados.

"O filósofo francês Raymond Aron disse que o marxismo é o ópio dos intelectuais. Isso porque lhes oferece a ilusão de que são donos de um saber maior: o do fim da história. É natural que uma ideologia que afirme isso os seduza"

Em certos círculos, dizer que algo é "de direita" serve para desqualificar desde filmes até valores morais. Qual é a explicação para esse uso do termo "direita"?

A palavra "direita" esteve associada no século XX ao fascismo e ao nazismo. Tais regimes foram condenados de maneira absoluta pela população mundial. Em países da América Latina, em particular, a direita foi ligada a regimes militares. Por isso, no Brasil, a expressão "direita" ainda é usada, embora cada vez com menor freqüência, como sinônimo de tudo o que deve ser rejeitado. Já o termo "esquerda" costuma ser relacionado a uma idéia de transformação humanista do mundo, imaginada a partir da Revolução Francesa e das lutas sociais do século XIX. Muita gente esquece que elas, em sua origem, deceparam milhares de cabeças por meio da guilhotina. Assim como esquece a brutalidade do stalinismo e do maoísmo, no século XX.

O senhor acredita que o preconceito contra a direita tende a diminuir?

Sim, e isso acontece quando um país experimenta a esquerda no poder, como é o caso do Brasil, hoje. Nos países de democracia madura, o argumento "isso é de direita" não serve para encerrar uma discussão. Não gosto do governo Lula, mas ele está sendo bom para o nosso amadurecimento político. O PT no poder revelou a esquerda que faz o mensalão, persegue o caseiro, tenta controlar os meios estatais para os seus próprios fins e confunde estado com governo e partido. Com o tempo, os brasileiros vão se convencer de que os partidos de direita e de esquerda devem existir dentro de um mesmo espectro político, desde que aceitem a democracia. Essa mudança de percepção pode ser verificada nas últimas eleições municipais. A classe média de São Paulo, que no passado votou em massa em candidatos do PT, agora elegeu Gilberto Kassab e não o vê como um candidato da velha direita – apesar de pertencer ao DEM, o antigo PFL. Os eleitores não compraram a idéia de que as eleições eram a luta do bem contra o mal, como a campanha do PT tentou vender. O PT imbuiu-se, nessas eleições, da missão de eliminar o DEM. A idéia de eliminar um partido, de centro-direita ou não, é antidemocrática. O que o discurso do PT revela é o desejo de ser partido único. Resultado: a classe média que acreditou no PT agora desconfia de sua natureza democrática.

Pode-se dizer que a ideologia serviu de pretexto para a corrupção do PT?

A corrupção é um fenômeno muito antigo na história do Brasil e completamente suprapartidário. O que espantou muita gente foi o estilo PT de corromper – e que, claro, tem a ver com a sua visão de mundo. O partido apresentou um modo centralizado de praticar a corrupção. Ao contrário da prática tradicional, feita em nome de interesses localizados, o PT deliberou e organizou a corrupção a partir da sua cúpula. Isso provocou uma ruptura muito grande entre o partido e boa parte do seu eleitorado tradicional, principalmente nas grandes cidades.

A vontade de ser partido único não é um anacronismo?

A verdade é que a queda do Muro de Berlim fez muito mal ao PT. O fracasso da União Soviética e de seus satélites no Leste Europeu tirou de cena o foco da crítica petista, que em sua origem repudiava o chamado socialismo real. A partir daí, o partido tomou um rumo regressivo e foi dominado por três grupos. O primeiro é a corrente de origem castrista, representada, entre outros, por José Dirceu. O segundo é o dos sindicalistas, notadamente os que controlam a CUT. O terceiro é formado pelas correntes católicas ligadas à Teologia da Libertação, cujo principal representante é Frei Betto, que foi um alto assessor de Lula. Com isso, o PT adotou uma ideologia retrógrada do estado como salvador da sociedade. Deixou de fazer qualquer crítica ao socialismo real – a não ser em dias de festa, em documentos para inglês ver – e passou a falar como um velho partido comunista de outros tempos. O PT se tornou uma agremiação de esquerda estatizante, para a qual a história é uma ferrovia cujo destino final é a redenção da humanidade – e que vê a si própria como a locomotiva do comboio. Esse é o conceito de história que deveria ter desaparecido depois de 1989, com a queda do Muro de Berlim. Ao encampá-lo, o PT se tornou uma espécie de relíquia.

Por que a universidade brasileira ainda é um centro irradiador do marxismo?

Isso é verdade apenas em parte. Há bastante crítica à esquerda tradicional e stalinista nas universidades. Mas, sem dúvida, é fato que existe um apoio grande a essa ideologia no meio acadêmico. O filósofo francês Raymond Aron (1905-1983) disse que o marxismo é o ópio dos intelectuais. Isso porque o marxismo lhes oferece a ilusão de que são donos de um saber maior: o do fim da história. Como conseqüência, os intelectuais teriam a função de dirigir a sociedade. É natural que uma ideologia assim os seduza. Afinal de contas, dá a eles uma perspectiva de poder, influência e prestígio que o simples compromisso com a democracia não permite.

O que explica a ascensão dessa esquerda obsoleta em países da América Latina?

A falta do espelho do socialismo real na União Soviética e no Leste Europeu faz com que a esquerda latino-americana se entusiasme com governantes como Hugo Chávez. A esquerda latino-americana ainda imagina que deve construir o mundo de novo. Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Lula são muito diferentes entre si. Mas o que há em comum entre os partidos e os movimentos que apóiam esses governantes é a noção do estado como instrumento de salvação. Essa é uma idéia fundamentalmente antidemocrática. Não há nada parecido com isso fora da América Latina.

"A hostilidade à liberdade de imprensa é tão ampla no PT que apareceu em uma resolução oficial da direção nacional do partido, durante o escândalo do mensalão. O documento acusava os veículos de comunicação de golpismo"

Quem são os principais entusiastas de Chávez no Brasil?

Não é verdade que o PT como um todo siga Chávez, mas existem no seu interior correntes que o fazem. O chavismo exerce forte sedução sobre a sua Secretaria de Relações Internacionais. Acho triste que a direção nacional do partido tenha chegado ao ponto de soltar uma nota oficial em apoio ao fechamento, por motivos políticos, do canal venezuelano RCTV. Essa nota não foi contestada pelos parlamentares do PT de quem se esperaria uma palavra em defesa da democracia, como Eduardo Suplicy e José Eduardo Cardozo.

Como o senhor avalia a política externa brasileira?

A política externa brasileira tem duas cabeças. A oficial, que segue a linha histórica do Itamaraty, e a extra-oficial, que é a política externa do PT, representada por Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, que boicota a diplomacia tradicional. Garcia acha que a integração latino-americana deve ser feita em bases nacionalistas e antiamericanas, quase chavistas. Ele recusa que a América do Sul deva participar da globalização – o que significa recusar a realidade. Por isso, o Brasil deixou de falar duro com Evo Morales diante do aparatoso cerco militar às instalações da Petrobras, das intimidações contra agricultores brasileiros na Bolívia e da ruptura unilateral de contratos que estabeleciam o valor das refinarias. Logo, logo vamos ter uma crise no Paraguai. Temo que o governo Lula faça pouco para defender os agricultores brasileiros naquele país.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, o processou em 2006 e depois retirou a acusação. O que ocorreu?

Ele abriu um processo em razão de um artigo que escrevi, intitulado "Ministério da classificação racial". No ano anterior, Tarso Genro, o ministro itinerante do governo Lula, ocupava a Pasta da Educação e determinou que as escolas brasileiras passassem a incluir o item "raça/cor" nas fichas de matrícula dos alunos. Tarso Genro abriu um processo penal contra mim – e por meio da Advocacia-Geral da União – porque critiquei essa medida. Quando foi indicado para o Ministério da Justiça, ele retirou o processo. Imagino que considerou constrangedora a possibilidade de um ministro da Justiça perder um processo. Sabe-se que Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, abria processos em grande quantidade contra jornalistas, para intimidá-los.

Essa estratégia de intimidação, aliás, passou a ser muito usada por setores do governo.

Existem divergências dentro do governo sobre liberdade de imprensa. Alguns membros do governo e do PT acham que se trata de um valor fundamental. Outros, e são muitos, acreditam que o país ideal é Cuba, onde há um partido único e um jornal único. A hostilidade à liberdade de imprensa é tão ampla no PT que apareceu em uma resolução oficial da direção nacional do partido, durante o escândalo do mensalão. O documento acusava os veículos de comunicação de golpismo.

No início da década de 90, os pais dos alunos de um colégio tentaram impedir que um professor adotasse um livro seu, sob o argumento de que o senhor era comunista. Sua visão de mundo mudou ou os pais estavam errados?

Minha visão de mundo não é a mesma de vinte anos atrás nem, menos ainda, a de trinta anos atrás. Na faculdade, nos tempos da ditadura militar, eu participei de uma organização trotskista, a Liberdade e Luta (Libelu), cujo verdadeiro nome era Organização Socialista Internacionalista. Quando escrevi meus primeiros livros, no entanto, já havia rompido com a organização e não me via mais como alguém de esquerda ou comunista. Meu primeiro livro didático, de 1989, era detestado pela esquerda. Talvez os pais desse colégio estivessem um pouco assustados com fantasmas do passado.

Como é a relação com os seus amigos que ainda nutrem admiração por figuras como Che Guevara e Hugo Chávez?

Eu não tenho amigos que gostam de Hugo Chávez, Che Guevara ou Fidel Castro. Simplesmente porque nunca tive amigos stalinistas. Eu tenho amigos que os trotskistas consideram pertencentes à direita feroz. Quando convido todos para uma mesma festa, começa um debate que, obviamente, nunca vai terminar. O debate político não deve impedir as pessoas de se tratar decentemente, mas a atividade intelectual pressupõe o exercício da crítica. Intelectuais que elogiam governos têm algum problema. Provavelmente querem um emprego.

Fonte: Revista Veja, Edição 2085, 05/11/2008, aqui.

DEMÉTRIO MAGNOLI NO RODA VIVA.

Demétrio Magnoli

Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
Demétrio Magnoli, 52 anos, é paulistano com uma extensa folha de serviços prestados a universidades, editoras e organizações internacionais, sobretudo na área de geografia política. Ele é também colunista dos jornais O Estado de S.Paulo e O Globo.

Livros de autoria de Demétrio Magnoli, aqui.

Entrevistadores.
Marília Gabriela - Apresentadora e mediadora.
Augusto Nunes, Jornalista
Paulo Moreira Leite, Jornalista
Paulo Lins, Escritor e roteirista
Delmo Moreira,Editor executivo da revista ISTOÉ.

Um pequeno trecho dos momentos finais da entrevista. Trata-se de uma transcrição sem compromisso com a exatidão dos termos utilizados pelos participantes.

Marilia Gabriela - Qual o motivo para o silêncio dos intelectuais?.


Demétrio Magnoli - Grande parte da intelectualidade foi seduzida pelo PT, que parecia um partido de esquerda dissociado da herança stalinista. Com a chegada do PT ao poder e diante da sucessão de escândalos que se seguiu, preferiu o silêncio frente a uma situação na qual toda uma perspectiva se quebra, mesmo assim prevalece entre eles a ideia de que ser de esquerda é estar do lado certo. Eu era Trotskista, renegava e continuo renegando o stalinismo. A ideia de que o destino da humanidade está num livro, num partido, é uma ideia marxista é totalitária. Se um partido é o certo, todos os outros são inimigos do povo e devem ser eliminados. Uma vez eliminados resta o estado totalitário. Eu ainda defendo ideias de esquerda de que todos tem direitos iguais.

Paulo Lins - A sociedade brasileira é racista?

Demétrio Magnoli - Tem racismo mas não é racista, setores da polícia são contaminados pelo racismo, porém não é correto afirmar que a polícia é racista.

(...)
Paulo Lins - Tem racismo em todo lugar, ali na esquina, aqui é um exemplo só tem eu de negro.

Demétrio Magnoli - Paulo, eu espero que todos aqui tenham sido convidados a participar deste programa por suas trajetórias, pela importância e capacidade de contribuir com o debate.

(...)
Paulo Lins - Eu não gosto do Brasil, me sinto discriminado, esta discriminação atinge igualmente negros ou pardos.

Demétrio Magnoli - O jornalismo trabalha com fatos, é preciso distinguir os Estados Unidos onde existiu uma estrutura de leis de segregação racial, do Brasil onde isso não existe. A escravidão não precisou do racismo para existir, este surge após o fim da escravidão para continuar separando as pessoas.

(...)
** ** **
A íntegra da gravação desta entrevista pode ser vista em vídeo aqui.

6 de setembro de 2010

PT, MAIS DETALHES SOBRE A VANGUARDA DO ATRASO.

Já publiquei um post sobre o livro "Vanguarda do Atraso" de Diego Casagrande, com um link para uma matéria mais detalhada sobre esta importantíssima obra, então resolvi postar a íntegra da matéria sobre este capítulo nefasto para o Rio Grande do Sul, pois como você lerá na matéria,  nunca é demais lembrar: quem não conhece a história, está condenado a repeti-la.

Segue a íntegra da matéria.

. "Vanguarda do Atraso - Ameaças à liberdade de expressão durante o governo do PT no Rio Grande do Sul". Diego Casagrande entrevista os seguintes intelectuais:


José Barrionuevo, Hélio Gama, Denis Rosenfield, Políbio Braga, Érico Valduga, Paulo Moura, Rogério Mendelski, Gilberto Simões Pires, Jair Krischke e José Giusti Tavares.

A respeito do livro, veja texto abaixo:

Governo Olívio Dutra: dias de fascismo guasca

O livro de 2006, "Vanguarda do Atraso - Ameaças à liberdade de expressão durante o governo do PT no Rio Grande do Sul", editado pelo jornalista Diego Casagrande, apresenta a entrevista com alguns dos jornalistas e intelectuais gaúchos que foram processados pelo PT durante o governo de Olívio Dutra, a saber: José Barrionuevo, Hélio Gama, Denis Rosenfield, Políbio Braga, Érico Valduga, Paulo Moura, Rogério Mendelski, Gilberto Simões Pires, Jair Krischke e José Giusti Tavares.

Vejamos o prefácio do livro, para conhecermos como foram esses "dias de fascismo guasca":

"Prefácio

Sim, tivemos nossos dias de fascismo guasca. Se houve na história contemporânea do Rio Grande do Sul um grupo político tão avesso e refratário a críticas, este grupo foi o que integrou e apoiou o governo petista de Olívio Dutra (1999-2002). Pressões políticas, econômicas, intimidação policial e processos judiciais foram a tônica daquele período que não deixou saudades. Em nome de um socialismo ultrapassado, crivado de idéias e ações de caráter totalitário, o grupo fez o que pôde para atropelar as liberdades. Quase conseguiu. Para tanto, contou com o conivente silêncio de setores importantes da sociedade gaúcha, do espectro econômico ao intelectual. Não contavam, entretanto, com a resistência daqueles que não professam a democracia apenas nos discursos, mas também na prática incessante de defender o direito de pensar e expressar livremente o que pensam. E estes poucos pagaram de variadas formas. Uns perdendo seus empregos. Outros, perdendo processos na Justiça. E mais alguns encarando o desapontamento com a inglória tarefa de enfrentar um Golias chamado Estado, aparelhado para lhes oferecer uma perseguição implacável.

A democracia é linda, carregada de virtudes na essência, mas não raro em regiões pouco acostumadas a ela, acaba usada por aventureiros descompromissados com seus real sentido de respeitar leis, promover o bem estar geral e, essencialmente, conviver com a divergência. Costumo chama-los de sabotadores da democracia. São pessoas que vivem da política, militam nela, sobrevivem graças a ela e valem-se da liberdade para ali adiante tentar usurpa-la. Para estes, o partido e as metas ideológicas estão acima de tudo e justificam quaisquer maldades que possam sair dessa caixinha vermelha. Os conhecidos Processos de Moscou, empoeirados pela história, parecem ter renascido aqui em dado período histórico.

Quando o grupo do sindicalista bancário Olívio Dutra esteve no comando do governo gaúcho, houve a tentativa de usurpar nosso direito de opinar, criticar, divergir e pensar. Foram tempos difíceis, em que jornais e jornalistas conviveram com ameaças, desrespeito e intolerância. Tudo à luz do dia e em pleno regime democrático. Eu mesmo, diretor e editor de um site de opinião na internet, tive o contrato rompido unilateralmente pela Procergs/Via RS, responsável até então pelo envio de minha newsletter diária. É apenas um exemplo de como uma empresa de governo pode ser aparelhada para perseguir.

Fora da esfera da imprensa também foi um período duro, marcado por episódios grotescos de desprezo sistemático pelas instituições democráticas. Cito alguns casos, apenas para reavivar a memória de como os gaúchos foram afrontados pelos poderosos de plantão:

. Bandeira de Cuba, uma ditadura, hasteada na janela do Palácio Piratini no dia da posse de Olívio Dutra

. Destruição – com paus, pedras e coquetéis molotov – do relógio alusivo aos 500 anos do descobrimento do Brasil. O fato teve a participação de membros do governo e a anuência do governador

. Lavouras de pesquisa científica foram destruídas por hordas de convidados oficiais do Fórum Social Mundial, muitos deles com passagens e estadia pagas com dinheiro dos contribuintes gaúchos

. Invasão de lojas do MacDonald’s, com atos de violência contra os clientes

. Audiência oficial e privada do governador com liderança terrorista das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo comunista responsável por milhares de assassinatos e mantido com dinheiro do narcotráfico

. Tentativa de sucatear a Escola Tiradentes, da Brigada Militar, uma das mais importantes do RS

. Abraço fraterno do secretário de Segurança, José Paulo Bisol, ao seqüestrador de uma lotação que manteve várias pessoas reféns durante horas

. Partidarização e ideologização da TVE, com uma porta invisível que impedia os divergentes de participar de programas da emissora

. Bandeira do MST na sala do secretário da Agricultura, Hermeto Hoffmann

. O uso de um boné do MAB, grupo ligado ao MST, pelo secretário de Segurança e o comandante da Brigada Militar, desautorizando o cumprimento de decisões judiciais pela polícia

. A ordem para que em todos os telefonemas atendidos nas repartições públicas fosse dita a frase: governo democrático e popular!

. A edição de cartilhas de lavagem cerebral nas escolas públicas

Expulsão da montadora FORD, que assim como a GM, estava praticamente instalada no RS. Em apenas 5 anos na Bahia, dobrou o PIB per capita daquele estado

. Tentativa de invasão do jornal Zero Hora

Estes são apenas alguns entre centenas de eventos marcantes e notórios que tiveram o Rio Grande do Sul como palco naquele conflitado período. Mas também houve outras tantos atos de desrespeito e atentados à liberdade de expressão que passaram ao largo do conhecimento público. É certo que ficaram marcados na história daqueles que foram alvo de tais barbaridades. É este o enfoque de VANGUARDA DO ATRASO, singela contribuição democrática de um grupo de cidadãos. Uma obra constituída a partir de entrevistas com profissionais de comunicação e intelectuais que viveram as pressões e refletem a respeito. Este livro não é meu, é nosso. E acredito que passa a ser registro histórico importante.

Porque nunca é demais lembrar: quem não conhece a história, está condenado a repeti-la.

Diego Casagrande – jornalista”


Algumas frase dos jornalistas entrevistados:


JOSÉ BARRIONUEVO – 59 anos, jornalista, ex-colunista dos jornais Correio do Povo e Zero Hora:

“O governo Olívio tentava te colocar a todo o momento como um canalha, te transformando em inimigo do progresso, um cara conservador, retrógrado. E como representavam a Honestidade, quem não estava com eles era o próprio mal”.

“Me sentia numa republiqueta, as pessoas amordaçadas, caladas, anestesiadas, não viam o que estava acontecendo aqui”.

“Às vezes fico pensando: será que aconteceu mesmo isso? O PT podia tudo! Eu me perguntava: Mas até quando o PT poderá tudo?”

“Foi um tempo de censura. Nunca tantos jornalistas foram processados. Esta é a cena que deve estar bem presente, no que se refere ao autoritarismo deles com relação à imprensa”.

“Grande parte do Judiciário também fazia salamaleques ao PT, estava encantada”.

“Há cinco ou seis anos, no primeiro Fórum Social Mundial, a grande atração do evento foi o representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC. Lotou o velho teatro do IPE. Havia mais de 400 pessoas na porta. De repente, os derrotados no mundo se voltaram para Porto Alegre. As FARC, o José Bové e o presidente do Parlamento cubano”.


HÉLIO GAMA – 62 anos, jornalista, especializado em coberturas econômicas, ex-diretor regional da Gazeta Mercantil, e atual editor-chefe do jornal semanal OI:

“Foi chocante para mim, porque eu perdi amigos, as pessoas pararam de falar comigo, tanto na Gazeta Mercantil como no OI nós paramos de ter fonte na Prefeitura. Não davam informação. Em várias áreas da Prefeitura diziam que éramos pessoas não-gratas”.

“Tínhamos um contrato de publicidade, de patrocínio. Mais ou menos 20 por cento do faturamento da Gazeta Mercantil no RS estava de alguma forma ligado a áreas do governo do Estado. Em razão da área legal, a Gazeta era a comunicação legal do Banrisul, da Procergs, da CEEE, uma série de empresas das quais nós publicávamos os balanços. Assumiu o governo e... bingo! Cortaram tudo”.

“Me chamaram no Ministério Público. Fui lá. Entro já com aquele clima, o cara com a minha letter na frente. Daí ele me disse: ‘Olha, eu lhe chamei a pedido do governador do Estado, que pediu para abrir um processo por causa dessa sua letter’. Eu disse: ‘Tá, e aí?’ Daí ele disse: ‘É um primeiro contato que eu gostaria de ter com o senhor para que me explique as suas posições’ ”.

“As agências de publicidade foram muito influenciadas, porque foram formados núcleos petistas para atender o governo do Estado. E as agências então começaram a ampliar a área de castigo também para áreas privadas”.

“No dia 28 de fevereiro eu saí da Gazeta. No dia 1º de março, saiu um anúncio de página inteira do governo do Estado no jornal. Página inteira. Esse tipo de coisa é maldade pura, porque vai muito além do que tu podes imaginar”.


DENIS ROSENFIELD – 55 anos, filósofo, formado pela Universidade Nacional Autônoma do México e Doutor de Estado pela Universidade de Paris. É articulista de O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, entre outros, e do site www.diegocasagrande.combr.

“Quando eles chegam ao poder, retomam aquela postura revolucionária que continuava presente, mas estava um pouco em desuso na Prefeitura. E atualizam esse linguajar revolucionário e começam a se pautar por ele. É quando retomam as tendências autoritárias do socialismo”.

“A expulsão da Ford foi um prejuízo muito grande sofrido pelo Estado, realmente poderia ter aumentado o setor automotivo e toda cadeia produtiva de uma montadora. E você vê o sucesso que á a Ford na Bahia, das indústrias que seguem em pleno desenvolvimento lá. Ou seja, Antônio Carlos Magalhães está aí, rindo sozinho. Rindo do quê? Da nossa tristeza, rindo dos nossos problemas, porque um governador irresponsável expulsou uma grande montadora do Estado”.

“Minha acidez em relação ao PT e as minhas posições cada vez mais críticas, ocorreram a partir do momento em que eu me dei conta de que aquele socialismo envergonhado não perderia a vergonha. Ou seja, que faria uma tentativa de cunho revolucionário como correspondia à tradição histórica do partido, que tem os seus ícones em Lênin, em Trotski, em Fidel Castro, em Guevara. Eu achei que isso estava em processo de superação. A minha surpresa foi que não, eles estavam realmente ainda acreditando nisso”.


POLÍBIO BRAGA – 65 anos, jornalista e advogado, ex-colunista dos jornais Correio do Povo e Zero Hora. Atualmente escreve no jornal O Sul e edita o site www.polibiobraga.com.br.

“O governo Olívio fez comigo, em síntese, praticamente tudo o que podia fazer: cortou-me todas as fontes de suprimento de informações, me tirou o emprego e tentou me botar na cadeia”.

“No final do governo Olívio, eu estava a ponto de pedir ajuda para a Associação Protetora dos Animais, e só não fiz isso porque o Movimento de Justiça e Direitos Humanos me acudiu antes. A mim e a outros jornalistas, dando suporte para que pudesse me manter ainda com alguma dignidade no que estava fazendo”.

“A Caldas Jr. foi a principal aliada na mídia de todo o governo do Olívio. E o Renato (Renato Ribeiro, dono da Caldar Jr.) teve as vantagens decorrentes disso, que eu acho natural. Porque, sempre a principal aliada dos governos foi a RBS. No caso do governo do Olívio, não foi”.

“A instalação do governo do PT na Prefeitura de Porto Alegre significou também um plano diabólico de amordaçamento da imprensa aqui do RS”.

“O PT do RS e os governos que ele teve aqui tinham um viés stalinista. Eles tinham um corte marxista. E na operação de áreas como esta, eles tinham uma prática stalinista’.

“Eu tenho que rir aqui quando alguém da esquerda vem reclamar da imprensa, ou de alguma coisa, porque lá (Cuba) eles não têm nem imprensa. O cara aqui pode reclamar. O que quer a esquerda aqui no meio do jornalismo? Ela quer a imprensa tutelada totalmente pelo Estado”.


ÉRICO VALDUGA – 59 anos, jornalista, ex-chefe de redação da Gazeta Mercantil regional. Foi repórter do Jornal do Brasil, Folha da Tarde, Correio do Povo e O Globo. Atuou em diversos veículos eletrônicos, como Rádio Gaúcha e TV Bandeirantes.

“Eu enfrentei problemas que não tinha enfrentado como editor e colunista de política na Caldas Jr., na época da ditadura militar. O Regime Militar foi, para os jornalistas, mais tolerante do que o governo do PT”.

“O curioso da ação facciosa do PT é que tu podias publicar qualquer inverdade ou meia verdade, se favorecesse o partido”.

“Quantas pessoas tu conheces que empenharam fortunas e empobreceram na política? O PT não. O PT enriquece na política”.

“O PT, como o Partido Comunista, como o Partido Nazista, como o Partido Fascista, como o Fidel Castro agora, não tolera debate. Ou reza pela cartilha, ou é inimigo. E isso é uma brutalidade. Eu sempre achei e vou continuar achando uma brutalidade”.

“A partir do momento em que eles (jornalistas) optaram pela militância, é como se isso fosse uma doença. Eles deixaram de ser jornalistas, de ter garra, de ter aquela gana de bem informar, de dar furo doa em quem doer. Pelo contrário, os bons jornalistas que eu conheço não são petistas. Aliás, eles não são nada. Reservam-se o direito de pensar”.


PAULO MOURA – 46 anos, cientista político, doutor em Comunicação Social. É autor dos livros PT: comunismo ou social-democracia? E O gauchismo no marketing de Olívio Dutra.

“A seção gaúcha do PT brasileiro é a mais à esquerda, a mais ortodoxa do ponto de vista de seguir essa cartilha marxista tradicional. E o que se viu aqui foi a tradução dessa cartilha na perseguição de adversários, nos vários processos contra jornalistas, na beligerância do governo em relação a setores da sociedade”.

“Democracia na história da esquerda e do PT é apenas uma etapa histórica de ocupação do poder. Quer dizer, a esquerda usa a democracia como um instrumento, um estágio do seu processo de tomada do poder. Mas as suas práticas não são democráticas, isso está comprovado”.

“O PT imaginou que havia recebido das urnas um aval para implantar um projeto de esquerda, e quando tentou implantar esse projeto de esquerda, o eleitor que havia votado no Olívo disse: ‘Opa, espera aí. Não foi nisso que eu votei’ ”.

“Os dois pontos mais negativo: o primeiro é esse aspecto autoritário, porque isso não se faz impunemente, isso deixa vestígios. E o pior de tudo foi o atraso que nós tivemos num projeto de desenvolvimento econômico”.

“O processo contra profissionais de comunicação e intelectuais virou uma indústria no governo petista”.


ROGÉRIO MENDELSKI – 63 anos, jornalista, ex-apresentador do programa Gaúcha Hoje, da Rádio Gaúcha. Atualmente, mantém uma coluna diária no jornal O Sul e apresenta seu programa matutino da Rádio Pampa(hoje na Rádio Guaiba - Rede Record).

“Eu era uma pessoa pública. Você era hostilizado quando parava numa sinaleira, especialmente em época de campanha eleitoral. A gente via aquele fascismo hidrofóbico, que as pessoa babavam de ódio”.

”O incêndio do relógio. Aquelas operações de tirar os sem-terra e o secretário botar o boné dos invasores junto com o comandante, numa negociação onde era necessária a intervenção e a força da lei porque havia uma determinação judicial. Aquele gesto do secretário Bisol, saindo do seqüestro daquele lotação, o famoso seqüestro em Porto Alegre, e ele abraçado com o seqüestrador, deixando as vítimas lá. Aquela opção dele foi lamentável”.

“Houve uma investigação provando e levantando questões muito graves de envolvimento do governo com o jogo do bicho: declarações, gravações, proteção aos bicheiros. Isso aí não ficou muito bem esclarecido ainda, mas aquilo ali poderia ter sido um veio de corrupção, um tipo de ‘mensalão crioulo’ ”.

“Me comunicaram: ‘Olha, nós estamos te desligando, estamos te demitindo. As nossas relações mudaram, o presidente Lula foi eleito. Nós estamos querendo tirar essa carga forte de antipetismo que tu desenvolveste no programa’. Eu disse: ‘Não, tudo bem, numa boa’. Fui comunicado nesse tom. Que era em função do governo federal.”

“O governador,numa de suas primeiras manifestações na Federasul, atacou a classe empresarial. Ele disse que era contra o lucro, não é! O lucro é a essência da vida de um empresário”.


GILBERTO SIMÕES PIRES – 63 anos, radialista, administrador de empresas com pós-graduação em marketing financeiro. Edita a webletter de opinião www.pontocritico.com e apresenta o programa semanal Ponto Crítico, no canal 20 da NET.

“Eu sabia que eram mentirosos desde que assumiram a Prefeitura de Porto Alegre. Eles usaram um programa de televisão chamado Cidade Viva, onde tudo era pintado de cor-de-rosa”.

“A Ford virou um símbolo da perda de investimentos. Mas na realidade, foram 835 empresas registradas como desinteressadas no RS”.

“O Brasil sempre fez questão de ser um país de terceiro mundo”.

“Há uma coisa importante na metodologia do governo do PT: tem que liquidar com o rastro. Se existiu um rastro desenvolvimentista, para não ficar com a marca do Britto, tinha que acabar com ele”.

“O Bisol não foi omisso, foi conivente, na medida em que se identificou muito de perto com os sem-terra e com os invasores”.

“Eu denunciei essa mentira e o Ministério Público me exigiu a comprovação. Tive que correr para buscar os contratos e felizmente consegui. Embora não tenha sido o primeiro, o PT foi o mais agudo contrário a quem tivesse o livre-arbítrio do pensar e do dizer”.


JAIR KRISCHKE – 68 anos, ex-presidente e secretário-geral do Movimento de Justiça e Direitos Humanos

“Havia um histórico e uma certa proximidade. Mas, quando chegam ao poder, as coisas se transformam. Porque a nossa relação imediatamente começou a ser muito difícil, por um componente que sempre nos causa muita preocupação: o autoritarismo. Só eles tinham a verdade, só o que eles diziam era o correto”.

“A queima do relógio dos 500 anos foi um ato fascista, com o apoio deste governo e dos pró-homens da Secretaria de Segurança”.

“Fui processado pelo Diretório Regional do PT, pelo Clube de Seguros da Cidadania, que foi uma outra denúncia nossa, da fraude que era”.

“E logo este governo desencadeia uma perseguição aos jornalistas. Porque poderíamos concordar ou discordar, isto não importa. Uma perseguição realmente escancarada, sem limites, chegando ao cúmulo de num determinado momento chamarem um jornalista na chefia da polícia por haver publicado uma matéria que desagradava o governo”.

“Foi um governo que ao longo dos seus quatro anos infernizou a vida de mais de 20 jornalistas, de todas as formas possíveis e imagináveis: processando, perseguindo nas redações, tirando o emprego”.

“Trinta dias depois da posse chega ao meu conhecimento que no gabinete do então chefe de Polícia, em uma reunião com a alta cúpula da polícia, vinte e tantos delegados, diretores, o ilustre chefe de Polícia declarou o seguinte: ‘Está proibida a mordida no jogo do bicho. O que eu estou dizendo é uma ordem’ ”.


JOSÉ ANTÔNIO GIUSTI TAVARES – 72 anos, mestre em Ciência Política pela UFRGS, Doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisa do RJ (IPERJ) e pós-doutorado pela Universidade Notre Dame, em Indiana, EUA.

“O Rio Grande do Sul tem uma tradição autoritária muito forte, é um inconsciente coletivo historicamente acumulado desde o Castilhismo. E nós convivemos com esse maldito subconsciente e não nos damos conta disso. Em função dessa tradição autoritária, é evidente que o PT teve menos resistência e maior motivação no RS do que no conjunto do país”.

“O governo Olívio foi essencialmente autocrático, com todos os traços da autocracia leninista”.

“A política de favorecer o pequeno, aparentemente tão sedutora do ponto de vista de uma concepção de justiça distributiva, revelava uma mentalidade daquele socialismo mesocrático, de pequena propriedade, pós-Revolução Francesa, que foi criticado até por Marx”.

“O Rio Grande ficou marcado, até mesmo para esse pessoal mais lúcido da esquerda, como anedotário”.

“Se um camarada desses, um personagem desses, conseguir ser eleito novamente para o governo do Estado, nós partimos da anedota para a tragédia”.


ANEXO

Como Anexo, o livro "Vanguarda do Atraso" traz cópia da conclusão do processo que foi movido contra Roberto Civita e Diogo Mainardi (revista Veja): "Agora, o Supremo Tribunal Federal, intérprete definitivo da Constituição, vem de afastar dúvidas quanto ao exercício de crítica - epicentro das irritações ditatoriais - em processo de que foi relator o ministro Celso de Mello" (Diego Casagrande, in "Introdução", pg. 9).

O ministro Celso de Mello não deixa dúvidas quanto à liberdade de expressão garantida pela Constituição a todos os cidadãos brasileiros, especialmente aos jornalistas, como se pode constatar em algumas das passagens da Petição Nr. 3486, publicada no Diário da Justiça Nr. 166 do dia 29/08/2005:

"Ninguém ignora que, no contexto de uma sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão penal ao pensamento, ainda mais quando a crítica por mais dura que seja revele-se inspirada no interesse público e decorra da prática legítima, como sucede na espécie, de uma liberdade pública de extração eminentemente constitucional (CF, art. 5º, IV, c/c o art. 220).

Não se pode ignorar que a liberdade de imprensa, enquanto projeção da liberdade de manifestação de pensamento e de comunicação, reveste-se de conteúdo abrangente, por compreender, dentre outras prerrogativas relevantes que lhe são inerentes, (a) o direito de informar, (b) o direito de buscar a informação, (c) o direito de opinar e (d) o direito de criticar.

A crítica jornalística, desse modo, traduz direito impregnado de qualificação constitucional, plenamente oponível aos que exercem qualquer parcela de autoridade no âmbito do Estado, pois o interesse social, fundado na necessidade de preservação dos limites ético-jurídicos que devem pautar a prática da função pública, sobrepõe-se a eventuais suscetibilidades que possam revelar os detentores do poder" (pg. 170-171).

"Lapidar, sob tal aspecto, a decisão emanada do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, consubstanciada em acórdão assim ementado:

Os políticos estão sujeitos de forma especial às críticas públicas, e é fundamental que se garanta não só ao povo em geral larga margem de fiscalização e censura de suas atividades, mas sobretudo à imprensa, ante a relevante utilidade pública da mesma " (pg. 171).

"Na realidade, e como assinalado por VIDAL SERRANO NUNES JÚNIOR ("A Proteção Constitucional da Informação e o Direito à Crítica Jornalística", p. 87/88, 1997, Editora FTD), o reconhecimento da legitimidade do direito de crítica, tal como sucede no ordenamento jurídico brasileiro, qualifica-se como pressuposto do sistema democrático , constituindo-se, por efeito de sua natureza mesma, em verdadeira garantia constitucional da opinião pública :

(...) o direito de crítica em nenhuma circunstância é ilimitável, porém adquire um caráter preferencial, desde que a crítica veiculada se refira a assunto de interesse geral, ou que tenha relevância pública, e guarde pertinência com o objeto da notícia, pois tais aspectos é que fazem a importância da crítica na formação da opinião pública (grifei)" (pg. 172).

"Concluo a minha decisão: as razões que venho de expor leva-me a reconhecer que a pretensão deduzida pela parte requerente não se mostra compatível com o modelo consagrado pela Constituição da República, considerando-se, para esse efeito, as opiniões jornalísticas ora questionadas (Veja, edição de 03/08/2005), cujo conteúdo traduz como precedentemente assinalei legítima expressão de uma liberdade pública fundada no direito constitucional de crítica.

Sendo assim, presentes tais razões, e tendo em vista que este procedimento foi impropriamente instaurado perante o Supremo Tribunal Federal, não conheço da medida proposta pelo Advogado ora requerente.

Arquivem-se os presentes autos (RISTF, art. 21, §1º), incidindo, na espécie, para tal fim, a orientação jurisprudencial firmada por esta Suprema Corte (Pet 2.653-AgR/AP, Rel. Min. CELSO DE MELLO MS 24.261/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO - AO 175-AgR-ED/RN, Rel. Min. OCTAVIO GALLOTTI, v.g.).

Publique-se.
Brasília, 22 de agosto de 2005.
Ministro CELSO DE MELLO
Relator" (pg. 175).

Fonte: Usina de Letras

DIPLOMACIA DE PALANQUE

Leia abaixo, parte da entrevista de Roberto Abdenur, que foi embaixador do Brasil em Washington no primeiro mandato de Lula, nas Páginas Amarelas da VEJA desta semana.

Revista Veja 08/09/2010.
Por Diogo Schelp:


“Aceita um copo d’água. um café ou, quem sabe, um pouco do caviar que me envia sempre um certo amigo iraniano?”, oferece Roberto Abdenur, de 68 anos, ao receber a reportagem de VEJA em seu agradável apartamento no Rio de Janeiro, No humor característico dos diplomatas, a referência ao caviar é apenas uma ironia sobre um dos temas que deixam estupefatos especialistas em política externa, a estreita relação do governo brasileiro com o regime do iraniano Mahmoud Ahmadinejad. As ambições nucleares e a violação assumida de direitos humanos, como o apedrejamento de mulheres por adultério, fizeram do Irã um pária internacional. Com seus 44 anos de carreira diplomática, três deles como embaixador em Washington durante o primeiro mandato do presidente Lula, Abdenur é uma das pessoas mais habilitadas para avaliar o Brasil no quadro diplomático mundial. Na entrevista a seguir, ele demonstra o seu assombro diante da maneira como os preconceitos ideológicos e o gosto de Lula por um palanque prejudicaram a imagem do Brasil no exterior.

(...)
Como o senhor avalia as relações do governo brasileiro com o presidente venezuelano Hugo Chávez?

Roberto Abdenur - É uma aberração diplomática. O Brasil é condescendente com Chávez. com Evo Morales, da Bolívia, e com Rafael Corrêa, do Equador, apenas por representarem regimes identificados como de esquerda. Isso é um erro. Porque não existe política externa de esquerda. A diplomacia tem de refletir os interesses do estado, não de um partido. O governo brasileiro é ativamente solidário e conivente com Chávez, um líder que está em etapa adiantada na consolidação de uma ditadura. A Venezuela ainda não é Cuba, mas está se cubanizando. Chegou a ser risível quando lula disse que lá há um "excesso de democracia". Seu entusiasmo chegou ao ponto de incentivar financiamentos com dinheiro dos contribuintes brasileiros na Venezuela e de tentar colocar o pais como membro pleno do Mercosul. Como a Venezuela de Cháves, que é contra a democracia e o livre-comércio, pode ser parte do Mercosul? Eis por que democracia e direitos humanos não são simplesmente valores abstratos. Eles devem ser defendidos porque tem impacto sobre questões muito concretas, como o comércio , a segurança regional, os ataques contra os interesses de empresas brasileiras e o narcotráfico.
 
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Leia como ficou esta parte da entrevista em cliping publicado no site do Itamaraty. Tente encontrar o trecho em azul acima no texto em vermelho abaixo.
 
Como o senhor avalia as relações do governo brasileiro com o presidente venezuelano Hugo Chávez?

Roberto Abdenur - É uma aberração diplomática. O Brasil é condescendente com Chávez, com Evo MoraIes, da Bolívia, e com Rafael Correa, do Equador, apenas por representarem regimes identificados com o de esquerda. Isso é um erro, porque não existe política externa de esquerda. A diplomacia tem de refletir os interesses do estado. não de um partido. O governo brasileiro é ativamente solidário e conivente com Chávez, um líder que está em etapa internas da Venezuela. que enfrenta uma crise de desabastecimento e não pode se dar ao luxo de cortar os laços comerciais com a Colômbia.

Não sei se foi proposital, mas o corte abrange mais ou menos a metade do trecho acima e termina com a última frase da resposta a pergunta  seguinte, abaixo.

Na minha opinião, o embaixador Roberto Abdenur classifica o país Cubano de ditadura e afirma que a Venezuela está em etapa avançada rumo a uma ditadura, em processo de cubanização, e isto o Itamaraty não pode admitir, nem dar vazão.

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Mais um trecho da entrevista na Veja.
 
Quais são os sinais da conivência com Chávez?
 
Roberto Abdenur - A excessiva identificação com Chávez fez com que, desde cedo, faltasse equilibrio na postura brasileira em relação à Colômbia e à Venezuela. Isso ficou claro em julho passado, quando Chávez rompeu com o país vizinho[porque o então presidente colombiano Álvaro Uribe denunciou que a Venezuela da guarida às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)]. Chávez foi pego com a mão na massa, mas o Brasil fez pouco-caso do fato de as Farc estarem gostosamente instaladas em território venezuelano. Em nenhum momento o Brasil levantou a voz contra o que foi na realidade em embargo de Chávez contra a Colômbia, proibindo importações daquele país. Se a política externa brasileira fosse ditada por interesses de longo prazo do estado, da nação, e não por preferências ideológicas, pessoais, deveria ter havido desde cedo mais equilíbrio no trato com os dois países. O resultado, melancólico, é que o Brasil perdeu a credencial para ser um mediador daquele conflito(leia post publicado neste blog). O Itamaraty e os conselheiros de Lula tentam insinuar que o presidente ajudou os dois países a reatar. E até que é possível que o presidente tenha aconselhado a Chávez a moderar suas atitudes. Mas o que fez diferença, mesmo, foram as questões internas da Venezuela, que enfrenta uma crise de desabastecimento e não pode se dar ao luxo de cortar os laços comerciais com a Colômbia.
(...)
 
Leia a íntegra desta entrevista nas páginas amarelas da revista VEJA , edição 2181 - ano 43 - nro. 36 de 08/09/201.